Ageuniara

Cresce na região número de pessoas que optam pela cremação

Por: THIAGO HENRIQUE CARVALHO

11/11/2016

Em 2016, o número de corpos cremados aumentou no Brasil, chegando a 13% de mortos. O índice ainda está distante dos países como os Estados Unidos, com cerca de 36 % de cremações, e Japão, onde aproximadamente 90% dos mortos são cremados. Mas a alta de 3 %, em relação ao mesmo período do ano passado anima principalmente os ambientalistas.

O processo de cremação é considerado 100% ecológico. Ele não produz o necrochorume dos cemitérios, que afeta diretamente o solo e os lençóis freáticos, gerando como resíduo, apenas a cinza. Outra vantagem da cremação é a redução da necessidade de espaço nos cemitérios já superlotados, explica José Ricardo Falconi, biólogo e ambientalista.

No interior de São Paulo, a procura pelo ritual está aumentando. Ribeirão Preto já atende a essa demanda com dois crematórios instalados na cidade. Em Araraquara, a criação do primeiro, já está em estudo.

Além dos benefícios ecológicos, o fator econômico também prevalece, já que os custos de um sepultamento são maiores. Na maioria das cremações, não há despesas como pagamento do terreno no cemitério, locação de um jazigo, a menos que os parentes queiram sepultar a urna cinerária no cemitério ou em um columbário, ficando bem mais barato do que os enterros comuns.

O serviço é eficiente em diversos aspectos. Em cidades maiores do interior, já há uma movimentação para implantar novos crematórios, como em Araraquara, por exemplo. A procura por cremação em cidades como Araraquara, Ribeirão Preto e São Carlos é grande, explica Marcelo Lulio, proprietário de uma funerária na cidade de Matão.

Apesar das vantagens, o processo de cremação ainda é desconhecido pela maioria da população. Além de poucas informações, o fator religioso acaba fazendo com que as pessoas tenham pouco interesse pelo serviço.

As religiões e a cremação

O Judaísmo ou religião Abraâmica – doutrina monoteísta cuja origem comum é reconhecida em Abraão, condena o ritual. Segundo os costumes judaicos, cremar um corpo traz uma grande agonia para a alma do falecido e é uma violação grave dos preceitos de Abraão. Já para  o catolicismo, que conta com mais de um bilhão de seguidores, representando um sétimo da população mundial e mais da metade de todos os cristãos, a cremação é aceita, desde que as cinzas sejam conservadas com dignidade.

A Igreja Católica não se opõe ao ritual, mas não compactua com a ideia de que os fiéis façam o lançamento das cinzas à terra. Pede-se que as cinzas sejam conservadas com respeito, porque são cinzas de uma pessoa, de uma vida, e, portanto, não podem ser objeto de decoração ou até de um sentimento mórbido, explica o padre Jorge João Aparecido Nahra, Pároco da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, em Matão.

No evangelismo, religião conhecida como protestante, onde se enquadram as igrejas Presbiterianas, Luteranas, Batistas, Metodistas e Congregacionais, alguns crentes são contra a prática porque  acham que a ação não reconhece o fato, para os seguidores dessas correntes, de que um dia, Deus vá ressuscitar os corpos e reuni-los às suas almas.

"O fato de um corpo ter sido cremado não dificulta em nada a capacidade de Deus de ressuscitar tal corpo. A cremação não faz nada além de apressar o processo de tornar o corpo em pó. Deus é completamente capaz de ressuscitar os restos mortais de uma pessoa que foi cremada, assim como ele é capaz de ressuscitar os restos mortais de uma pessoa que não foi cremada", opina o pastor James Perseghini Basol, da Igreja Evangélica Cristo Vive, em Matão. "A questão da cremação faz parte da área da liberdade Cristã. Uma pessoa, ou família, que está considerando esse assunto deve orar por sabedoria e seguir a convicção que resulta de suas orações", explicou o Pastor.

 Para os ambientalistas, o assunto é de extrema relevância para o futuro da humanidade. "Independente da visão religiosa, cética, que devemos respeitar, é claro, temos de encarar como uma situação de sobrevivência. O processo é considerado moderno, ecológico, prático, higiênico. Dentro de alguns anos não haverá mais espaço para sepultarmos nossos entes queridos e a cremação vem como uma solução muito eficaz. Acredito que dentro de pouquíssimo tempo, será considerado o sepultamento do futuro",  afirma o biólogo José Ricardo Falconi. 

(Publicado em 11/11/2016 - 16h52)



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