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Sucesso com satélite de pequeno porte pode aumentar investimentos na área

Por: TARCISO GONÇALVES AMORIM JUNIOR

11/09/2015

Estudantes de Universidades Federais juntos com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançaram o satélite de pequeno porte Serpens, que foi acoplado com sucesso à Estação Espacial Internacional (ISS), com o objetivo de capacitar recursos humanos e consolidar os novos cursos de engenharia espacial.

O satélite Serpens significa Sistema Espacial para Realização de Pesquisas e Experimentos com Nanossatélites. O projeto de construção do satélite começou em dezembro de 2013 pela AEB e pelas Universidades Federais, como a UFABC, UFSC, UFMG, Instituto Federal Fluminense (IFF) e Universidades estrangeiras como a italiana Sapienza Università di Roma e as norte-americanas Morehead State University e California State Polytechnic University.

Segundo o professor e diretor do Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas da UFABC, dr. Annibal Hetem, “a missão do satélite em órbita é testar conceitos simples do uso do padrão CubeSat, para o recebimento, armazenagem e retransmissão de mensagens por sistemas de rádio.  A proposta é ilustrar que no futuro pequenos satélites poderão ser usados para agregar funcionalidade ao sistema de coleta de dados ambientais no país. O satélite fica a uma altura de 400 quilômetros em relação ao solo e foi transportado pelo veículo japonês H-IIB.

Para o satélite chegar à ISS as Universidades envolvidas tiveram de realizar alguns procedimentos. Organizaram–se em equipes de pesquisadores e alunos, sendo que cada entidade ficou responsável por um subprojeto.

A coordenação e gerenciamento do Serpens estão a cargo da professora Chantal Cappelletti, da Universidade Nacional de Brasília. O Serpens passou por diversos testes, sendo que os que mais se destacam são os testes de vibração e termo vácuo.

O primeiro simula a situação a ser enfrentada no lançamento do foguete e o segundo as condições a que será submetido no espaço. Estes testes foram realizados no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE.

O MCTI fomentou o projeto Serpens investindo cerca de R$ 800 mil, mas Annibal Hetem diz que o país deve investir mais nesta área “pois, além de qualificar estudantes bolsistas, docentes e pesquisadores brasileiros vinculados aos cursos de Engenharia Aeroespacial, o programa fomenta o desenvolvimento de satélites de pequeno porte e baixo custo. Assim, o programa Serpens é uma oportunidade para capacitar profissionais dando competência para atuar no setor aeroespacial. Os futuros engenheiros podem executar as atividades teóricas, por meio de um projeto prático. Ao longo do processo, empresas são qualificadas e podem se tornar fornecedores de futuros projetos semelhantes”, completou o professor.

O MCTI além de injetar dinheiro, incentivou o projeto através de bolsas para estudantes, organização de encontros plenários e fomentando a pesquisa na área. A ação do MCTI junto a JAXA (agência espacial japonesa) e aos administradores da ISS foi fundamental para que o lançamento ocorresse e para que o satélite fosse colocado em órbita adequadamente. 

O Serpens mal chegou ao espaço e as Universidades já estão desenvolvendo o Serpens II,  projeto que dará sequência à pesquisa que já está em desenvolvimento. Como diz Anniba,l “o Serpens II comprova a eficiência dos nanossatélites em projetos educacionais. Como envolvem menos recursos e podem assumir mais riscos, atividades espaciais podem ser aplicadas a diferentes grupos. Missões de baixo custo como o Serpens envolvem diretamente os jovens engenheiros, cientistas e estudantes sem muita experiência”. Assim, eles aprendem na prática as questões sobre tecnologia espacial e contribuirão em diferentes atividades-chave para o avanço da área no Brasil.

 

(Publicado em 11/9/2015 - 19h30)


 



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