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Teatro Oficina comemora 50 anos

Por: FERNANDO SCHIMIDT PEREIRA

18/11/2008

Qual a relação entre o aniversário de 50 anos do Teatro Oficina e a cidade de Araraquara? Tudo. Um dos criadores e, seu administrador até hoje, é o araraquarense José Celso Martínez Corrêa, que deixou a cidade em 1957 para cursar direito no Largo do São Francisco, em São Paulo.

Zé, como é conhecido o diretor araraquarense, escreveu, ainda em Araraquara, sua primeira peça: “Vento forte para papagaio subir”. O texto conta a história de um jovem que após uma tempestade percebe que tem que deixar a pequena cidade onde mora para ir em busca de seu sonho. Mesmo percurso feito pelo autor tempos depois.

Nos anos 1960, o grupo dedicou-se a estudar autores e teóricos internacionais, como: Stanislawski, Brecht, Artaud. A partir desses estudos o Oficina se aprofundou no manifesto antropofágico e, em 1968 estreou a peça "O Rei da Vela", de Oswald de Andrade. Esse texto era o símbolo do movimento tropicalista, cuja proposta era um entrelaçamento estético entre a arte nacional e a estrangeira, característica da antropofagia.

Oswald de Andrade, por meio da teoria antropofágica, serviu de base para o Teatro Oficina. O autor deu subsídios para que o grupo não se limitasse a apenas uma ou outra linha estética, segundo Lívia Cabrera, atriz e pesquisadora da Universidade Federal de São Carlos. “Houve a junção de diversas correntes dramatúrgicas internacionais e brasileiras, principalmente as baseadas na cultura popular”, completa a pesquisadora.

A característica de heterogeneidade estética marcou o grupo desde seu principio. Recente em "Os Sertões", encenada em 2006, Nietzsche dialoga com Chico Science, pór exemplo. Também na peça Taniko (2008), cuja estréia se deu em Araraquara, em virtude das celebrações dos 21 anos da morte do também dramaturgo Luís Antonio Martinez Corrêa, irmão de Zé Celso, misturavam-se os 100 anos da imigração japonesa com os 50 anos da Bossa Nova.

As incorporações artísticas, sociais e intelectuais do Oficina representavam uma ameaça para as elites burguesas. Durante a exibição do espetáculo "Roda Viva", dirigida por Zé Celso e escrita por Chico Buarque, em 1968, o teatro Ruth Escobar foi invadido pelo CCC (Comando de Caça aos Comunistas) e o elenco foi surrado pelos manifestantes.

Na cidade de Araraquara, o Oficina apresentou a última peça no antigo Teatro Municipal, antes de sua demolição. "Pequenos burgueses", de Máximo Gorghi, foi o espetáculo.

Desde então o relacionamento do diretor e dramaturgo com a cidade natal não foi muito amistoso. As relações se restabeleceram nos últimos anos quando Zé, a convite da Secretaria Municipal de Cultura, voltou à cidade para homenagear o irmão Luís Antonio Martinez Corrêa, no festival de teatro que acontece anualmente no município e leva o nome do irmão de José Celso.

Para o sociólogo Yves Pelegrini, doutorando em Artes Cênicas, a reaproximação foi importante para a carreira do Oficina e formulação dos novos espetáculos de Zé Celso. Quando o diretor remontou aqui, em Araraquara, “Vento forte para papagaio subir” a emoção contagiou a todos. “Esse certamente foi um capítulo importante para o teatro nacional e para a cultura de Araraquara”, complementa Pelegrini.

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