Ageuniara

Pequenos comércios, grandes impostos

Por: MICHEL DA SILVA COELHO LACOMBE

25/06/2008

Produtos que custam de R$ 0,10 a R$ 1,00 não estão livres de impostos. Pelo contrário: são justamente neles que há uma maior tributação.Para um comércio que tem como principal produto os de consumo rápido, como balas, chicletes, salgados e até cigarros, o segredo é apostar no giro de mercado. E não pensar no quanto se gasta para trabalhar.

"As autoridades fiscais procuram tributar em maior peso os produtos chamados supérfluos, ou seja, aqueles que não fazem parte das necessidades básicas do ser humano", diz o economista José Luís Francisco."Nesta linha podemos classificar as gomas de mascar, as bebidas, cigarros etc., e em contra partida, aliviam os produtos de primeira necessidade como, por exemplo, os produtos da cesta básica", acrescenta.

O comerciante Antonio Benedito Ferreira da Silva diz que para manter seu comércio, em São Carlos (SP), é necessário trabalhar com o giro de mercado, ou seja, comprar o que vende mais.Sobre os impostos, Silva afirma que são muitos."Os encargos tributários são muitos e já vêm definidos",diz.

Todos os produtos encontrados no seu estabelecimento já vêm com uma parcela de lucro fixa. O comerciante afirma que o menor lucro está no cigarro, com 9% do valor vendido. Em miúdos, a cada maço que, por exemplo, custe R$ 3,00, Silva ganha R$ 0,27.O segundo menor são os sorvetes e os refrigerantes, com um lucro de 30% sobre o valor vendido. Para os demais produtos, o valor é fixado em 50%.

A outra parte é composta pelo preço do produto mais os impostos contidos nele. Silva diz não saber o quanto é tarifado em cada produto. E ele também nunca pensou em quantos dias têm que trabalhar por mês para pagar impostos."Se pensar nisso, você desanima e fecha a porta", confessa.

Atualmente o Brasil conta com 82 impostos.Francisco diz que vê dois caminhos para diminuir a alta tarifação. "Primeiro é diminuir a necessidade de ter receitas.Isto pode ser feito com a redução dos gastos públicos, ou seja, menor gasto público exige menor receita e por tabela menor impostos. A outra forma é intensificar a fiscalização. Neste tópico o governo vem evoluindo ano a ano, pois se todos pagarem impostos, todos pagarão menos. Caso contrário, os que não sonegam pagam por aqueles que fazem isso".

Mesmo com as dificuldades causadas pelas cobranças de impostos,Silva vê no pequeno negócio com alta rotatividade uma saída."Se a coisa fica maior, aumenta a despesa, você tem que contratar funcionário e pagar um aluguel mais caro", analisa.

Para aumentar o número de pessoas freqüentando o estabelecimento – a média é de 100 pessoas consumindo diariamente; no dia de pagamento o fluxo aumenta 50% –, ele também opta pela diversidade."O cliente entrou tem que ter opção de produto".

Concorrência e qualidade

Não bastasse a alta carga de impostos, o comerciante tem que conviver com a concorrência. Apenas na quadra onde está estabelecido, há outras duas lanchonetes no mesmo molde que o dele, além de uma banca de jornal que oferece salgados e café.

"Tem espaço para todo mundo", comenta Silva. Ele diz que, mais do que preço, é necessário também vender um produto com qualidade."Hoje, você não vende salgado feito em fundo de quintal. Todos são feitos em processo industrial",finaliza.



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