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Memória : Sartre e Simone de Beauvior visitaram Araraquara

Por: ADRIANA MARIA VANNUZINI BORDA

12/09/2007

No dia 4 de setembro de 1960, o filósofo, escritor e teatrólogo,Jean Paul Sartre e sua esposa Simone de Beauvior,acompanhados do também escritor e amigo Jorge Amado,visitaram Araraquara(SP).

A visita aconteceu por meio de um convite, feito na França,pelo professor Fausto Castilho,fundador do Curso de Filosofia,Ciências e Letras de Araraquara, em 1957.

Sartre e Simone vinham de Cuba, onde há poucos meses Fidel havia assumido o controle. Sartre escreveu um livro sobre a efervescência revolucionária que lá encontrou:"Um Furacão sobre Cuba" e, no prefácio,menciona sua estada em Araraquara.

O professor de Filosofia, José Aloysio Reis de Andrade, assistiu as duas palestras que Sartre proferiu, com propósitos e locais distintos.A primeira, na Casa de Cultura,para 110 especialistas e estudiosos de sua obra:"O Existencialismo", com a finalidade de esclarecer a sua trajetória de pensamento.

Inicialmente o existencialismo tratava, essencialmente, do indivíduo, da solidão inerente à condição humana e, paulatinamente, o filósofo começou a escrever sobre grupos sociais e sobre política, tornando-se membro do Partido Comunista, ou seja, um ferrenho anti-capitalista. O que para muitos era uma ruptura, para ele era uma evolução natural.

Esta reunião foi gravada em discos, rotação 78, guardados por muitos anos na Universidade Estadual Paulista (UNESP) e, depois, de transcritos pelo professor Luís Salinas Fortes, que o fez com dificuldade, já que Sartre tinha um forte problema na fala, transformando-se no livro bilíngue:"A Conferência de Araraquara", lançada pela editora da UNESP em 1985 e em 2005.

Segundo o professor José Aloysio, um fato pitoresco ocorreu no saguão da Casa de Cultura, ao final da Conferência: coincidentemente, o Santos Futebol Clube, então campeão mundial e time de Pelé, estava na cidade e foi derrotado por 4 a 1 pela Ferroviária.

Os torcedores, que faziam festa nas ruas por este motivo, passaram ao filósofo a impressão que aquela alegria popular acontecia devido a sua presença e, evidentemente, ninguém contou a verdade e esta “aclamação a Sartre pelos araraquarenses” foi noticiada em jornais da capital onde, por sinal,ele não esteve.

A segunda reunião

A segunda reunião aconteceu no antigo Teatro Municipal da cidade, onde fica a atual Prefeitura, com platéia para cerca de 1.500 pessoas. Sartre queria um grande encontro com estudantes e trabalhadores. Queria mais ouvir do que falar, já que o Brasil também estava em ebulição, especialmente pela expectativa de reformas de base, entre estas a Reforma Agrária, prometida às Ligas Camponesas em atividade.

Segundo Domingos Carnesecca, professor de Economia e estudioso da história de Araraquara, este encontro foi organizado por um estudante de filosofia e militante político, conhecido como “Cristo”, mais tarde professor da Universidade de Campinas (UNICAMP).

Na platéia do antigo Teatro Municipal estavam a araraquarense Ruth Corrêa Leite e o então namorado Fernando Henrique Cardoso(ex-Presidente da República), ambos estudantes de filosofia em São Paulo. Ao lado de Sartre, à mesa, além de Simone (que para o professor Aloysio parecia um "cão de guarda" do marido), estavam vários intelectuais, entre eles Antônio Cândido Mello e Sousa, sociólogo e autoridade em literatura brasileira.

Uma das preocupações dos anfitriões, segundo Leila Garitta, proprietária de uma tradicional joalheria da cidade, foi como presentear Simone de Beauvior, cosmopolita e também escritora de sucesso.A solução foi encontrada por seu tio, Reinaldo Garitta, e seu pai, Remolo Garitta. Ambos eram ourives, fundaram a joalheria há mais de 60 anos e confeccionaram um broche com pedras brasileiras, turmalinas, ametistas, águas-marinhas, que resultou esplêndido.

Centro Cultural

Araraquara foi um centro cultural e político de vanguarda, formou e atraiu artistas e intelectuais por muitas décadas, o que torna incompreensível a demolição, em 1966, do Teatro Municipal, baseada num laudo de "infestação de cupins", uma mera desculpa na opinião de todos os entrevistados citados nesta matéria.

Construído em 1915, para a pesquisadora Apparecida Godoy Aguiar,autora do hino de Araraquara,possuía todo o requinte estético e a qualidade acústica dos melhores teatros.

Apparecida revelou à reportagem, pela primeira vez, que o Teatro Municipal possuía um sofisticado mecanismo que nivelava ou inclinava a platéia ( para 1.500 pessoas sentadas ), conforme a finalidade que teria em cada ocasião: um espetáculo no palco ou um baile.

O professor Carnesecca reflete sobre o fato do Teatro Municipal ser um registro, uma espécie de memória concreta do pensamento vanguardista e de esquerda, e, por isso, teria sido demolido, em plena ditadura militar, onde não havia lugar para ebulição política e efervescência cultural.



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