Ageuniara

Planta pode provocar colapso nos pomares de laranja da região

Por: RAFAEL FERREIRA PERAZZOLLI

29/05/2006

A planta conhecida popularmente como murta, uma árvore comum, serve de hospedeiro para o vetor do greening ("verdinho") considerada hoje a pior praga dos pomares. Se o criadouro não for combatido, os pomares de toda a região podem ser aniquilados dentro de pouco tempo, alertam técnicos da defesa fito-sanitária. Só em Matão são sete mil árvores da murta, que devem ser erradicadas. Em Araraquara a estimativa é de vinte mil.

Um dos problemas enfrentados pelos citricultores é o avanço desenfreado da doença denominada greening ("verdinho"), considerado o câncer da citricultura. A praga se alastra através de um pequeno inseto, de 2 milímetros, chamado popularmente de psilídeo. Ele absorve a bactéria no broto da murta e a leva até o pomar, onde a praga se desenvolve com uma velocidade incrível.

Só no Estado de São Paulo calcula-se que 400 mil pés de citrus estejam contaminados, sendo que a incidência maior está justamente nesta região. Ao todo são 90 municípios cultivadores de citrus que estão afetados hoje.

Existe um movimento dos citricultores com apoio da indústria para erradicar a murta, que seria, segundo os representantes do setor, a forma mais rápida para acabar com o problema do greening.

O uso de inseticida não vem controlando a praga, por isso é necessário acabar com o hospedeiro do vetor. Mas para isso é preciso um acordo entre os citricultores e os departamentos de meio-ambiente dos municípios para arrancar as árvores de murta.

O custo dessa operação é outro problema, sem contar que muitas plantas estão dentro de propriedades particulares, o que dificulta a fiscalização.

Em Matão, a Secretaria de Meio Ambiente não está distribuindo mais a murta. Na semana passada, numa reunião entre citricultores, o Ministério Público e representantes da prefeitura e ongs de meio ambiente, no Sindicato Rural de Matão definiu-se que será feito um mapeamento de quantas murtas existem no município e depois, caso haja um termo de ajustamento de conduta, as árvores poderão ser erradicadas e, em troca, colocadas outras no lugar.

O setor de citricultura está muito preocupado, pois em países onde o greening atacou, os pomares foram devastados. Segundo representantes da Fundecitrus, existem até países onde não se planta mais citrus em virtude da contaminação.

Para o Brasil, principalmente para o Estado de São Paulo, isso seria um desastre na economia, pois a indústria da laranja movimenta milhões de dólares e emprega quase meio milhão de trabalhadores.

Já para os ambientalistas, é necessário que se faça algo, mas dentro de um processo que não prejudique o ecossistema. “Por isso deverá haver uma compensação no plantio de árvores, caso a murta seja realmente erradicada na região”, afirma a diretora da Secretaria de Meio Ambiente de Matão, Maria Aparecida Bellintani.

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