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Material auto-esterelizante protege instrumentos

Por: MAIKO DA CUNHA MAGALHÃES

04/11/2005

Um novo material nanoestruturado auto-esterelizante à base de titânio foi desenvolvido em parceria pelo Laboratório Interdisciplinar e Eletroquímica e Cerâmica (LIEC) do Instituto de Química (IQ) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara (SP), e a empresa Science Solution.

A Science Solution é uma spin-off, ou seja, uma espécie de laboratório em formato de empresa criada através do LIEC incubada no Parque de Tecnologia de São Carlos (ParqTec).

A empresa, surgida das pesquisas desenvolvidas no LIEC, foi formada há um ano por quatro sócios, alunos e ex-alunos do LIEC, sendo dois mestrandos, um doutorando e um doutor.

Essa nova tecnologia permite que os instrumentos médicos e odontológicos tenham mais proteção, ou seja, esse material nanoestruturado (que corresponde a partículas quase invisíveis, mas com poder muito eficaz) confere aos instrumentos a propriedade bactericida.

O projeto foi desenvolvido com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio do Programa de Apoio à Inovação na Pequena Empresa (PIPE), e a patente sobre a nova tecnologia depositada neste mês, que já está sendo negociada com algumas indústrias, cujos nomes são mantidos em sigilo a pedido das empresas.

Os pesquisadores desenvolveram um método para gerar dióxido de titânio (TiO2) nanométrico “in situ”, isto é, presente em superfícies metálicas como aço inox, alumínio e ligas e outros metais, além de superfícies vítreas e cerâmicas.

Batizado de “coating bactericida”, o novo material é uma espécie de tinta cerâmica aplicada sobre a superfície e que é ativada como agente bactericida na presença de luz solar.

A produção desse material é de custo relativamente baixo e não requer equipamentos sofisticados. “Trata-se de um polímero a base de água que aquecido em forno gera o recobrimento bactericida”, explica Luiz Gustavo P. Simões, diretor do Science e coordenador do projeto.

“Os utensílios portadores dessa tecnologia funcionam na presença de luz ultravioleta e eliminam matéria orgânica, bactérias e fungos, obedecendo ao princípio da fotoatividade”, explica o professor Élson Longo, diretor do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC), um dos centros de excelência mantidos pela Fapesp, do qual o LIEC é um dos integrantes.

Longo lembra que a fotoatividade (atividade com presença de luz solar) de semicondutores nanométricos ou nanoestruturados tem sido muito estudada por cientistas no mundo inteiro, para entender como a luz solar é convertida em energia.

“Entre outros semicondutores, o dióxido de titânio é mais utilizado nos estudos de degradação orgânica e biológica, devido ao fato da sua fotoestabilidade, não toxidade e estabilidade química”, explica

Simões detalha mais: “O dióxido de titânio é o semicondutor que se apresenta em três formas alotrópicas: anatese, rutilo e brookite, porém a atividade fotocatalítica, que aumenta a velocidade de uma reação química na presença de um reagente, só é encontrada na fase mineralógica anatese”.

Esse material é utilizado para gerar energia e também par degradar a matéria orgânica. Essa propriedade de degradar confere ao dióxido de titânio (anatese) as propriedades autolimpante e antimicrobiano, ou seja, bactericida.

O coating cerâmico nanométrico de dióxido de estanho, é aplicado por um método químico que confere à superfície em que é aplicado (cerâmica, metálica e vítrea) a propriedade bactericida sem alterar as propriedades iniciais do material.

O coordenador do projeto enfatiza que a Science desenvolveu este coating bactericida para atender principalmente o mercado de aço cirúrgico, ou seja, instrumentos odontológicos e médicos, visando melhorar a limpeza de ambientes biologicamente ativos e eliminar a presença de microorganismos nos materiais e ambientes.

Com o financiamento do PIPE/Fapesp, a Science, em parceria com o LIEC, está desenvolvendo um outro material que aumenta a resistência à abrasão, ou seja, desgaste provocado pelo atrito.



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