Ageuniara

Unesp desenvolve novas aplicações para "pele artificial"

Por: MAIKO DA CUNHA MAGALHÃES

02/06/2005

O Instituto de Química(IQ) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Araraquara(SP) desenvolve pesquisa para novas aplicações da "pele artificial".

A pesquisa trata sobre celulose produzida por bactéria e que tem entre outras aplicações, avanços em áreas de medicina, engenharia, farmácia, odontologia e outras.

Especificamente, o produto que deverá estar no mercado ainda nesse semestre, é empregado como "pele artificial" (ou um substituto temporário da pele humana), produto este que auxilia no tratamento de feridas crônicas e queimaduras. Os resultados de testes clínicos, mostraram redução em até 50% do tempo de tratamento, além de se caracterizar como curativo único e de baixo custo.

A celulose bacteriana é uma cadeia de açúcares ligadas, ou seja, é composta por moléculas de glicose, que em sua composição contém 98% de água e 2% de açúcares. Ela é produzida pela bactéria Acetobacter xylinum que cria a celulose em seu meio de cultura, deixando que ela fique na superfície, permitindo assim que ela utilize os nutrientes contidos na água e o oxigênio da superfície.

Pesquisada há décadas, a celulose bacteriana vem ganhando viabilidade comercial graças ao cientista Luiz Fernando Farah, que conseguiu selecionar uma cepa superprodutiva de Acetobacter xylinum, a bactéria que sintetiza a celulose pura.

Aplicada sobre a ferida, a película de celulose adere totalmente a lesão ou queimadura em 48 horas, funcionando como um substituto provisório da pele, pois possui poros pequenos que impede a entrada de bactérias e ao mesmo tempo permite que o tecido respire.

Além disso, bloqueia a radiação ultravioleta e retém uma quantidade mínima de líquido evitando a desidratação e a perda de sais minerais comum nos queimados.

Com esse curativo, que é único, os pacientes podem vestir roupas normais e se expor ao sol. Além de ser barato, ele ameniza a dor dos pacientes por servir como analgésico, pois a cada troca de curativo normal, o médico acaba destruindo as novas camadas de pele recém-formadas pelo organismo.

Segundo Édison Pecoraro, químico e doutor em Ciências dos Materiais e responsável pela área de pesquisa em celulose bacteriana da Unesp de Araraquara, o curativo com celulose protege o tecido enquanto o organismo fabrica uma nova pele por baixo, tornando assim o processo de cicatrização mais rápido e com aparência melhor.

A primeira experiência com celulose foi feita pelo cirurgião plástico Lecy Cabral em um idoso com queimadura de primeiro e segundo grau em 76% do corpo, que não suportaria um tratamento com curativos normais e que conseguiu através da celulose bacteriana se recuperar totalmente em 40 dias.

Além desse caso, outros testes tiveram sucesso em diabéticos que apresentaram ótimos resultados na cicatrização, já que nesse caso o processo é mais complicado.

Pecoraro explicou que a Unesp foi contratada pela Bionext, empresa que patrocina e desenvolve pesquisas nessa área, para desenvolver outras aplicações a partir da celulose bacteriana, como em materiais estruturais - nos coletes a prova de bala, membranas para microfiltração e outros subprodutos da dissolução da celulose.

De acordo com o químico, em breve teremos a substituição da celulose vegetal por celulose bacteriana. “Para produzir uma tonelada de celulose com bactérias é preciso de um biorreator de quatro metros quadrados. O que para fazer mesmo com árvores, seria necessário uma plantação de 500 metros quadrados”, explica Pecoraro.

Ele ainda ressalta que a substituição da celulose vegetal pela bacteriana, seria muito mais viável de se fazer por vários motivos, entre eles a redução no custo de fabricação e a diminuição do impacto ambiental, pois para se produzir determinada quantidade de papel a base de celulose, extraída de árvores, utiliza-se 50% do material e o restante é emitido no ar através da emissão de CO2.

O químico ainda falou que a sociedade deve ser informada sobre a existência desses mecanismos e deve passar a cobrar mais das autoridades responsável para a implantação da técnica.

Ele esclarece que a celulose bacteriana facilita a vida das pessoas, pois é mais barata, reduz a dor em tratamentos, não é prejudicial ao meio ambiente e é de fácil e rápida produção. “Esse projeto só não foi aderido na sociedade até hoje, devido à políticas governamentais e financeiras, que estão barrando e atrasando o processo para não perderem dinheiro”, esclarece Pecoraro. Ele ainda afirma que é graças as parcerias universidades e empresas que esses estudos podem ser feitos.



Destaques:

Reportagens recentes:

Todas as reportagens

Reproduzir o conteúdo do site da Uniara é permitido, contanto que seja citada a fonte. Se você tiver problemas para visualizar ou encontrar informações, entre em contato conosco.
Uniara - Universidade de Araraquara / Rua Carlos Gomes, 1338, Centro / Araraquara-SP / CEP 14801-340 / 16 3301.7100 (Geral) / 0800 55 65 88 (Vestibular)
N /ageuniara/