Ageuniara

Avaliação fetal permite tranqüilidade na gravidez

Por: VANESSA DE CAMARGO FABOSO

29/03/2004

No início da década de 70 surgiram os exames fetais, que tinham o objetivo de datar a gravidez, através da medida da cabeça do feto.

Hoje com a evolução tecnológica e médica, este exame mudou a finalidade inicial para um verdadeiro check-up fetal, que consiste em um exame físico do feto.

A avaliação na gravidez significa ver o feto por dentro através de equipamentos, medir o funcionamento da placenta ( que o nutre e o oxigena ) e finalmente verificar se há doenças fetais, caso o feto apresente alguma doença pode-se tratá-lo ou evitar que o problema piore.

São utilizados dois aparelhos para a avaliação, o ultra- som de alta definição com "doppler colorido" que examina com detalhes o feto, além de medir o fluxo do sangue em vários órgãos, principalmente na placenta através do cordão umbilical e cérebro.

E a Cardiotocografia que mede os batimentos cardíacos fetais e contrações uterinas. Esses exames devem ser feitos na 12, 20 e 30 semanas da gravidez.

Para o doutor Victor de Almeida, especialista em Medicina Fetal, a importância de ser feita a avaliação é que a gravidez passou de um fato da natureza, para um fato elaborado, consciente e na medida do possível planejado.

"Se a gravidez é mal acompanhada, põe em risco a vida de um dos dois seres e isto pode trazer profundas cicatrizes e seqüelas para o resto da vida.Com a tecnologia atual podemos minimizar ou evitar 90% destes problemas", informa.

Segundo ele, os problemas mais comuns nas grávidas de Araraquara ( SP) e região, por exemplo, são : hipertensão arterial, diabetes gestacional, crescimento fetal retardado, hipotireoidismo materno e calcificação acelerada na placenta.

"Estas condições podem afetar a vida fetal com seqüelas graves e podem ser controladas com uma boa avaliação e seguimento", diz o médico.

Exemplo de caso onde a avaliação fetal faz a diferença, a gestante E.O.L. foi encaminhada aos cuidados do doutor Almeida com suspeita de problemas na formação da barriga do feto com 24 semanas de gravidez.

"No ultra- som de alta definição foi evidenciado a profusão das alças intestinais e do fígado para fora da barriga. O doppler, perfil biofísico e a cardiotocografia indicavam boa saúde fetal agravidez pode ser levada até o final", diz.

Após a cesaria o feto foi colocado em um respirador artificial e operado imediatamente e depois de 14 dias estava em casa. Hoje o menor A.L.S esta com cinco anos e sem seqüelas.

"Os seguros de saúde normalmente cobrem estes exames pelo sistema de reembolso e são avaliados cada caso", comenta o médico.

Alguns Hospitais Universitários como a Universidade Federal de São Paulo ( USP) e Universidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ), dispõem de serviços de avaliação fetal ou medicina fetal, para gestantes carentes atendidas pelo Sistema Único de Saúde ( SUS).

"Normalmente 15% das grávidas são consideradas de alto risco. Nestes casos, a mortalidade fetal pode chegar a 50% nos casos não tratados", observa o doutor Almeida.

A secretária municipal de saúde de Araraquara junto ao Hospital Gota de Leite atente gestantes carentes da cidade.

"O tratamento oferecido é eficiente apesar de não contar com recursos tecnológicos avançados na avaliação fetal", diz o doutor. José Roberto Polletti, chefe do Departamento de Saúde da Mulher e Diretor Clínico do Hospital Gota de Leite.

Segundo ele, Araraquara oferece para as grávidas carentes cursos preparatórios para gestantes, com assistência de profissionais como médicos, enfermeiros, além da ajuda de entidades de ensino como o Centro Universitário, de Araraquara (Uniara), através de fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas, que permitem à gestante uma gravidez tranqüila.

"Hoje nos países de primeiro mundo a gravidez e o cuidado com o feto e a criança estão em primeiro lugar. Queremos fetos, filhos e mães saudáveis para garantirmos o futuro da humanidade", finaliza doutor Almeida.



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