mostrar mensagem ]

Comunicados Oficiais - UNIARA (COVID-19)

Em virtude da pandemia global de COVID-19, as atividades da Universidade de Araraquara - Uniara sofreram alterações.

Clique aqui e confira todos os comunicados oficiais da Instituição.

ocultar ]

UNIARA

Ageuniara

Crise: entidades do terceiro setor buscam independência financeira

Por: GUSTAVO MIGUEL CURVELO

28/08/2017

A situação das Organizações não-Governamentais (ONGs) em São Carlos (SP) não é das mais confortáveis. E, não bastasse a crise econômica que assola o país, as instituições do terceiro setor ganharam um novo problema para lidar desde julho: a falta de adequação da prefeitura junto ao Novo Marco Regulatório, que altera dispositivos do repasse de verbas públicas.

Desde a implantação do sistema, já são duas as entidades que interromperam suas atividades no município. Aguardando a resolução dos problemas, a Casa da Criança e, posteriormente, a Nave Sal da Terra, deixaram de operar em função de questões burocráticas ligadas ao financeiro, ambas envolvendo repasses. Ao todo, os órgãos deixam de atender cerca de 400 crianças.

Entre os que seguem exercendo seus trabalhos, o clima de preocupação também paira no ar. Contando com o apoio da prefeitura para o desenvolvimento social e esportivo de crianças e adolescentes, além de empregar profissionais da área, o Proara, do bairro Cidade Aracy, reconhece as atuais dificuldades, mas salienta a evolução dos trabalhos com o respaldo do primeiro setor.

“Nossa relação com a prefeitura tem sido muito boa, pois existem dificuldades, não posso negar, mas ela está acreditando no nosso trabalho. Penso que isto ocorre por conta de que, na gestão atual, existem pessoas que conhecem e confiam nas nossas atividades, há mais de dez anos, sem contar que o custo operacional é menor do que aquele que o poder público precisaria despender se o fizesse com a contratação de funcionários próprios”, analisa o idealizador e coordenador geral da instituição, Valentim Camargo.

Em um passado não muito distante, todavia, o panorama foi ainda mais complicado. Afinal, segundo Camargo, a entidade chegou a ter seus subsídios interrompidos entre 2013 e 2016, e precisou recorrer a velhos parceiros para dar continuidade às atividades.

" Como muita gente conhece a honestidade do nosso projeto, buscamos a aproximação com estas pessoas e, em alguns casos, pagamos aos poucos depois. No fundo, todos sabiam que iriam receber, pois sempre demos satisfação das nossas atividades”, diz Camargo.

Sem recursos públicos, por sua vez, a Estância Terapêutica Rei Davi procurou alternativas desde a emergência de seus projetos para poder atuar com o tratamento e a reinserção de dependentes químicos e alcoólicos à sociedade, crescendo a cada dia graças ao planejamento com os pés no chão e o apoio de terceiros, conforme relata o diretor administrativo da entidade, Cleber Falanga.

“Atualmente atendemos cerca de 30 meninos, de 18 a 65 anos, e em cerca de 30 a 60 dias ampliaremos este número para 60 vagas. Apesar disso, e de sermos uma comunidade filantrópica com título de utilidade pública, não temos nenhuma ajuda do governo municipal, estadual ou federal, o que nos fez procurar parcerias com o setor privado, que colabora ocasionalmente com a doação de itens como cesta básica, alimentos e roupas”, salienta Falanga.

Para ele, a ausência de respaldo por parte do poder público tende a prejudicar as entidades do terceiro setor em geral, levando alguns órgãos até mesmo à extinção das atividades.

“A crise que o país vive afetou todo mundo, inclusive as ONGs, e, se o poder público interromper sua intervenção, muitas irão parar com seus trabalhos. Será um processo de fechamento de portas e de muita dor, mas, infelizmente, muitas instituições não conseguem funcionar sem repasses”, pontua o diretor da Rei Davi.

O Novo Marco Regulatório, porém, é visto com bons olhos. “A intenção é acabar com algumas fraudes que existiam no passado e que chegaram ao ponto de protagonizar uma  Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em São Carlos. Quem não se profissionalizar, adaptando seu plano de trabalho, estará fora do mercado”, acrescenta Falanga.

Solução

Alheia ao financiamento público há cinco anos, a ONG Formiga Verde, que atende crianças e jovens de 6 a 17 anos, em sua formação social e esportiva, pode ter encontrado o caminho da autonomia para as entidades do terceiro setor. Localizado no bairro Jardim Santa Felícia, o órgão até contou com o respaldo da prefeitura em suas primeiras temporadas de atividade, mas optou pela independência financeira e, apesar do cenário atual, evolui sem se preocupar com convênios.

De acordo com o coordenador executivo Rodeney de Santi, a aposta da instituição tem sido na profissionalização de todo o departamento administrativo e financeiro, o que deixa a Formiga Verde longe de qualquer preocupação relacionada a medidas como, por exemplo, a recente entrada em vigor do Novo Marco Regulatório.

“O caminho da autonomia existe, tanto que não estamos sendo afetados nestas questões ligadas à prefeitura. No passado, mexíamos muito com verba pública, mas, de 2012 pra cá e por opção nossa, abrimos mão do recurso público para sermos sólidos, baseado no planejamento” argumenta Rodeney.

O sucesso, para ele, é fruto da adequação, sobretudo, do material humano. “As instituições do terceiro setor surgem para angariar soluções deixadas pelo primeiro setor e, para isso, precisam de planejamento. Entretanto, parece que foi esquecido de profissionalizar o campo administrativo, que é fundamental. É preciso, para quem trabalha nesta área, ter qualificação, o que abre até um novo mercado de trabalho”, conclui o coordenador.

Prefeitura

Em nota, a prefeitura de São Carlos alega que : "por se tratar de uma legislação nova e complexa, eventuais problemas de adequação aos novos ritos e exigências do Marco Regulatório podem ocorrer nesta fase inicial, porém a Prefeitura Municipal de São Carlos está empenhada para que não aconteçam erros que prejudiquem as entidades conveniadas".

Publicada em 29/8/2017 às 21h38.



Destaques:

Reportagens recentes:

Todas as reportagens

Reproduzir o conteúdo do site da Uniara é permitido, contanto que seja citada a fonte. Se você tiver problemas para visualizar ou encontrar informações, entre em contato conosco.
Uniara - Universidade de Araraquara / Rua Carlos Gomes, 1338, Centro / Araraquara-SP / CEP 14801-340 / 16 3301.7100 (Geral) / 0800 55 65 88 (Vestibular)
N /ageuniara/