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Psicólogas observam sobre os cuidados com a depressão na adolescência

Por: GYOVANA RODRIGUES VARGAS

16/05/2017

Depressão é um transtorno mental relacionado ao humor e afetividade, caracterizado por um conjunto de sintomas (tristeza, falta de interesse e motivação, culpa excessiva, humor deprimido, ideação suicida, pensamentos negativos, fadiga, entre outros), para se realizar o diagnóstico de depressão, é preciso um período de pelo menos duas semanas com os sintomas, no entanto períodos mais curtos podem ser razoáveis se os sintomas são graves ou de início rápido, sendo ela a doença mais incapacitante até 2020, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A psicóloga Letícia Fava Menzori, de Araraquara (SP), explica que existem alguns fatores psicossociais que podem colaborar para o desenvolvimento da depressão na adolescência: vivenciar experiências traumáticas na infância, como negligência, divórcio, morte dos pais, desigualdade social e outros fatores sociais que atuam como estressores.

Segundo Letícia, durante a adolescência, não são apenas as mudanças hormonais as causadoras das alterações de humor, pensamento e outros comportamentos. “A influência social e as novas exigências dessa fase podem também colaborar com a mudança no comportamento dos adolescentes que precisam se adequar ao novo período e consequentes exigências dessa nova fase”, relata.

De acordo com a psicóloga Karen Cristina Amaro, de Araraquara, é importante o diálogo entre pais e filhos, para procurar ajudar na prevenção e no tratamento da doença. “Os pais precisam prestar mais atenção nos filhos, estar atentos às mudanças no comportamento, e durante esses diálogos, procurar evitar comentários do tipo: Isso é só uma faseNão seja dramático, você não tem razões ou preocupações para sofrer assim ou ainda: você deve focar em seus estudos. Quando o adolescente procura alguém para contar seus sentimentos, sejam pais, familiares e amigos, o que ele precisa é de acolhimento, empatia, compreensão e principalmente a escuta sem julgamentos ou preconceito.Cada um sofre a sua maneira, e todo sofrimento é válido”, explica.

A estudante de pedagogia Clarissa Gardini Franco desenvolveu a doença durante a infância, enquanto sua família passava por momentos de dificuldade. Na época, com cerca de oito anos de idade, sofria agressões na escola. “Chegaram a jogar no lixo meu caderno, era bem difícil e bem violento, sofri até agressão física”, conta. Com isso, desenvolveu dor de cabeça crônica exatamente por não contar a ninguém o que estava acontecendo. Segundo ela, “as crises eram frequentes e acompanhadas de vômito, e mesmo buscando auxílio médico, o problema não era resolvido, pois não contava para ninguém o que estava acontecendo”.

Isso se estendeu durante a adolescência, período em que teve alguns momentos difíceis, o que acarretou na perda de apetite, porém com o tempo foi se recuperando, mas pelo fato de não conversar sobre o assunto, vários problemas como perdas e agressões verbais realizadas, principalmente através da Internet, fizeram com que a doença retornasse na fase adulta, trazendo diversos problemas físicos, como efeitos na coluna que fizeram com que abandonasse seu emprego.

De acordo com Karen, o diálogo e a escuta são muito importantes, pois os sentimentos que não são ditos, podem virar sintomas físicos. Algumas pessoas que passam por momentos de grande pressão, ansiedade ou dificuldade em lidar com algo novo, podem acarretar sintomas físicos reais e algumas doenças.

Tratamento

O tratamento da depressão é feito com psicoterapia, e quando necessário o uso de medicamento antidepressivo deve ser indicado por um médico psiquiatra. Sua duração pode variar de pessoa para pessoa, podendo durar alguns meses ou anos. A decisão para a “alta” do paciente será tomada de maneira conjunta, psicólogo, médico e paciente, que decidirão qual é o melhor momento para encerrá-lo.

Existe o risco da pessoa que já teve depressão na adolescência desenvolvê-la novamente na fase adulta, e assim que ela perceber o retorno dos sintomas é necessário buscar por tratamentos adequados, prestando atenção em seus cuidados particulares (alimentação, sono de qualidade, atividades físicas), e em alguns casos é necessário tratamento de manutenção ou preventivo.

O tratamento psicológico e medicamentoso é muito importante, mas a família, os amigos e aqueles que convivem diariamente com o adolescente podem ajudá-lo. Letícia explica que “a rede de apoio (conjunto de pessoas que convive com um indivíduo, fornecendo apoio emocional, companhia e conselhos) é de extrema relevância não só para o tratamento de psicopatologias, mas também para o auxílio no processo de desenvolvimento desse indivíduo. Grupos religiosos, comunitários ou com interesses em comum podem exercer essa função de amparar, compreender e auxiliar a pessoa a lidar com suas dificuldades”.

As psicólogas alertam também para a importância de levar a doença a sério, já que muitas pessoas acham que é brincadeira ou um momento de tristeza passageira. Buscar auxílio é fundamental, e ficar atento sobre possíveis sintomas ajuda durante o processo de tratamento da depressão na adolescência, caso não haja condições de pagar por um tratamento psicológico, é válido buscar por grupos de apoio e outros projetos que ofereçam o serviço gratuitamente.

Publicada em 16/5/2017 às 21h57.



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