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Abaixo-assinado pede fim das carroças puxadas por animais em Araraquara

Por: BEATRIZ FLÓRIO PEREIRA

25/06/2016

Circula pela internet um abaixo-assinado que pretende acabar com as carroças urbanas puxadas por animais em Araraquara. Criado há dois meses, o documento tem como meta conseguir cinco mil assinaturas para ser entregue à Câmara Municipal da cidade e pressionar a criação de um projeto de lei sobre o assunto – no final de junho já havia 3.785 assinaturas.

O abaixo-assinado é iniciativa de uma protetora de animais e ganhou o apoio de ONGs e grupos de defesa animal, que defendem o fim das carroças pelo bem-estar dos equinos.

Para o protetor de animais Renan Lusnick de Ponte, 26 anos, que há seis atua pela causa, o uso de animais em carroças deve ficar no passado. “O uso de animais em carroças é algo pré-histórico, do tempo dos nossos avós e muito antes”, opina. “É grande o sofrimento causado aos animais, que muitas vezes são levados à exaustão, caem de dor. Muitas vezes sem passar por um veterinário adequado, sem passar pela ferragem adequada, levando o animal ao cansaço extremo, a feridas severas na pele e cascos descascados, queimados”, diz.

Segundo Ponte, Araraquara tem hoje cerca de 400 carroças e, caso aprovado o projeto de lei, os animais usados para puxá-las seriam aposentados do trabalho. Se as famílias tiverem condições, poderão ficar com os animais, desde que não os utilizem para o trabalho. Caso contrário, eles seriam recolhidos e mantidos com a ajuda de doações. Para a eficácia da proibição, fiscalização rigorosa por parte do município e de protetores sérios. Além disso, haveria um período de cerca de um ano para a adaptação das famílias que utilizam as carroças para trabalho.

O protetor de animais sugere a capacitação profissional como alternativa. “Não só o carroceiro, mas a sua família toda pode ser levada a cursos que Araraquara oferece, como corte e costura, pedreiro, alvenaria, serralheria. Todos esses cursos, o município dispõe através do Cras [Centro de Referência em Assistência Social], bem como também alguns programas do Fundo Social de Solidariedade”, explica Lusnick.

O carroceiro Bento Boner, 64 anos, que há 45 utiliza carroça puxada por animais como ferramenta de trabalho e sustento no bairro Águas do Paiol, em Araraquara, vê o abaixo-assinado com preocupação. Ele possui cadastro no Ministério do Meio Ambiente, tem seis cavalos e realiza o revezamento dos animais. “Eles deveriam ver só quem usa um único cavalo durante o dia todo de trabalho. Concordo com uma lei que fiscalize, mas não acabar com o uso dos cavalos de uma hora para outra. Trabalho há anos com isso e, se acabar a carroça, como vou trabalhar? Vou ser mais um desempregado nessa crise. Concordo com a proibição de carroças no Centro, mas não nos bairros”, declara.

(Publicado em 3/7/2016 - 12h03)

 



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