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Música independente cresce com a facilidade de acesso às mídias e equipamentos

Por: RODOLPHO HENRIQUE CARDOSO

15/06/2016

A música independente tem crescido nos últimos anos. Seja por sua popularização através dos meios de comunicação instantâneos como as redes sociais, ou por sua capacidade de acomodar artistas que não tenham a chance ou optam por não assinarem com gravadoras. A divulgação se dá por meio de plataformas de vídeo e áudio na rede, como o Youtube e o Soundcloud, serviços gratuitos e de grande acesso, possibilitando a artistas, do mundo todo, a conexão com seu público.

“Pelo que percebo, houve um aumento da produção independente, devido à popularização de equipamentos para estúdios caseiros, praticamente todos os músicos hoje têm seu quartinho transformado num estúdio de gravação, mesmo que muito precário”, aponta Elio Floriano, Diretor da Divisão de Eventos da Casa da Cultura de Matão (SP).

“Hoje, se você tem um computador, uma placa de áudio e um microfone razoável, você mesmo faz suas gravações. [Existem] softwares para gravação que te oferecem uma biblioteca enorme de samples de bateria, de pianos, sintetizadores, recursos para a voz, dicas de mixagem e masterização”, completa.

A Casa da Cultura de Matão realiza todo mês a “Sexta básica”, que consiste em apresentações remuneradas de músicos locais toda ultima sexta-feira do mês, o que funciona, também, como incentivo ao crescimento da cultura musical na cidade.

Além da “Sexta básica”, a Casa da Cultura oferece Oficinas na área da música, como: orquestra de violões, violão popular, teclado, orquestra municipal de concerto, musicalização infantil e canto coral. As atividades são gratuitas e, no final do ano, contam com apresentação dos participantes para exposição do resultado das oficinas.

HAZES

O lançamento independente, “Noise”, é um projeto de Hazes, pseudônimo de Pedro Souza, cantor e compositor gaúcho. O contato de Hazes com a música começou desde cedo. “Ganhei um pianinho da minha família aos 2 anos e desde então me interessei por instrumentos musicais”, diz.( Confira abaixo entrevisa que o artista concedeu à AGEUNIARA em 10/06/2016).

Antes de chegar ao projeto “Noise”, Hazes afirma que participou de algumas bandas durante a adolescência, mas muitas não passaram da "fase de garagem". “Eu sempre acabava ficando um pouco frustrado com isso, por isso resolvi dar continuidade como artista solo”, completa.

Segundo o cantor independente, o projeto tem como mensagem principal “fazer barulho”, como sugere o nome “Noise” (barulho, ruído, em inglês). “ Fazer barulho, no sentido de que não devemos ficar em silêncio diante de preconceito e opressão. Temos que mostrar ao mundo quem realmente somos, seja gay, bi, trans, e as pessoas precisam aprender a respeitar isso”.

“Noise” conta com cinco faixas: “Foreign Land”, “Heavy Crown”, “Soul 2 Stone”, “Forbidden Lover” e “Body Parts”. Sobre o processo de criação do material, Hazes diz: “Cada música teve um processo um pouco diferente. Mas, no geral, eu penso em algum assunto sobre o qual eu gostaria de falar, pego meu violão ou meu teclado e vou experimentando acordes e melodias. Depois disso, eu geralmente produzo uma demo para testar alguns beats e sintetizadores para então ir ao estúdio gravar a versão final”.

O projeto durou, aproximadamente, mais de um ano. Sobre a divulgação através das redes sociais, Hazes diz: “acho que as redes sociais mudaram completamente o relacionamento entre artistas e fãs para melhor. Hoje, podemos ter um contato muito mais próximo, trocar ideias através de mensagens e tweets, coisa que antigamente não tínhamos, o artista era uma pessoa quase inatingível”. “Gosto de me sentir próximo das pessoas que curtem o meu trabalho, pois elas são uma parte importantíssima dele, são nelas que eu me inspiro para dar continuidade”, afirma.

Confira os principais pontos da entrevista que Hazes concedeu à AGEUNIARA:

AGEUNIARA - Quando você descobriu seu talento, seu amor pela música?

Hazes: Ganhei um pianinho da minha família aos 2 anos e, desde então, me interessei por instrumentos musicais. Atualmente toco piano, violão e baixo. Minha mãe ouvia muito ABBA e meu pai ouvia muito Pink Floyd, então acabei crescendo com essas duas influências [...].

AGEUNIARA - Qual foi a inspiração por trás do nome Hazes?

Hazes: O nomes “Hazes” veio de uma forma espontânea, enquanto o projeto ainda estava no papel. Precisei de um tempo para decidir exatamente a direção que eu queria tomar, qual sonoridade e imagem me representam verdadeiramente enquanto artista, e esse nome veio durante esse processo. No dicionário, "Haze" pode significar “poeira atmosférica” ou, até mesmo, “pensamentos confusos”, então eu achei bacana e acabei adotando o pseudônimo.

AGEUNIARA - Há quanto tempo você já atua no cenário musical?

Hazes: Eu participei de algumas bandas na minha adolescência, mas muitas delas nunca saíram daquela "fase de garagem", e eu sempre acabava ficando um pouco frustrado com isso, por isso resolvi tentar dar continuidade como artista solo. Lancei meu primeiro EP em 2014, chamado Canvas, enquanto ainda assinava como Pe Souza.

AGEUNIARA - Sobre "Noise", qual a mensagem do projeto de cinco faixas?

Hazes: A principal mensagem do Noise, como o nome sugere, é a de fazer barulho, no sentido de que não devemos ficar em silêncio diante de preconceito e opressão. Temos que mostrar ao mundo quem realmente somos (seja gay, bi, trans...) e as pessoas precisam aprender a respeitar isso. As letras batem muito nessa tecla de uma forma, às vezes, até bem direta.

AGEUNIARA - Como tem sido a repercussão do público acerca do EP?

Hazes: Eu estou bastante satisfeito, tendo em vista que o projeto está bem no começo. Tenho recebido mensagens no Facebook de pessoas elogiando e se sentindo representadas, e isso é o que realmente importa para mim.

AGEUNIARA - Você vê os meios de comunicação como ferramentas importantes para a divulgação do trabalho artístico hoje? De que forma?

Hazes: Eu acho que as redes sociais mudaram completamente o relacionamento entre artistas e fãs para melhor. Hoje, podemos ter um contato muito mais próximo, trocar ideias através de mensagens e tweets - coisa que antigamente não tínhamos, o artista era uma pessoa quase inatingível nesse sentido. Gosto de me sentir próximo das pessoas que curtem o meu trabalho, pois elas são uma parte importantíssima dele, são nelas que eu me inspiro pra dar continuidade.

AGEUNIARA - Quanto tempo levou para que Noise fosse finalizado?

Hazes: Bom, se considerarmos o processo de composição das músicas, mais de um ano. Soul 2 Stone, por exemplo, foi escrita na metade do ano passado. Mas uma vez que eu já tinha todas as músicas escritas e selecionadas pro EP, o processo de produção e gravação das músicas durou no máximo dois meses.

(Entrevista concedida em 10/6/2016).

Publicada em 15/06/2016 às 19h49.



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