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Pessoas com deficiência podem frequentar cursos de qualificação

Por: KALINKA BACACICCI

20/05/2016

Na segunda feira, 16 de maio, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Participação Popular e o Ceproara (Centro Profissionalizante de Araraquara), abriram inscrições para 27 cursos técnicos voltados a pessoas com deficiência. As inscrições podem ser feitas por maiores de 16 anos e vão até o dia 25 deste mês. 

Os interessados, ou os parentes que os representem, devem levar os documentos originais e cópias do RG, CPF, cartão SUS, comprovante de endereço, carteira de trabalho, comprovante de renda, laudo médico com descrição (CIF ou CID) e histórico escolar. O local de atendimento é o térreo da Prefeitura de Araraquara, nos guichês 19 e 20, localizada à Rua São Bento, nº 840, no Centro de Araraquara. O horário de atendimento é das 12h15 às 17h45.

Serão oferecidos, dentre outros, cursos de Almoxarife & Logística; Auto CAD; Eletricidade Básica; Inventor, Leitura e Interpretação de Desenho; Metrologia (Controle de Medidas); Solda Industrial; Bombeiro Civil; Brigada de Incêndio;  Gestão e Supervisão em Altura; Instrutor de Trabalho Em Altura Nr 1017; Operador de Empilhadeira; Operador de Guindaste; Operador de Guindauto "Munk" 20; Operador de Pá Carregadeira; Operador de Retroescavadeira; Operador de Ponte Rolante; Resgate em Altura; Salva Vidas de Piscina; Trabalho em Altura; Contabilidade; Departamento Pessoal; Escrita Fiscal; Libras; Técnico em Prótese Dentária e Técnico de Segurança do Trabalho.

Márcia Ferreira Lucas, administradora com pós-graduação em direito trabalhista, administrativo e legal da pessoa com deficiência e assessora da prefeitura de Araraquara,  explica que as aulas seguirão os mesmos moldes do SENAI. A empresa interessada em admitir funcionários com deficiência contrata a Ceproara para treiná-los.  O curso é oferecido no espaço e com os professores da escola. As pessoas deficientes que já fizeram a inscrição na prefeitura terão prioridade nestas turmas.

Segundo Márcia, por ora a prefeitura possui parceria apenas com a Ceproara, mas deseja que algumas faculdades também se unam à causa, para maior qualificação de deficientes. A ideia do curso é a qualificação para quaisquer deficientes que não tenham comprometimento intelectual grave  (pois neste caso, não teriam como acompanhar nem serem alfabetizados).

Marcia lembra também que a Lei de Cotas Trabalhistas (nº 8.213/91) é o principal instrumento para inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. O artigo 93 desta lei diz que a empresa com cem ou mais funcionários está obrigada a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência, habilitadas. A prefeitura ainda precisa cumprir esta cota.

A assessora Márcia explica que deficiência é uma perda que pode ser visual, auditiva, intelectual, física, deficiência física invisível, como a cardiopatia grave e outras doenças do coração que limitam o que uma pessoa normal pode fazer.

Trabalho voluntário

Sérgio Debonse, deficiente com paralisia infantil, trabalha em uma rede de supermercados e não sabia sobre as vagas para os cursos. A rede mantém convênio com a  União dos Deficientes Físicos de Araraquara, pelo qual outras vinte pessoas deficientes atuam na área de administração do estacionamento da loja.

Sérgio menciona que, quando era mais novo, as oportunidades eram muito mais difíceis, tanto na área de trabalho quanto na área de estudo. Explica que fez vários cursos técnicos mas o que mais abriu oportunidades foi o de técnico de segurança no trabalho. Chegou a iniciar um curso de agrimensura mas não chegou a concluir. Conta também que antigamente não havia a cota de contratação para deficientes nas empresas, mas que, apesar da dificuldade, nunca ficou sem serviço.

Sérgio conta que os deficientes que trabalham no estacionamento não recebem um salário, apenas uma ajuda de custo para o transporte pois o  trabalho é voluntário. O restante vai para a entidade, onde os deficientes contam com médicos, dentista, advogado, fisioterapeutas. O trabaho, explica, acaba sendo um programa de terapia ocupacional.

Novas perspectivas

Reginaldo Testae, com 32 anos, está cursando o primeiro ano do ensino médio e se inscreveu no curso de qualificação, na Prefeitura. Sua motivação para é a busca de melhor oportunidade no mercado de trabalho. Testae sofreu um acidente de trem e perdeu um membro há quatro anos. Após readaptação,  agora aceita seu estado atual. As dificuldades enfrentadas por Reginaldo para o emprego estão na falta de qualificação e maior escolaridade. Depois de escutar sobre os cursos na televisão foi procurar por mais informações. Ele já possui os cursos técnicos de elétrica e hidráulica, feitos antes do acidente. Porém, agora não consegue mais subir e descer escada, então procura por algo mais fácil.

As expectativas são terminar e fazer outros cursos. “Dez em um” ele fala, brincando. Pois, "quando se manda os currículos se você não se encaixa em uma área que não tem vaga, pode se encaixar em outro com o outro curso, até conseguir um trabalho", espera Testae. Ele admite já ter sofrido bullying, mas pensa que às vezes é mais feliz que uma pessoa com os dois pés. E brinca com o fato de o deficiente ter mais vantagens para tirar carro zero com desconto e e não pagar IPVA. E conclui dizendo que, antes do acidente, só fez dois cursos na vida e trabalhava como queria. Agora voltou a estudar e sentiu vontade de viver e de crescer, de fazer parte da sociedade e fazer amizades.

(Publicado em 20/5/2016 - 20h48)



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