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Bullying: pesquisadora de Araraquara fala sobre o fenômeno e sua prevenção

Por: TAISA MARIA FONTANA

18/11/2015

Atualmente muito se fala sobre o bullying, mas pouco se sabe o que de  fato é. Além disso, muitos podem estar sendo vítimas dele sem, ao menos, saber. Uma vez que ele não escolhe idade, cor, ambiente, sexo ou qualquer outra condição, o que faz com que qualquer pessoa possa estar suscetível a ele. 

Em entrevista com a Profª Ms. Juliana Munaretti de Oliveira Barbieri, de Araraquara (SP), ela conta que atua como palestrante sobre bullying e mobbing em escolas e empresas, com o objetivo de conscientizar o maior número de pessoas a respeito do tema, oferecendo meios de identificar, prevenir, combater e minimizar possíveis casos nos mais variados ambientes.

Autora do livro "Bullying: conhecimento é a melhor forma de prevenir", lançado em 2013, ela explica que o Bullying é uma palavra inglesa, uma forma de gerúndio, usada para definir um fenômeno, cujo autor é chamado de Bully, palavra esta que se traduz como “brigão” e “valentão”. "No Brasil, tratando-se de um assunto recentemente abordado, não há registros de tradução desta palavra, que designa um fenômeno inteiramente ligado às várias ações maldosas sucedidas no espaço escolar", observa. 

A Literatura define esse fenômeno enquanto certas ações ocorridas em conjunto e/ou isoladas e, em Língua Portuguesa, para expressar as idéias de intimidação repetida, humilhação, agressão, ofensa, gozação, emprego de apelidos, assédio, perseguição, ignoração, isolamento, exclusão, discriminação, sofrimento, aterrorização, amedrontamento, tirania, dominação, empurrão, violência física, quebra e roubo de pertences daqueles que são vítimas de bullying. 

De acordo com Juliana, qualquer pessoa que não consegue se defender pode sofrer bullying, por falta de conhecimento a despeito do bullying, "porque a violência expressa pelo bullying é um problema mundial e indeterminado de cultura ou sociedade e, está presente tanto em instituições de ensino, quanto no ambiente de trabalho, pois este fenômeno atinge pessoas de todas as idades, classes sociais, etnias e lugares", explica.

"Os autores de bullying vitimizam pessoas que têm alguma característica que sirva de foco para suas agressões, como, por exemplo, baixa estatura, obesidade, crença, condição financeira, expressões regionais. Desta forma, bullying se apresenta como um fenômeno que expressa uma das muitas formas de violência, sem um motivo aparente, de forma covarde, porque é intencional, apresentando-se numa relação desequilibrada, a fim de tirar a paz de suas vítimas predestinadas e que, ainda, quando não causa seqüelas físicas, pode ter conseqüências psicológicas ou emocionais", conta.

Para a professora só é possível prevenir e evitar, com conhecimento a respeito do fenômeno. "O meu objetivo é conscientizar o maior número de pessoas a respeito do tema, oferecendo meios de identificar, prevenir, combater e minimizar possíveis casos nos mais variados ambientes, pois o fenômeno está presente em todos os lugares, com pessoas vulneráveis, de todas as idades, de todas as etnias, classes econômicas, crenças, porque suas ações são covardes, intencionais e causam sequelas muitas vezes irreparáveis, como homicídio e suicídio", ressalta.

"Escrevi o livro Bullying: conhecimento é a melhor forma de prevenir, para que o leitor o use como um manual de conhecimento a respeito do Bullying, pois seus oito capítulos abordam, brevemente, o estudo do fenômeno no mundo, no Brasil, identificando os atores sociais que participam das ações maldosas tanto em escolas, quanto em empresas, bem como a legislação pertinente, o Projeto Desvendando e Prevenindo Bullying (de minha autoria, também), testemunhos e como combatê-lo a partir do conhecimento e da Palavra de Deus", informa. 

 "Por fim, a obra tem base científica em minha dissertação de mestrado, que segundo pesquisa na Capes e no CNPq, é o primeiro trabalho acadêmico publicado no Brasil sobre o tema", revela.

Juliana comprovou cientificamente que as vítimas não atuam em benefício próprio; elas não conseguem se defender. "Acredito, que seja preciso criar uma sociedade consciente a respeito de bullying e suas maléficas consequências, presentes em todos os ambientes frequentáveis (como instituições educacionais, ambiente de trabalho, igrejas, clubes, agremiações, etc), sobretudo, preparada para perceber situações impostas por este fenômeno e disposta a combatê-lo, mas para que isso aconteça, faz-se necessária a difusão do conhecimento e antecipação das situação-problema, buscando a prevenção, para que não seja necessária a punição dos indivíduos envolvidos em casos de bullying. Em 2012, foi aprovado o Projeto de lei 1494, que tipifica o bullying como crime de intimidação vexatória e acrescenta três artigos ao decreto-lei 2.848/1940", orienta. 

"Porém, como vivemos numa sociedade que é ignorante quanto a seriedade que o fenômeno bullying requer, então, aplique-se a lei, no caso de punição. A grande questão que enxergo aqui está numa parcela da sociedade, que não questiona, não lê e que acredita na primeira informação que encontra na internet e em outra parcela, que compartilha e curte imagens de cyberbullying, como se a rede mundial de computadores fosse uma 'terra de ninguém'", fala.

Programa

Sobre o Programa de Combate à Violência Sistêmica , o Projeto de lei nº 5.369-F, de proposição do deputado Vieira da Cunha (PDT/RS), em 2009,  passou pela análise do Senado e foi aprovado pela Câmara, neste ano, e sancionado pela Presidente Dilma Rousseff (PT) no último dia 9/11, instituindo o Programa de Combate ao Bullying. "Acredito que tanto a lei, quanto o programa de combate vêm apoiar legalmente as ações dos que, verdadeiramente, buscam prevenir, conscientizar, minimizar e combater o bullying, nos mais variados ambientes" finaliza.

Jovens de Araraquara contam experiências

A maquiadora Laísa Magalhães, 27 anos, conta que na escola era chamada de baleia e orca cor de rosa, e um dia para se vingar, bateu na menina que havia lhe ofendindo. "Na época que estudava não tinha esse nome 'bullying'", relata Laísa. A atendente Narjhara Bueno, 25 anos, conta que também era alvo de xingamentos. "Fui chamada de encosto por não me acharem bonita" desabafa. Já o estudante Gabriel Rodrigues, 24 anos, acredita que tinham inveja dele, por ter olhos azuis. "Eu tinha muita espinha interna na testa, me chamavam de tsunami, branquelo aguado e olho de vidro, mas para revidar eu também colocava apelido em todo mundo, não ficava por baixo", lembra.  

Publicada em 18/11/2015 e 20h28.



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