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UNIARA

Ageuniara

Terceirização: gera empregos ou precariza relações de trabalho?

Por: TAISA MARIA FONTANA

02/05/2015

O Supervisor do Ministerio do Trabalho e Emprego (MTE), de Araraquara(SP) Antonio Geraldo Guimarães, declarou, nesta semana, que “a terceirização só será benéfica para o trabalhador, se houver uma fiscalização seria em cima da contratada nas ações judiciais e trabalhistas, e a contratante ser solidaria junto a contratada. Quanto a integração dos terceirizados com os funcionários da empresa, depende muito de uma boa administração do orgão gestor”. As declarações de Guimarães referem-se sobre o atual debate no Congresso Nacional, de se terceirizar as atividades fim.

Da mesma forma, para o  pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF) Reinaldo Ramos, em entrevista à Ageuniara, “o beneficio, basicamente, é para o empresário, sobretudo para os grandes empresários, porque você torna as relações trabalhistas frágeis, de tal maneira que ele pode minimizar as despesas com o pessoal , e maximizar o lucro, o raciocínio curto é o que me parece” salientou.

Ao ser questionado se a terceirização tem como vantagem gerar mais empregos o pesquisador declarou que “é um dado que depende muito da conjuntura econômica, se a gente estiver num ciclo de aumento de consumo, encaminha para um ciclo de aumento da produção e temos aí uma fase de prosperidade na economia, ainda que dentro de um quadro de empregos terceirizado, pode ter um crescimento na economia, mas eu não colocaria na tercerização um fator para deflagraração desse processo", disse .

"Eu acredito que é muito mais conjuntural, do que estrutural, os problemas estruturais da economia brasileira nunca foram resolvidos, que tem muito mais a ver com qualificação da mão de obra, e aumento de salários, enquanto a  gente não passar por esses processos difícilmente a gente vai conseguir entrar num processo realmente saudável de crescimento da economia, com segurança no emprego e com estabilidade para o trabalhador, e para as empresas também, boa parte do que a gente tem de ruim na nossa economia, se deve muito mais ao medo dos empresários que são calejados pelas sucessivas crises econômicas e, também do conservadorismo econômico de querer apostar muito mais em relações ruins do ponto de vista do emprego, do que apostar no crescimento do país a partir do processo de trabalho, como sendo uma das molas mestres do desenvolvimento do pais, a relações solidas de trabalho são boas para o desenvolvimento do país e não o contrario”, afirmou.

De acordo com ele a terceirização precariza as relações de trabalho. “Realmente o trabalhador terceirizado não tem o sentimento de pertencimento, as empresas as quais ele é alocado, você vê que as relações se tornam muito mais fluidas, dentro daquele quadro que o sociólogo Baumam define como 'os tempos líquidos', onde as relações não se mantém por tempo suficiente, onde a insegurança é aquilo que estabelece a orientação da maioria das relações entre pessoas, entre instituições e empresas, praticamente todos os tipos de relações, e aquilo que o sociólogo historiador Richard Sennett chama de 'corrosão do caráter', que é você não vê mais no futuro a existência de uma carreira, você tem empregos voláteis, temporários e na verdade para a massa de trabalhadores o que vai passar a importar cada vez mais é se salvar, é o máximo da individualização isso também significa enfraquecimento dos sindicatos”, ressaltou.

Ainda,de acordo com Ramos, regularizar o trabalho terceirizado, não é para pensar no bem comum, nem para melhorar a relação entre empregados e empregadores, é para maximar lucros, diminuir despesas e, é uma onda internacional de precarizazão das relações de trabalho. " Isso não é uma exclusividade no Brasil, só que no Brasil isso acontece de maneira mais galopante, porque as pressões dos grupos empresariais  parecem exercer mais força sobre as relações trabalhistas, e a gente está num quadro de muita dificuldade nas relações entre os três poderes da esfera da união, então acho que grupos empresariais com grande interesse na terceirização, tem sabido pressionar muito bem o congresso, para obter os beneficios que lhe são oportunos e interessantes”, finalizou.

Terceirização

A terceirização não é uma prática nova no mundo. Sabe-se que era praticada desde a era Feudal. A divisão de terras, as divisões exercidas entre os senhores feudais e seus vassalos podem ser vistas como um processo de terceirização de serviços. Em seu sentido estrito, esta prática é vista em todas as épocas e formas de produção, mas se tornou lucrável a partir da ascensão do capitalismo, que pressupõe a venda da força de trabalho dos funcionários em troca de remuneração.

A terceirização é o processo de uma empresa passar a outros, atividades que não são essenciais ao seu funcionamento, ou seja, que não são parte de suas atividades-fim. Facilidade e velocidade de informação são as maiores motivadoras para a busca pela terceirização, pode agilizar e direcionar as atividades empresariais, como também, da diminuição de custos promovida pela terceirização. Esta provém, entre outras coisas, do fato de as empresas delegarem a terceiros, funções que ela não é especializada, delegando a especialistas, funções menos importantes.

Além da diminuição dos custos, as organizações podem voltar seus esforços para desempenhar, com o máximo de excelência, suas atividades-fim. Podem ser dispensados funcionários que não servem aos objetivos finais das empresas, para, se necessário, contratar outros que aumentem o desempenho organizacional.

Os profissionais que estão executando essas atividades acabam sendo discriminados dentro da organização, sendo obrigados a conviver com a discriminação.

Os funcionários das empresas terceirizadas não podem nem sequer passar por treinamentos previstos aos outros colaboradores da empresa e, não são reconhecidos pelo seu trabalho.

O pagamento dos direitos trabalhistas também não é sempre cumprido pelas contratadas, principalmente porque são empresas menores, de fiscalização mais complexa.

Fontes: site wikipedia.com e www.administradores.com.br

Publicada em 06/05/2015 às 19h27.



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