Ageuniara

Escultor de plantas dedida a vida ao Jardim da Fama

Por: JOICE RODRIGUES DEVITE

24/04/2015

O jardineiro Antônio Guica de Souza Junior, ou simplesmente, Guica, como é conhecido, tem 67 anos e dedica sua vida a dar formas a plantas vivas utilizando tesouras e maquinários. Com essas ferramentas vem construindo o Jardim da Fama na praça Santa Luzia, ponto turístico de Bocaina/SP.

A alusão à Calçada da Fama de Hollywood, nos EUA, surgiu com a vontade de fazer um trabalho diferente nos jardins comuns em que estava habituado a trabalhar como jardineiro. Sempre com base em fotos, a primeira obra, concluida no dia 19 de abril de 2000, foi o rosto do cantor Roberto Carlos.

Hoje, 15 anos depois, o jardim conta com esculturas que lembram o cantor Daniel, o piloto Ayrton Senna, o futebolista Pelé e o cantor Elvis Presley, além das imagens de Nossa Senhora Aparecida, da bandeira do Brasil, de dinossauros, aviões e desenhos que ilustram fatos marcantes, como o atentado de 11 de setembro, em Nova York, e o penta campeonato de futebol do Brasil, na Copa do Mundo.

“A escolha do que vai ser retratado é minha, mas eu prezo pela unanimidade; faço coisas que todo mundo gosta”, explica o topiarista. Apesar do trabalho corrido, o jardineiro já planeja fazer os rostos de Sílvio Santos, Michael Jackson e dos Beatles em breve.

Esse tipo de arte, chamada topiaria, é muito antiga.  Data de cerca de 500 anos a.C.  nos Jardins Suspensos da Babilônia; espalhando-se na idade média por toda a Europa em templos e castelos da época.

Hoje mundialmente conhecida devido aos jardins dos parques da Disney, nos Estados Unidos, a topiaria é uma técnica avançada de jardinagem que tem por objetivo dar formas esculturais às plantas, exigindo muita paciência e detalhismo. Um grande exemplo dessas obras aparece no filme Edward Scissorhands (Edward Mãos de Tesoura), dirigido por Tim Burton em 1990, em que o personagem Edward (Johnny Depp) executava essa arte no jardim da mansão onde morava.

Emprega-se na topiaria uma grande variedade de plantas. Guica utiliza em sua arte as espécies legustine branco e verde e pingo de ouro. O começo é sempre um morro com terra, onde traça a imagem com um pedaço de madeira e contorna com tijolinhos. A partir dai, planta em média duas mil mudas e com cortes e podas dá forma às figuras. 

Autodidata, Guica acredita que esse tipo de obra é algo ímpar e sua habilidade foi um presente divino. “Isso é um dom recebido, porque é algo que não se ensina de uma hora para outra, se aprende na prática, aperfeiçoando dia a dia, e nem todos conseguem”, diz ele.

Mas a vontade de encontrar um sucessor ou mais apoio é grande. “É um trabalho que não permite descanso e os jovens não têm interesse. Eu gostaria de ter mais apoio das pessoas ou mesmo da prefeitura, porque a falta de ajuda acaba, muitas vezes, prejudicando a beleza do meu trabalho. Se eu tivesse mais apoio faria um trabalho bem melhor, mas infelizmente não é assim e sozinho não é possível”, lamenta o artista.

(Publicado em 6/5/2015 - 14h48)

 

 

 

 



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