Ageuniara

Especialista fala sobre as transformações e impactos da era digital

Por: TAISA MARIA FONTANA

15/04/2015

A Internet, as Redes Sociais, a mobilidade total e as novas tecnologias transformaram as pessoas em seres dependentes tecnológicos. São consumidores ansiosos de conteúdo, de todos os tipos e em todas as formas. Antigamente, haviam mecanismos que proporcionavam buscar esses conteúdos, mas agora eles chegam até os usuários da rede por todos os lados, e sem pedir licença.

Essa transformação vem da fusão dos mundos real e virtual. Com a Internet invadindo o dia a dia, através dos dispositivos, hoje podendo ser acessados como apenas um toque e as Redes Sociais,as pessoas estão submetidas 24 horas por dia a uma infinidade de conteúdo excelente, às vezes,mais interessantes do que a realidade que as cercam.

O mundo virtual não necessariamente tem que estar conectado com o mundo real, muitas vezes ele parece ser melhor e mais interessante do que a dura realidade em que vivem as pessoas. São novas demandas, novos interesses, e influenciadores do cotidiano, onde os internautas de um lado para outro, descobrem coisas novas o tempo todo.

Nos Estados Unidos, há cerca de cinco anos, tem se investido numa pesquisa de uma espécie de pássaro chamado pardal-de-coroa-branca que tem a incrível capacidade de permanecer acordado por até sete dias consecutivos. Isso ocorre no outono, quando eles voam do Alasca até a Califórnia. Durante essas migrações, esses pardais voam a noite e procuram por alimento de dia, sem descansar e dormir.

Os pesquisadores têm investigado a atividade cerebral desses pássaros, durante esses longos períodos de vigília, com a expectativa de obter conhecimentos aplicáveis aos seres humanos, e descobrir como as pessoas poderiam ficar sem dormir e funcionar produtiva e eficientemente. O objetivo inicial é a criação do soldado sem sono, ou seja, desenvolver métodos que permitam um combatente ficar sem dormir por pelo menos sete dias e, no longo prazo, duplicar esse período, preservando altos níveis de desempenho mental e físico.
 
O especialista em Mídias Digitais, professor Samuel Gatti Robles, acredita que irão inovar ainda mais com as tecnologias vestíveis (produtos que ficam vinculados ao corpo humano durante um período de tempo para coleta ou transmissão de dados, precisam conter circuitos, conectividade wireless e capacidade de processamento.) e outras tecnologias que ainda são inimagináveis.  "A tendência cada vez mais é a tecnologia ser aprimorada e a gente poderá sim vestir e ou usar próximo ao corpo cada vez mais equipamentos menores e com mais funções, prova disso é a Apple,que lançou um dispositivo que vendeu 1 milhão, com muitas critícas, mas com várias inovações. Então, haverá uma evolução e essas empresas estarão de olho e interessadas para tornar esses dispositivos cada vez menores e melhores", prevê Robles, que também é docente do curso de Publicidade e Propaganda do Centro Universitário de Araraquara(UNIARA).

Os usuários on-line estão o tempo todo conectados, atentos, consumindo conteúdo e se relacionando com pessoas, muitos, inclusive, 24 horas, e que dizem que todo esse tempo não está sendo mais suficiente devido ao mundo virtual. "O dia de 24h está realmente apertado para gente, mas porque nós mesmos que criamos essa demanda a gente vai introduzindo na agenda mais atribuições, e com certeza os dias acabam ficando menores e a gente não consegue dar conta de tudo", ressalta.

No mundo atual, já dizem que “dormir é para os fracos”, porém é dormindo, o único momento em que realmente as pessoas não estão conectadas.  "Dormir é muito mais que um descanso, é o momento em que o corpo realiza operações essenciais que são vitais para que a gente seja produtivo ao longo do dia. Não sei até que ponto a ciência pode evoluir a ponto de entregar um ser humano que não dorme ou que durma menos, é claro que a gente vê evoluções em menor escala, com vitaminas que dão mais energia, mas talvez tem energia para você ter um gás a mais, mas acredito que em algum momento o sono estará acumulado e você precisará dormir, então não sei até que ponto a evolução pode chegar e dizer:  não precisamos mais de dormir”, observa.

 A distinção entre vida pessoal e profissional está desaparecendo e o horário do expediente é algo que já não faz mais sentido, pois responde-se um e-mail de trabalho dentro do cinema, checam-se a programação do cinema e compram-se os ingressos dentro do escritório, a casa, às vezes, é o escritório. Devido a esta nova realidade, as pessoas correm o risco de se transformarem  em trabalhadores 24 horas por dia, diante da ausência da divisão entre vida real e virtual.

"Hoje as coisas estão muito misturadas, algumas empresas mais descoladas permitem que alguns funcionários tirem um tempo para projetos pessoais, para voluntariado. Em empresas como Google, isso no escritório de São Paulo, não é tão evidente, mas na sede do Google na Califórnia isso é evidente. Você tem diversos restaurantes, pode comer onde quiser, deixar teu carro para lavar, levar teu cachorro para passear, então as empresas estão tornando seus ambientes mais com cara de lar, de casa. Há uma fusão dessas misturas com essas coisas, eu acho que está havendo uma confusão, as empresas têm estimulado também o teu trabalho fora do local de trabalho, muitas empresas estão dando até smartphone para que o funcionário esteja com essa colera virtual, 24 horas ligado as demandas da própria empresa", analisa.

Os benefícios dessa conectividade que a revolução tecnológica trouxe na vida das pessoas, também podem ser maléficas. "De modo geral, eu acho que a tecnologia traz muito benefícios para a gente, temos muitos recursos que facilitam nossas vidas, como, por exemplo, a informação hoje tem aplicativo que dá informações do seu interesse ele sabe quais são seus interesses e traz todo dia tudo que você precisa, além de GPS. Antes para a gente se locomover, numa cidade estranha, precisava de mapa, de papel, hoje com o GPS ele te leva ao lugar exato que você quer ir, então a aplicativos que solucionam muito problemas que no passado eram evidentes, hoje não se percebe como um problema" salienta.

"Mas por outro lado, essa necessidade pela tecnologia acabou gerando uma paranóia. As pessoas ficam ligadas o tempo todo plugadas. Um exemplo meu, sou muito adepto a tecnologia, então tudo que é novidade eu baixo, eu uso, eu peço e compartilho, mas isso gera em mim certa angústia, antes de dormir estou com meu iphad, quando acordo a primeira coisa que eu olho é todas as notificações da noite, então vejamos a dependência que isso gera em nós", lamenta.

Pesquisa

Um levantamento realizado pela ATKearney, consultora de negócios, revelou um dado surpreendente: o Brasil é o país com o maior número de pessoas viciadas em internet no mundo. As informações são do Quartz.

De acordo com a pesquisa, pelo menos 71% dos entrevistados acessava a internet pelo menos uma vez por hora no Brasil. O levantamento também comprovou que 20% dos internautas do País afirmaram que usam a internet mais de 10 vezes por dia.

Além disso, 51% dos brasileiros diz que podem ser encontrados conectados o dia todo. Essa taxa é duas vezes maior que a média global, que é de 28%. 

Fonte: Site R7.com

Araraquara

Em entrevista realizada nas ruas com as pessoas de Araraquara(SP), literalmente, esse vício é notável. Em todos os lugares as pessoas ficam conectadas, a maioria se consideravam viciados em mensagens instantâneas e redes sociais. Na pesquisa, os entrevistados usaram expressões comuns a dependentes de álcool e drogas para descrever o que sentem quando precisam ficar sem esse tipo de conexão: “em abstinência”, “fissurado”, “muito ansioso”, “extremamente inquieto”, “em estado miserável”, “palpitante” , “louco” e até "como uma necessidade fisiologica". 

Publicada 15/4/2015 às 20h.



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