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Áreas de soltura ajudam na preservação de animais silvestres

Por: MARIA AUGUSTA ANDREATTI DE MORAES

25/02/2015

O contrabando de aves no país é relevante e manter animais em cativeiros ou domesticá-los se torna cada vez mais comum na sociedade, desse modo a reintegração do animal silvestre a seu habitat é uma tarefa difícil e necessária para preservar as espécies e manter o equilíbrio do ecossistema.

“Esses animais normalmente atropelados em rodovias, produtos do tráfico de animais silvestres ou vendidos como pet, são resgatados dentro de domicílios, já que as cidades estão tomando seu espaço, eles acabam procurando alimento e abrigo próximo das residências” explica o médico veterinário, Mário José Vieira Pedro, de Matão (SP).

Projetos como áreas de solturas, normalmente uma reserva florestal com grande extensão de mata ou menores áreas que tenham corredores de matas que se interligam, chamados de corredores de fauna, são desenvolvidos para tratar animais que necessitam de cuidados antes de serem devolvidos à natureza.

Em Matão, o projeto de Áreas de Soltura e Monitoramento de Fauna (ASM) da Cambuhy Agrícola Ltda, conveniado ao IBAMA e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, tem por objetivo oferecer uma área para recuperação, soltura e monitoramento para aves em propriedade rural. A ASM da Cambuhy pode receber somente animais de Centros de Triagem ou Zoológicos registrados sob autorização e supervisão do IBAMA ou da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e com os devidos laudos sanitários exigidos por lei.

Segundo o biólogo da ASM da Cambuhy, José Ricardo Falconi, não existe um “tempo de permanência” previamente determinado, pois cada animal ou espécie responde de forma diferente à recuperação. "A ave fica sob cuidados até que se recupere e tenha capacidade total de vôo. Quando todos os itens de recuperação estiverem terminados inicia o processo de liberação das aves", relata. Até o momento foram registradas na Cambuhy a ocorrência de 311 espécies de aves, o que representa 40% da comunidade de aves do estado de São Paulo.

As aves provenientes de apreensões estão sujeitas a um grande número de enfermidades, algumas inclusive por estresse. Assim os cuidados básicos são necessários para reverter os danos ao organismo das aves para que futuramente estas sejam soltas. Após o primeiro processo de triagem e medicação (se necessário), os manejos biológicos são desenvolvidos de acordo com o interesse ecológico e comportamental de cada espécie, formando pares, grupos de imaturos ou de adultos, ou isolados, para tentar reduzir perdas por brigas, por exemplo. Este manejo influenciará diretamente no sucesso pós-soltura.

Entre os itens requisitados, após a recuperação das aves e início do processo de soltura, estão a introdução de alimentos semelhantes aos encontrados na natureza (sementeira de capim, coquinhos, flores, frutos, etc.); a verificação individual para saber se estão anilhados, com todas as penas e musculaturas adequadas e acompanhamento nas primeiras horas. A janela do viveiro permanece aberta por mais cinco dias, para perceber se a ave sente necessidade de voltar, e depois é limpo e desinfetado.

"Eventualmente ocorre a morte de aves durante o processo de recuperação ou pós soltura, neste caso é retirada a anilha e se houver interesse envia-se para necropsia", complementa José Ricardo.

O monitoramento pós soltura é uma das fases mais importantes do trabalho, visa avaliar se as aves soltas estão se adaptando a vida livre, buscando alimentos disponíveis na natureza, criando seus filhotes, etc.

É importante salientar que a compra de animais silvestres, como papagaios, devem ser feitas mediante a nota fiscal e microchip que é uma numeração individual para cada animal. “Encontrando um animal silvestre atropelado ou onde quer que ele esteja, não tente capturá-lo, acione os Bombeiros ou a Policia Ambiental. A captura deve ser feita por pessoas capacitadas para sua segurança e a do próprio animal.”, adverte Mário José Vieira Pedro.

Publicado em 25/2/2015 às 20h55.



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