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Contra tudo e todos, skate evolui em Araraquara

Por: PEDRO JUNQUEIRA FRANCO DE CASTRO

05/11/2014

Apesar da falta de investimentos no esporte, é cada vez mais comum ver pessoas andando de skate nas pistas e nas ruas de Araraquara (SP). Hoje existem três pistas, localizadas na praça Scalamandré Sobrinho, na Vila Ferroviária; no Parque Ecológico Pinheirinho e no Jardim Iguatemi. No entanto, os praticantes alertam para a necessidade de melhorias e manutenção dessas áreas.

Para Gustavo Marchesoni, o Pig, 38 anos, que anda de skate desde os 11 anos e é proprietário de uma loja de artigos voltados à modalidade, quem ajudou a profissionalizar a prática na cidade foi o empresário Toshiro, dono da única loja de skate da sua época e que hoje não mora mais na cidade. “Foi ele quem trouxe o skate para a cidade. O esporte já era bastante praticado na capital e ele abriu a primeira loja aqui”.

O empresário chegou a patrocinar atletas da cidade, inclusive o próprio Pig, além de ter trazido grandes nomes da época para treinar na cidade. “Ele trazia gente como Bob Burnquist e Wilson Neguinho, que vinham para interagir com os skatistas daqui”.

O empresário acredita que entre 1998 e 2002 o skate decaiu na cidade, mas vem se fortalecendo nos últimos quatro anos e atraindo um público cada vez maior. “A cada dia surge mais gente, inclusive meninas que não andavam e começaram a praticar. Tem muitos skatistas da nova geração andando muito bem”.

Ele destaca ainda o incentivo dos pais para a prática do esporte. “Na minha época não era assim. Hoje em dia os pais até montam o skate para praticar com o filho. Já tem uma geração que andou de skate antes dessa e esse é um esporte que costuma passar de pai para filho”.

Acessibilidade 

Outro skatista da velha geração, Marco Antonio Berto, o Paneleiro, 51, anda desde 1976, quando o número de praticantes era muito menor. “Tínhamos um grupo de dois ou três por bairro e, no total, eram uns 30 skatistas que se reuniam sempre. Hoje a garotada tem mais oportunidade, o material esportivo é mais acessível, tem mais lojas de skate. Na minha época não tinha nenhuma”.

Hoje instrutor de skate em Araraquara, Paneleiro destaca as vantagens do esporte no desenvolvimento da coordenação motora das crianças. “Além disso, melhora o condicionamento físico. Quanto mais cedo a criança começar, mas facilidade terá”.

Ele destaca que, além do investimento inicial para adquirir o skate, que hoje custa em torno de R$ 200,00, dependendo da qualidade das peças, o aluno precisa ter humildade e dedicação se quiser se tornar profissional. “Assim como e todo esporte, as conquistas vêm com tempo e muito treino”.

Popularidade 

Skatista e proprietário de loja especializada, Rodrigo Berta, 28, acredita que hoje existem pelo menos 1.000 praticantes em Araraquara. “No país o skate já é o segundo esporte mais praticado, perdendo apenas para o futebol. Pesquisas apontam que são 4 milhões de praticantes”.

Uma queixa comum entre todos os entrevistados é o estado de conservação das pistas da cidade. Berta ressalta que as três pistas estão cheias de buracos, além de faltar iluminação e segurança. “A última reforma na pista da Ferroviária foi em 2007. Depois disso não fizeram mais nenhuma manutenção ou melhoria. O ideal é que tenha manutenção de seis em seis meses”.

Para o skatista, uma boa iluminação é essencial para se fazer as manobras e os buracos nas pistas vêm ocasionando quedas. “A roda trava no buraco e isso causa muitos acidentes. Só esse ano uns 13 skatistas precisaram ir para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento)”, diz. 

Na opinião do skatista, a secretaria municipal de Esportes deveria voltar seus olhos para o esporte e investir na modalidade. “Precisa de uma escolinha de skate para iniciar a molecada e de mais eventos e apoio da Prefeitura”, conclui.

Nova geração garante futuro do esporte

Wesley do Nascimento, o Curumim, tem 16 anos e começou a praticar o esporte aos 10 anos. Hoje, além de competir, usa o skate até para ir à escola. “Meu pai me incentivou, pois chegou a andar um pouco. Ele me deu o skate para brincar e não larguei mais”. Ele diz que já fez muitos amigos por causa do esporte. “O skate reúne a galera”.

Outro skatista da nova geração é Rodrigo D´Avila Ferreira, 9 anos, que começou a andar há dois anos. “Comecei tendo aulas com o Paneleiro e meu pai me incentiva bastante. Pretendo ser skatista profissional”, diz ele, que tem duas participações no Circuito Futuro da Nação, campeonato realizado na capital, além de ter conquistado dois campeonatos internos de um clube local. “No mês passado estive na pousada Hi Adventure em Floripa, na pista onde meu ídolo Pedro Barros treinava”, destaca.

O skatista de 16 anos, Nicolas Travassos, mais conhecido como Tzl, também sonha em se tornar profissional. Para ele, faltam campeonatos na cidade. “Se você quiser ser profissional tem que sair de Araraquara, disputar campeonatos fora”.

Ele ressalta que o skate não é um esporte difícil e, em sua opinião, qualquer um pode praticar. “Não tem manobra que você não consegue fazer. Se ficar insistindo, um dia você vai acertar”, conclui.

(Publicado em 05/11/2014 - 20h33).

 

 



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