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Escola Bento de Abreu de Santa Lúcia encara problemas com drogas e violência

Por: MILTON CERQUEIRA LEITE JUNIOR

25/10/2013

Alunos de ensino fundamental e médio de Santa Lúcia enfrentam dificuldades na hora de escolher uma instituição de ensino. A cidade oferece apenas uma escola para os estudantes da quinta séria do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio. Entretanto, a escola estadual Bento de Abreu apresenta sérios problemas com consumo de drogas e a violência dentro e ao redor da instituição.

Para muitos pais a alternativa é matricular os filhos em escolas de Américo Brasiliense e Araraquara. Somente no ano letivo de 2013, cerca de 130 estudantes optaram por instituições públicas e privadas destas cidades.

Relatos de alunos e ex-alunos reforçam a afirmativa de que grupos isolados consomem drogas dentro da escola, em lugares como corredores e banheiros. Para muitos pais, a insegurança contribui para aumentar o número de desistências na escola.

Matheus Gomes, estudante do primeiro ano do ensino médio, matriculado, atualmente, na Escola Estadual Prof. Joaquim Pinto Machado, no Jardim Imperial, em Araraquara, reconhece os problemas da antiga escola. “Eu nunca me senti ameaçado na Bento de Abreu, mas existem sim drogas e violência lá”, disse.

O estudante, de 15 anos, admite, porém, que o problema também existe ao redor da sua atual escola. “Na Imperial não tem violência, porém, muitos jovens de outras escolas consomem drogas nos arredores”, afirmou.

Segundo a mãe do estudante, Gilmara Cabral, sempre houve diálogo sobre o assunto. “Eu nunca tive problemas enquanto o Matheus frequentava a escola Bento de Abreu, mas tinha certo receio de envolvimento com as drogas. Por isso sempre estive atenta e conversava muito a respeito”, disse.

Sobre a oportunidade da mudança de escola, a recepcionista esclarece que os problemas recorrentes não influenciaram na decisão. “Eu optei por muda-lo de escola pelo motivo da Imperial ser em período integral; me sinto mais segura com ele dentro da escola do que na rua; mas a Bento de Abreu também é muito boa”, justificou.

Apesar dos problemas, muitas famílias não têm condições de matricular seus filhos em outras instituições. Ou ainda reconhecem o bom desempenho do corpo docente e não se sentem obrigados a tomar tal decisão.

Adriana Zocchi, 33 anos, acredita que o período em que a filha estuda é o mais tranquilo, isto porque a incidência de violência e consumo de drogas ocorre, mais intensamente, no período noturno. “Não tenho medo, fico mais sossegada pelo fato dela estudar de manhã, porém, permaneço atenta”, disse.

Adriana ressalta que nunca teve problemas com a escola. “Já pesquisei e vi que algumas escolas de Araraquara são bem piores. Acho que tudo depende do aluno”, ressaltou.

Thais Zocchi, estudante do segundo ano do ensino médio, considera o ambiente da escola estadual Bento de Abreu inseguro. “Existe muito consumo de drogas, mas os usuários, geralmente, ficam no canto deles, não mechem com ninguém. Porém, também existem aqueles que querem arrumar briga por qualquer coisa”, explicou.

Sobre casos de ameaças, a estudante de 16 anos revela: “Já me senti ameaçada, mas tomei as providências que tinham que ser tomadas e tudo foi resolvido”.

Procurada, a diretoria da escola garantiu que a instituição realiza um trabalho de conscientização com os alunos. No início deste ano foram desenvolvidas palestras com a temática do consumo de drogas e atividades interdisciplinares são realizadas para discutir assuntos como sexo, violência e drogas.

Segundo a vice-diretora Maria Silvia Pavone, a escola possui funcionários capacitados para lidar com estas situações. “Nós contamos com inspetores muito competentes, que realizam rondas frequentes nos corredores e nos banheiros da escola”, disse.

Maria Silvia esclarece os procedimentos adotados pela instituição quando casos de consumo de drogas e de violência ocorrem: “Nós acionamos o conselho tutelar, os responsáveis pelo aluno e encaminhamos o fato para o órgão competente”, explicou.

Para o Promotor de Justiça da Vara da Infância e Juventude de Américo Brasiliense, Carlos Alberto Melluso Junior, quaisquer atos infracionais estão sujeitos a penalidades legais, seja por porte de entorpecentes, ou agressão física. “A promotoria instaura procedimentos específicos para cada caso. Sempre que ocorrem situações infracionais, é feito um boletim de ocorrência e o processo instaurado pode acarretar em medidas socioeducativas ou até mesmo a internação do menor na Fundação Casa”, afirmou.

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