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Pouco investimento na infraestrutura compromete o escoamento de grãos

Por: ILEONI SANTOS DE JESUS

18/10/2013

O cultivo dos grãos vem crescendo nas últimas décadas. Há 36 anos,o país produzia em uma área plantada de 40 milhões hectares, cerca de 38 milhões de toneladas; na safra de 2012/13 esses números chegam a 186 milhões ha/ton,segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB).

Com o interesse crescente das indústrias de óleo e a demanda do mercado internacional, o complexo soja(grão,farelo e óleo)representa 27% das exportações do agronegócio brasileiro.

O progresso na cultura da soja foi o principal responsável pelo crescimento do agronegócio no país; não obstante o desenvolvimento nacional, a ineficiência da logística brasileira dificulta o escoamento dos produtos.

No ranking de 144 países realizado pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil aparece em 135º na qualidade dos portos, 123º na qualidade das estradas, 100º na qualidade das ferrovias. Fica assim provado que a infraestrutura é um problema visível.

As dificuldades do sistema logístico mudam de região para região. A dependência de rodovias e a falta de investimentos nas ferrovias e hidrovias fazem com que produtores do centro-oeste encontrem maiores dificuldades para escoar a colheita.

As causas de tais problemas são as condições precárias das rodovias. Estradas sem acostamentos, cheias de buracos, ondulações e o congestionamento quilométrico. Nas poucas ferrovias disponíveis, os vagões e locomotivas encontram-se mal conservados e em quantidades insuficientes; a desorganização dos portos, entre o que chega e o que vai ser exportado, acaba gerando tempo de espera. Tudo isso mostra que a logística preocupa pelo baixo desempenho.

Por causa da deficiência logística os produtos saem das propriedades rurais com preços baixos e chegam ao destino com custos altíssimos; os custos da lavoura ao porto de embarque são uma aberração. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revela que os produtores brasileiros acabam sofrendo impacto do frete na receita, chegando a perder RS 4,10 por saca de soja em relação aos Estados Unidos e Argentina.

Esse cenário provém de uma política econômica adotada pelo governo brasileiro, que não se preocupa com a qualidade, custos e produtividade. Devido a isso, o setor produtivo, diante da deficiência crônica da infraestrutura, terá de pagar preços cada vez mais altos.

Sabemos que o Brasil é um país caracteristicamente rodoviário, no entanto, a ferrovia e a hidrovia são grandes modais mais hábeis para a exportação da soja produzida no país e deveriam receber insumos e serem ampliadas.

De acordo com estatísticas da Agroconsult, uma consultoria especializada em agronegócio, a China investe 8,3% do produto interno bruto (PIB) em infraestrutura, o México 3,6%, Estados Unidos 2,3%, ao passo que o Brasil emprega somente 1,7% do seu PIB no seguimento.

Nós, brasileiros, temos uma das maiores extensões de rios navegáveis do mundo e o frete hidroviário é mais barato em comparação com o ferroviário, rodoviário e o aéreo, este extremamente caro. Entretanto, o país não dá prioridade para a hidrovia.

A verdade é que teremos de ingressar numa constante crítica ao governo para acelerar obras, projetos e propostas eficientes como investir no modal hidroviário, concretizar as concessões rodoviárias, abrir as vicinais, revitalizar o sistema ferroviário e realizar uma reorganização portuária.

Assim, percebe-se que uma melhoria nas rodovias, ferrovias e o melhor aproveitamento do transporte hidroviário serão essenciais para o rápido escoamento dos grãos, procedendo a um valor agregado relativamente baixo. A perspectiva de expansão do setor produtivo é legítima; portanto, a esperança de melhorar a logística no país é grande. Ter uma logística eficiente permitirá que o Brasil apresente vantagens em relação a outros produtores mundiais.

Desse modo as exportações do agronegócio contribuirão para o desenvolvimento interno ao tornarem o país o maior fornecedor do mercado internacional.

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