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Araraquara descobre o sequestro poético

Por: ILONÍ KOMMERS BARRIENTOS

18/10/2013

Liliani Araújo, a Lili Flores, narradora de histórias, formada em Letras e pós-graduanda em Literatura Infantil e Juvenil pela Universidade de São Paulo (USP) participa de projetos cujo objetivo é levar a literatura às pessoas, de todos os níveis sociais e de todas as faixas etárias. Na execução destes projetos, o alvo é levar o povo a gostar de leitura e agir: ler. Em Itapuí, cidade próxima de Araraquara, a professora Kézia Kristina da Silva se deleita no sucesso de levar seus alunos a gostar de leitura.

Lili Flores esteve no SESC Araraquara, sábado, 12 de outubro fazendo uma mediação de leitura para um grupo de crianças e pais. Auxiliada por Paulo Pixu, leu a história de Chico Buarque, ilustrada por Ziraldo, “Chapeuzinho amarelo”. Enquanto interpretava o texto, Paulo intervinha com sons de instrumentos musicais, ou falas que traziam teatralismo à história lida.

Liliani fala que as crianças ouviram a história e viram o livro. “Lili vai embora, mas o livro fica e é identificado com facilidade por qualquer um que o tenha visto. A curiosidade leva outros a comprarem. Tem aqueles que correm para me contar: eu ganhei esse livro e nunca li, agora vou chegar a casa e vou ler”. O objetivo é alcançado declara a professora.

A narradora de histórias diz da importância de levar o povo a ler e para isto utilizar todas as técnicas disponíveis e criáveis. A biblioteca sozinha não o consegue.

Na cidade de Araraquara, dos 171 mil leitores em potencial, 1,07% dessas pessoas, ou seja, 1.837 indivíduos, retiram livros na biblioteca pública, por mês. Entretanto, lidos no próprio espaço e ao acrescentar ao número de livros o de revistas e jornais, 3.610 documentos são consultados mensalmente, o que perfaz 4.256 usuários mensais.

A Secretaria da Educação de Araraquara ofereceu um curso gratuito de contador de histórias para instrutoras de centros educacionais recreativos, as antigas creches municipais, ministrado por uma doutora em Narração de Histórias, há alguns anos.

Atualmente não há visibilidade de projetos que levem pessoas capacitadas às ruas para ler aos cidadãos e leva-los a tomar gosto pela leitura. Mesmo nas escolas, há uma reclamação por parte de professores com relação à dificuldade do uso da biblioteca, pelos alunos, para leitura. “São muitas as regras, o que acaba desencorajando”, dizem.

Liliani, em parceria com a prefeitura de São Paulo, oferece cursos e oficinas para instrução de professores da rede pública. A professora, com outros profissionais, assessora o Curso Básico de Formação de Contadores de Histórias, ministrado na Biblioteca Pública Hans Christina Andersen, onde também leciona.

Na Capital, tem o ônibus com livros, que estaciona em pontos pré-determinados e, após a leitura de um trecho de algum autor, Lili convida os que a ouviram e os que por aí passam a examinar e ler livros. E todos aceitam, tomam contato com os livros e os lêem.

Com o projeto “Ao pé do ouvido”, vai a vários lugares, estabelecidos num planejamento, para ler a pessoas que se disponham a escutar. Fazem o “sequestro poético”, que surpreende qualquer pessoa, ou uma dona de casa lavando seu jardim, ou um grupo de “punks” para lhes declamar uma poesia. Um tempo após, o ônibus passa por estes sítios já visitados.

Há o projeto onde Lili viaja pelo interior com oficinas de treinamento para professores e atua como narradora de histórias, “brinquedista” e percussionista.

Em Araraquara, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) oferece em seus cursos pedagógicos a disciplina de contador de histórias. Sem mais recursos, existem professores que aplicam o aprendizado com seus alunos.

Ação positiva

Na Escola Estadual Senador Vicente Prado, de Itapuí, na região de Bauru, Kézia Kristina da Silva, licenciada em Letras e Pedagoga pela Universidade Estadual Paulista de Araraquara (Unesp) tem experiências de leitura com adolescentes de quem é professora. Em sala de aula, lê e interpreta um trecho de um livro, e para de ler em momentos de grande expectativa quanto à sequência da história. Lança, então, o desafio para que os alunos continuem sua leitura no livro que está a sua disposição na biblioteca.

Kézia tem tido retorno integral; 100% dos alunos tomam livros emprestados na biblioteca, lêem e fazem a troca em três ou quatro dias. Muitos dos discentes têm buscado assuntos de história mundial, geográficos ou bibliográficos para ler e finalizam a leitura. Existem aqueles que só lêem histórias em quadrinhos, mas o fazem, e geralmente grandes almanaques de histórias do Calvin, Mafalda e outros de maior exigência intelectual.

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