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Fanatismo pelo futebol pode prejudicar relacionamento social

Por: FRANCILEIDE CRISTINA PRATAVIERA

16/10/2013

O fanatismo pelo futebol pode prejudicar a relação no trabalho e a convivência com a sociedade, família e amigos . O esporte, no entanto, deveria ser encarado como um lazer, mas muitos torcedores se tornam tão fanáticos por um determinado time que o exagero pode até ser transformado em doença.

Viajar para assistir aos jogos do time em outros estados, deixar de vestir peças de vestuário das cores do maior adversário, discutir com colegas, colocar amizades em risco. Até que ponto a paixão pelo esporte e o fanatismo por um clube é saudável? A partir de onde este amor pode se tornar doença?

O torcedor Wellington Henrique de Jesus,de Ibaté(SP), apaixonado pelo Corinthians considera seu time de coração mais importante que sua família, e ser capaz de fazer muita coisa para defender seu time, até mesmo brigar com quem for se falar mal do Corinthians ou mesmo terminar uma amizade por causa do Corinthians.

“Essa paixão pelo Corinthians é totalmente diferente, intensa, uns chamam de loucura, outros de fanatismo eu, particularmente, prefiro chamar de amor , como se eu fosse dormir e acordar respirando Corinthians, penso no jogo da noite anterior ou no jogo seguinte, a minha vida é essa. Essa paixão que explode no peito aumenta mais e mais a cada dia. Tenho orgulho de vestir o manto do Corinthians e sair na rua, mostrar que eu sou louco pelo Corinthians, essa paixão vai além, independente do resultado do jogo, se ganhou ou perdeu, o mais importante é bater no peito e gritar 'Aqui é Corinthians'”, declara Wellington.

Libertadores

"Eu não perco nenhum jogo, procuro nem marcar compromisso em dias de jogo, todos meus amigos e familiares já sabem que certos dias são sagrados, então eles nem me chamam para nada, mas mesmo me chamando eu não vou, já deixei de ir à praia para não perder o Corinthians em campo, e deixei de ficar com uma garota para assistir o jogo, como no ano passado, na Libertadores, nas quartas de finais contra o Vasco, um jogo importantíssimo. Esse jogo foi tenso, mas fazer o quê? são coisas de torcedor do Corinthians. Deixo minha família e amigos para segundo plano, mas não deixo meu time, e se for preciso faço promessas para ver meu time vencedor, como ano passado que fiz uma promessa se o Corinthians fosse campeão da Libertadores eu iria tatuar o símbolo do Corinthians no peito e ficar três meses sem corta o cabelo, e eu cumpri as duas. Agora, eu prometi se o Corinthians for campeão da Libertadores, no ano que vem, eu atravessarei a passarela de Aparecida do Norte de joelhos e vou tatuar o símbolo enorme em 3D do Corinthians na minha costas", conta o torcedor.

O time do coração em primeiro lugar

“O Corinthians é uma coisa paralela na minha vida, independente de quem eu esteja namorando, ou se a minha fase é boa ou ruim no trabalho ou na vida pessoal, sempre coloco o Corinthians em primeiro lugar. Minha maior alegria é todas as quartas e domingos para ver o Corinthians em campo. Como todo corintiano eu tenho muita superstição, tenho que assistir os jogos sempre com a mesma camisa(essa camisa eu tenho ela desde de a volta do Corinthians da série B em 2008). Também uso a minha cueca favorita, e tenho que sempre assistir em casa, pois em lanchonetes, bar ou em casa de outras pessoas não dão sorte e, é claro, sempre com a bandeira nas costas . Eu nasci Corinthians, vou viver Corinthians e vou morrer Corinthians, esse vai ser meu fim", finaliza Jesus.

Torcida organizada

Para o torcedor Tiago Ribeiro,que também mora em Ibaté, e desde pequeno é corintiano, seu maior sonho sempre foi ser jogador do time, mas como não foi possível hoje ele participa das torcidas organizadas, gritando e apoiando seu time. “Desde que não prejudique ninguém, eu sempre vou defender meu time, gritar e cantar seja na arquibancada do estádio ou em casa com os amigos, porque o sentimento de amor pelo Corinthians é de amor e não muda, mesmo nas derrotas ou vitórias somos um 'bando de loucos por ti Corinthians'", declara Ribeiro.

Fanatismo

A psicóloga Miriam Perez explica que atitudes como de torcedores que deixam de ter uma vida social, já é considerado fanatismo pelo futebol.“O fanatismo pelo futebol pode ser explicado pelo comportamento que os torcedores possuem como, por exemplo: viajar para assistir aos jogos do time em outros estados, deixar de vestir peças de vestuário das cores do maior adversário, discutir com colegas, colocar amizades em risco, entre outros, pois gostar muito de um time tem certo parte que pode ser considerada saudável, que é enquanto é tratado como lazer, prazer ou uma simples crença. Já, o fanatismo se torna patológico quando o indivíduo passa a agir irracionalmente, gerando até um transtorno obsessivo compulsivo. Outra característica do fanático é não aceitar uma derrota, por exemplo", explica Perez.

De acordo com ela, o fanatismo pelo futebol pode prejudicar a relação no trabalho e a convivência com a sociedade, família e amigos. "Pode prejudicar também a mente, pois só ficar pensando nas coisas do jogo muitas vezes, prejudica dialogar sobre outros assuntos", finaliza a psicóloga.



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