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Estudo da UFSCar avalia benefícios de atividade aeróbica em cardiopatas

Por: ABNER AMIEL CARMO DOS SANTOS

16/09/2013

Diante do aumento da expectativa de vida no Brasil, pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia (PPGFt) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) avalia os benefícios de atividade aeróbica em pessoas com doença arterial coronariana. Os estudos são realizados pela aluna do curso de doutorado Nayara Tamburus, sob orientação da docente Ester da Silva, do Departamento de Fisioterapia (DFisio) da Universidade.

O objetivo do trabalho é avaliar os efeitos benéficos do treinamento físico aeróbico intervalado sobre o sistema cardiovascular e sobre a capacidade aeróbica em pacientes com doença arterial coronariana ou que apresente fatores de risco, como colesterol elevado, diabetes, obesidade e tabagismo.

A relevância da pesquisa leva em consideração que a doença arterial coronariana constitui a causa mais importante de morbidade e mortalidade no Brasil. Além disso, os fatores de risco para o desenvolvimento da doença, e até mesmo a presença do fator genético, se relacionam com a predisposição ao desenvolvimento da mesma.

Atualmente, o treinamento físico aeróbico, programado de forma individualizada, tem o objetivo de controlar ou reduzir os fatores de risco modificáveis associados, como sedentarismo, desregulamentação nos níveis de lipídeos, diabetes, obesidade e hipertensão. Esses fatores predispõem uma pessoa a maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico etc. “Esse treinamento pode prevenir um subsequente infarto, reinfarto, uma re-hospitalização e reduzir custos com a saúde”, ressalta a doutoranda.

Uma pesquisa realizada em 2011 pelo estudante Diego Barreti, do curso de Educação Física da Universidade de São Paulo (USP), também usou o treinamento físico aeróbico. Naquela ocasião, o objetivo era investigar se a obesidade alteraria a função cardíaca, e se a associação com o treinamento físico aeróbico promoveria melhoramento na função cardíaca em ratos Zucker obesos.

Os ratos foram divididos da seguinte forma: grupo magro (GM), grupo obeso (GO), grupo magro treinado (GMTR) e grupo obeso treinado (GOTR). No final do treinamento a frequência cardíaca de repouso, a pressão arterial sistólica (contração do músculo cardíaco), a hipertrofia (desenvolvimento anormal do tecido de um órgão) e a função cardíaca foram avaliadas.

Ambos os grupos treinados apresentaram uma queda de 12% da frequência cardíaca de repouso, quando comparado com seus respectivos controles. Naquela ocasião, um o pesquisador ressaltou que os resultados demonstraram que o treinamento aeróbico reduziu o aumento da massa cardíaca em 13% e melhorou a função diastólica (movimento de dilatação do coração e das artérias) na obesidade em 43%. Em conclusão, os dados revelaram que o treinamento físico aeróbico reverteu os prejuízos cardíacos causados pela obesidade.

“Com os resultados desse estudo pretendemos obter subsídio para acrescentar ações de medidas preventivas e de tratamentos da doença arterial coronária e de seus fatores de risco aos já existentes”, ressalta a estudante Nayara Tamburus. Além disso, a doutoranda espera que o presente estudo proporcione importante contribuição para o paciente, a partir dos benefícios advindos do programa de treinamento físico aeróbico intervalado na redução dos fatores de risco associados à doença arterial coronariana, na melhora da integridade do sistema cardiovascular e que repercuta no aumento gradual da capacidade aeróbica.

A pesquisa está sendo feita com homens de 35 a 65 anos, que apresentem doença arterial coronariana, colesterol elevado, hipertensão controlada, diabetes mellitus tipo 2, obesidade e tabagismo.

O grupo de pacientes ainda não está fechado. “Os interessados em participar da pesquisa irão realizar exame de sangue, coleta da frequência cardíaca em repouso, por meio do cardiofrequencímetro, e teste cardiopulmonar. Após realizarem as avaliações, será proposto um programa de treinamento físico aeróbico supervisionado, três vezes por semana, composto por 48 sessões”, explica Nayara.

A avaliação da pesquisa está sendo feita no Núcleo de Pesquisa em Exercício Físico (Nupef) da UFSCar e os voluntários interessados podem entrar em contato com as pesquisadoras pelos telefones (16) 3351-8435 e 33518705 e pelo e-mail nayaratamburus@hotmail.com.

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