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Jogos online: união, violência ou fuga da realidade?

Por: WILLIAN MONTEIRO BIZARRO

18/09/2013

Os jogos online conquistaram jovens do mundo todo com sua capacidade de interação entre os jogadores e recursos disponibilizados. São milhões de jogadores ao redor do planeta, e os jogos variam de acordo com os mais diversos gostos. E, em Araraquara (SP), não podia ser diferente. Vamos conhecer o perfil desses gamers e o que é tão atraente no mundo dos jogos online.

Guildas e Clãs: a união virtual que gera amigos reais

É possível reforçar uma amizade no mundo real partindo do virtual? Os amigos Sílvio Nogueira Martins, Alexandre Rampani e Henrique Chiba, todos de 20 anos e nascidos em Araraquara, confirmam que sim. Segundo os estudantes, os jogos online na adolescência os ajudaram a criar laços de amizade.

De acordo com Martins, os jogos online foram a diversão da turma de amigos. “Conheci um jogo chamado Tibia em 2001, com gráficos extremamente comuns e simples. Em pouco tempo, várias pessoas da escola estavam cadastradas, e aquilo simplesmente virou febre”, diz. “Criamos contas no mesmo mundo e passamos a jogar juntos. Aquilo foi a diversão de vários anos e o crescimento conjunto com certeza culminou no fortalecimento da amizade”, finaliza.

Rampani vai mais longe: os jogos online ajudam a formar senso cultural. “Por ser um jogo americano, fui 'obrigado' a aprender o inglês. E posso dizer que isso foi muito útil no futuro”, cita. “Além disso, o jogo nos deu noção de estratégia e também da busca pela união em pról dos objetivos e missões. É uma época que tenho saudades.”, afirma.

Conforme Chiba, o jogo era assunto de conversas constantes na escola e ganhava cada vez mais adeptos. “Vários amigos se interessaram e foram arrebatados pela febre do momento. Foi uma época muito boa, e quando nos reunimos, ainda relembramos os velhos tempos”, comenta. “Foram bons tempos.”

O outro lado: o vício e a decadência social

Os jogos online podem ser uma boa alternativa para passar o tempo e fazer novos amigos. Mas existe o outro lado da moeda: o vício. Quando em níveis extremos, o jogador deixa literalmente de viver para se dedicar ao jogo. É o que diz um estudante araraquarense, de 17 anos, que prefere o anonimato.

Segundo o jovem, os jogos entraram na sua vida aos 14 anos, por indicação de um amigo. Desde então, a diversão inicial se tornou um pesadelo. “A compulsão veio rápida. Em seis meses, já perdia dias e dias sentado em frente ao computador, e gastava muito dinheiro em itens especiais e contas com privilégios”, relata. “Com o passar dos anos, fui me distanciando de meus amigos, familiares, engordei muito e minhas notas[na escola] caíram drasticamente”, complementa. “Enfim, deixei de viver”.

Ainda segundo relata o estudante, o primeiro passo para mudar veio com um súbito olhar crítico. “Olhei no espelho e me perguntei: no que havia me tornado?”, esclarece. “A partir disso, fui conseguindo me livrar dos vícios e, aos poucos, voltei a ter uma vida normal”, completa. “Ainda hoje participo de alguns jogos, mas não é nem sombra do vício obsessivo desenvolvido na época”, termina.

O vício: via de regra ou situações pontuais?

Muitas pessoas associam os jogos online a vícios e perda de tempo. De acordo com o publicitário Erwin Rocabado, de 22 anos, boliviano de Santa Cruz de La Sierra, que mora em Araraquara desde 2009, os jogos podem produzir um ciclo vicioso.

De acordo com ele, o sistema de pagamento por melhorias é o principal responsável pela criação de vícios. “O jogo faz com que você queira ter maiores recursos e, praticamente, convence os jogadores a pagar para ter esses luxos e mordomias. Com certeza é um mercado objetivo dessas empresas e muito lucrativo”, afirma. “Não é um vício propriamente dito, mas você acaba dependendo daquilo para jogar”, completa.

Ainda segundo Rocabado, o vício não é via de regra. “Tenho 22 anos, sou casado, tenho uma filha e estou no último ano de faculdade, trabalho e tenho vida social. No entanto, encontro tempo para meus jogos, como Tibia e Dofus”, argumenta. “Conheci pessoas na vida real, após jogar com as mesmas nesses jogos, e essa experiência é única. O autocontrole sobre o vício torna mais fácil a capacidade de se curtir os jogos de maneira inteligente”, completa.

Por fim, ele questiona a diferença das pessoas em lidarem com o vício. “No entanto, não são todas as pessoas que têm essa consciência e, por isso, registramos casos de vício e até mesmo de violência por causa desses jogos. Fugas sociais em busca de uma 'realidade virtual' também são comuns. É um problema social como de qualquer outra ação inserida na sociedade, nada exclusivo dos jogos online ”, finaliza.

Sociedade Moderna

Segundo o sociólogo e professor de Sociologia do Centro Universitário de Araraquara (UNIARA), Luiz Henrique Rosin, de 47 anos,o vício em jogos online é uma variação da sociedade moderna aos vícios sociais já existentes. “O vício em drogas, bebidas, em jogos clássicos, como corrida de cavalos e baralho sempre existiram. E com o advento da tecnologia e das redes sociais, o vício em jogos online se tornou mais um”, afirma.

Ainda segundo ele, a principal causa disso é a fuga da realidade por parte do jogador. “A pessoa busca uma realidade virtual que, geralmente, não consegue enfrentar no mundo real. O jogador supera etapas, trabalha em grupo e obtém sucesso, fazendo uma socialização à distância, de maneira a mascarar as falhas e desprazeres da vida propriamente dita”, argumenta. “Essas pessoas geralmente têm perfil definido: tímidas, de difícil sociabilidade, que se escondem através do jogo”, continua.

Conforme Rosin, o vício é o fim da linha. “Quando o jogador substitui a realidade virtual pela vida real, surge o vício. E é praticamente impossível sair dessa situação sem um tratamento adequado”, coloca. “É mais uma das mazelas da sociedade moderna, como qualquer outro tipo de jogatina”, finaliza.



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