Ageuniara

Artistas de Rua fazem sorrir, mas sofrem preconceito

Por: RODRIGO FERREIRA SALLUN

28/06/2013

Quem acredita que a "Arte de Rua" em semáforo é coisa de quem pede esmola, está bastante desinformado. Atriz amadora e artista de rua, Maria Eduarda Senna, 20, é amante declarada das artes e costuma compartilhar seu amor pela interpretação, fazendo malabares e outros números circenses nos semáforos próximos à Avenida 36, em Araraquara(SP).

Além de trabalhar em companhias de teatro, a atriz é ex-aluna de Ciências Sociais na Universidade Estadual Paulista (UNESP) e foi colaboradora dos programas de rádio Jamaica Paulista e Musicaria. Atualmente, faz curso técnico em Artes Dramáticas, no SENAC.

Os números circenses em semáforos e as performances de rua, são uma realidade há algum tempo nas grandes capitais brasileiras e, inclusive, européias. São também bastante controversas e polêmicas, mas há quem afirme que podem impactar de forma positiva nossa sociedade, pois em meio ao caos da mobilidade urbana, as artes fazem com que as pessoas possam esquecer o caos do dia-a-dia e a neurose do trânsito para apreciar as intervenções e refletir a respeito de outros variados assuntos por alguns instantes.

O professor e sociólogo Luis Henrique Rosim, analisa o fenômeno com enfoque maior na questão da segurança. Para ele, arte de rua é uma expressão cultural importante, mas oferece riscos para os artistas.

O sociólogo afirma que os semáforos não são os locais mais adequados para a prática de performances, uma vez que o trânsito das cidades é bastante violento. “O ideal seria que esses artistas fossem para as praças, pois é um espaço mais adequado e não oferece grandes perigos”, declara o professor.

Preconceito

Tendo trabalhado em semáforos de grandes cidades como Belo Horizonte e São Paulo, Maria Eduarda já está acostumada com julgamento errado que alguns motoristas fazem a respeito da "Arte de Rua". Em Araraquara, infelizmente, a regra também é o preconceito. “Vejo muita cara feia e ouço frases do tipo: Pô, você é jovem e não precisa disso, vai procurar um emprego”, comenta a jovem com bom humor.

Maria Eduarda diz que parte do preconceito pode ser explicado pelo fato de que pessoas carentes (alguns pedintes) se aproveitem dos artistas. “Eles se aproximam dos carros mais distantes, pedem esmolas e dão a entender que trabalham conosco. Isso também faz com que as pessoas julguem nosso trabalho de forma equivocada”, afirma a artista.

Ativista pela própria natureza

“Participei do Movimento Xingu Vivo. Fomos até Belo Monte. A galera atravessou o Brasil recolhendo assinaturas em prol dos povos indígenas, respeitando todas as absurdas exigências dos governantes, tipo anotar, além do nome e RG, também o título de eleitor. E é claro que ninguém anda com título de eleitor no bolso, mas mesmo assim, anotávamos endereço, e-mail, etc e à duras penas conseguimos as assinaturas com as absurdas exigências”, relata. Segundo ela, todo o esforço foi em vão, pois quando se conseguiu número suficiente de assinaturas, a papelada foi levada a Brasília(DF), mas conforme “esperado”, de acordo com ela, foi tudo arquivado.

Manifestações atuais

Quanto às manifestações atuais pelo Brasil, a atriz se mostra esperançosa, mas afirma estar muito preocupada com determinados fatos. “É muito esquisito e preocupante quando percebermos que existem pessoas do governo sendo financiadas para estarem infiltradas nos movimentos. Participei dos protestos em São Paulo e, se possível, quero ainda participar em alguma grande cidade. Vejo o movimento com bons olhos e acredito que é preciso continuar. Precisamos fazer alguma coisa, pois do jeito que está não se pode continuar”, finaliza a ativista.

Contato

A atriz participa de companhias de teatro, está sempre disposta a encarar novos desafios e está sempre em busca de projetos inovadores. Anote o contato: mariazinhasenna@yahoo.com.br



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