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Araraquarense tem trajetória militar de sucesso

Por: MICHELLI HALEISSA SOARES

05/06/2013

Amauri Domingos Demarzo, de Araraquara(SP), tem 31 anos e, desde criança, tinha o sonho de ser bombeiro por influência de um cunhado. Amauri foi em busca de seu sonho e ingressou na Academia de Polícia Militar do Barro Branco (APMBB), em São Paulo.

Depois de prestar o vestibular e ser aprovado , já cadete, descobriu novas paixões e sua vida tomou um rumo diferente do que ele mesmo havia imaginado.

Longe da família , amigos e com uma vida social totalmente comprometida pelos compromissos profissionais , o cadete focou na sua carreira e, após quatro anos de dedicação, sua vida mudou de rumo. Amauri descobriu que não queria mais ser bombeiro, tornou-se aspirante a oficial e foi trabalhar no Batalhão de choque de PM de São Paulo. Um ano depois já era Segundo Tenente e, hoje, considera-se realizado como Primeiro Tenente e Piloto de helicóptero.

O inicio de tudo : descobertas para uma trajetória brilhante

Desde criança o, agora, Tenente Amauri sempre foi dedicado aos estudos , era o orgulho dos pais Nelson Demarzo, que completaria, em março, 86 anos e de sua mãe Teresa Demarzo,57.

Já no colegial ele desencanou um pouco dos livros, e o que gostava mesmo era ir até o quartel onde seu cunhado trabalhava para ver as atividades dos bombeiros. Sempre apaixonado por esporte praticou futebol, capoeira e malhação.

Com fim do colegial o Tenente foi fazer cursinho e se dedicar mais para prestar o vestibular , apesar do seu desejo de ser bombeiro, ele estava em duvida e prestou três cursos e passou em todos os três , dentre eles estavam a APMBB, que foi o escolhido para tentar seu sonho, assim descartando o curso de Direito e Administração Pública.

“Alem da realização pessoal , escolhi a APMBB por já ingressar sendo remunerado. Lembro-me que eram duas provas e na primeira não fui tão bem, acredito que acertei uns 50% da prova. Já na segunda prova, quase gabaritei, acertei 98%", relembra.

Depois da prova o jovem teve que ser submetido a exames físicos, psicológicos e passar por uma investigação social , procedimento normal para aprovação. Só depois disso foi publicado em Diário Oficial e o então Cadete tomou posse iniciando seus estudos como aluno oficial da polícia.

“A concorrência é muito grande , não só no vestibular mas depois de aprovado , é prezada a tradição na academia e é mantida a hierarquia do regime militar , o cadete que tem boas notas no curso ocupa as melhores escalações para trabalhos , enquanto o não tão bom tem que se contentar com a vaga que sobra”, diz.

Lado profissional : escolhas e decisões importantes para carreira

No final do curso Amauri estava em dúvida sobre o que iria escolher para atuar. Depois de ter contatos com diversas áreas da polícia a vontade de ser bombeiro não era mais a predominante. Na hora de tomar a decisão o recém formado aspirante a oficial escolheu trabalhar no Batalhão de choque da PM de São Paulo , atuando na Zona Sul.

Quando questionado sobre os riscos de suas escolhas ele surpreende. “Todos procuram um pouco de emoção, o perigo acaba se tornando algo prazeroso , medo é normal ,mas ele mantem a gente vivo”.

O Tenente saiu da grande capital para trabalhar no interior , em Matão(SP), onde comandou todo o Pelotão, por dois anos e meio. Não tinha turno, era 24 horas ligado ao trabalho e transferiu-se para sua cidade natal,Araraquara(SP) onde atuou por um ano e meio e reencontrou uma antiga paixão de escola , hoje sua esposa Elana Garcia Demarzo , 27.

Com uma vida mais regrada, casado e com grandes responsabilidades profissionais o Tenente soube de um concurso interno para o grupamento aéreo , onde era necessário no mínimo dez anos de carreira militar. Amauri estava dentro dos pré-requisitos , prestou o concurso e não foi aprovado .

Por regras internas só poderia tentar mais uma vez e na segunda e última tentativa o Tenente conseguiu entrar para o curso. Eram três meses de curso teórico para ser submetido a uma prova final e desse período ele conseguiu assistir somente dois meses, teve dengue e ficou hospitalizado. “Mesmo sem frequentar o final do curso eu me lembro que estudei muito em casa faltando três dias para a prova”, diz Amauri.

Apesar da concorrência ser muito maior do que quando ingressou na APMBB e ter adoecido na fase final e decisiva do curso, o Tenente conseguiu integrar o agrupamento Aéreo do qual faz parte hoje.

“Tenho muito orgulho do Amauri , batalhou muito , e tudo que conquistou sei que foi por mérito dele” diz a esposa que no inicio tinha um pouco de receio de sua profissão, mas, com o tempo se acostumou. “Tinha medo que ele se machucasse , me perguntava se ía voltar e hoje não penso mais e nem tenho mais medo. Confio nele, ele sabe se cuidar e foi treinado para isso”, observa a esposa.

Novos planos:superação ,perigo, consagração e metas pessoais

O Tenente Demarzo,como Amauri é conhecido, é piloto de helicópteros da Base de Rádiopatrulha Aérea de Ribeirao Preto(SP) diz que nunca se imaginou integrando o agrupamento aéreo. “Eu nunca fui uma criança que gostava de ir ao aeroporto ver os aviões , eu queria ser bombeiro , ía para o quartel” diz.

Hoje apaixonado pelo que faz ele tem como meta se especializar cada vez mais em aeronaves , já que sua escolha exige muito estudo , as tecnologias se inovam muito rápido e com isso os profissionais devem se adequar na mesma proporção e sempre se atualizar.

Quando questionado sobre o que viria a ser mais perigoso , trabalhar nas ruas ou no ar , já que conhece os dois lados da moeda o Tenente diz: “Os dois lados têm seu risco. Na rua, no entanto, dependendo do erro você tem como contornar , já com a aeronave apesar do treinamento para situações de emergência é fatal”, observa.

Apesar disso o Tenente diz que o reconhecimento do seu trabalho é maravilhoso.Recentemente o seu grupamento participou de um documentário na Discovery Chanel chamado “Aguias da cidade”. Foram oito meses de gravação e o resultado final deixou a equipe muito satisfeita por mostrar o trabalho deles em situações reais.

O Tenente revela que não foi fácil, apesar de ter escolhido o que gosta , abriu mão de muitas coisas e, até hoje, sua programação com a família depende da escala de trabalho dele.

“A parte ruim do trabalho dele é que não dá para programar feriados ,em datas comemorativas , é quando mais precisam dele, mas aproveitamos o máximo quando ele está em casa”,comenta a esposa.

Entre os planos pessoais está o de ter mais tempo para família, principalmente com a esposa. “Gostaria de passar mais tempo com ela. Apesar disso procuro me desligar do trabalho quando estou em casa, gosto de ir à Academia, jantar com a minha esposa e sair para passear”, diz.

Satisfeito com suas escolhas o Tenente complementa: “É um trabalho que apesar de ser de risco, proporciona estabilidade, uma carreira e aposentadoria. Eu ficaria feliz se um filho meu viesse a escolher a mesma profissão , é muito digna”, finaliza o Tenente Amauri.



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