Ageuniara

Linha férrea atrapalha a travessia de motoristas e pedestres em Santa Lúcia

Por: MILTON CERQUEIRA LEITE JUNIOR

26/04/2013

A falta de sinalização que advirta de maneira efetiva os motoristas faz com a linha férrea em Santa Lúcia se torne um local vulnerável para a travessia. No município é grande o número de infrações cometidas por motoristas que não obedecem aos pedidos de “pare” nos mais importantes acessos a cidade.

O chamado “piloto automático” é o principal causador desse tipo de infração; as placas passam despercebidas e não causam o impacto necessário para advertir os motoristas que atravessam as passagens de nível. “A autoconfiança contribui para o aumento de acidentes”, comentou o jovem motorista Fernando Stivaletti.

Para o instrutor de autoescola Fabrício Soares Nandes, mesmo com sinalizações obrigatórias as guaritas poderiam ser mais seguras se aderissem a outros mecanismos, como os alertas sonoros e luminosos, além da manutenção regular das sinalizações horizontais.

A ALL (América Latina Logística), por meio de sua assessoria de imprensa, expôs que segundo o Código de Trânsito Brasileiro - CTB, cabe ao município a competência de implantar, manter e operar o sistema de sinalização. Contudo, salientou que a empresa realiza campanhas frequentes para minimizar riscos de acidentes, como também reforça a segurança em passagens de nível consideradas críticas.

Além da insegurança a que se expõem, os motoristas ainda estão sujeitos a sanções legais ao desrespeitar a sinalização. Segundo o CTB, a linha férrea é sempre preferencial e transpô-la sem parar é infração gravíssima, sujeita a perda de sete pontos na carteira e a multa de 175,84 UFIRs (R$186,39).

Outra falha é a inexistência de placas que alertem aos pedestres, que circulam entre os bairros do Centro e Nova Santa Lúcia, sobre a passagem de trem no local. Por ser um ponto de grande movimentação, a linha férrea coloca moradores em risco permanente.

Recentemente um jovem de 26 anos morreu vítima de atropelamento. Segundo consta no boletim de ocorrência, Wandel Alexandro Gouvêa Jardim tentou “pegar uma carona” em uma das composições de um trem cargueiro, mas perdeu o equilíbrio. Caiu, foi socorrido mas chegou ao hospital sem vida.

Morador há quinze anos na região da linha férrea, João Minali acredita que a sinalização e outros avisos poderiam evitar acidentes. Para o torneiro mecânico, medidas como a criação de passarelas e lombadas que exijam a redução de velocidade, bem como placas que chamem a atenção dos pedestres para os cuidados ao cruzar a linha férrea poderiam contribuir para a segurança no local. "Além da sinalização, é necessário conscientizar a população", disse.

Durante a apuração desta reportagem, a Ageuniara flagrou a desatenção de uma moradora que efetuava o cruzamento no momento em que uma máquina de manutenção passava pelo local. A distração da moradora, juntamente com a imprudência do maquinista que não acionou a buzina com antecedência, poderiam ter resultado num acidente, evitado por um silvo imediato dado pelo funcionário da empresa diante da situação.

Sobre casos como esses, a ALL afirma que “todos os maquinistas seguem a norma 215 do Regulamento Geral de Operação Ferroviária, em que se deve tocar a buzina da locomotiva antes de iniciar a movimentação, quando se aproximar de túneis, viadutos ou de uma passagem de nível. Neste último caso, deve-se começar a tocar a buzina com suficiente antecedência para que produza efeito de advertência desejado”.

A empresa ressalta que a buzina se torna imprescindível, visto que a maioria dos motoristas não respeita a sinalização. Questionada sobre as informações referentes a esta reportagem, a Prefeitura de Santa Lúcia não se pronunciou até o fechamento desta matéria.

Destaques:

Reportagens recentes:

Todas as reportagens

Reproduzir o conteúdo do site da Uniara é permitido, contanto que seja citada a fonte. Se você tiver problemas para visualizar ou encontrar informações, entre em contato conosco.
Uniara - Universidade de Araraquara / Rua Carlos Gomes, 1338, Centro / Araraquara-SP / CEP 14801-340 / 16 3301.7100 (Geral) / 0800 55 65 88 (Vestibular)
N /ageuniara/