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Futebol europeu ganha espaço entre torcedores araraquarenses

Por: WILLIAN MONTEIRO BIZARRO

24/04/2013

Com o atual momento do futebol europeu e a decadência brasileira na revelação de jogadores, a mídia tem dado maior enfoque para o futebol europeu. Com esse apelo midiático e de marketing, estão surgindo muitos torcedores de clubes europeus em terras brasileiras, inclusive em Araraquara(SP).

Torneios como a Liga dos Campeões da Europa e a própria Eurocopa começaram a ser transmitidos com maior frequência.

Emissoras de TV por assinatura brigam pelos direitos de transmissão desses campeonatos, como a Fox Sports e a ESPN. A internet também é uma grande aliada, com transmissões ao vivo em diversos sites.

Em Araraquara, a febre não poderia ser diferente. Confira abaixo quem são essas pessoas que torcem por equipes que atuam a quilômetros de distância do Brasil.

Barcelona, uma paixão antes do modismo

A equipe da moda, intitulada como um dos maiores esquadrões de todos os tempos. O Barcelona de Messi, Xavi e Iniesta não se cansa de ganhar títulos, e seus jogadores não cansam de quebrar recordes. Mas, a torcida pelos culés, como é conhecida a equipe espanhola, é muito mais antiga para o universitário Jonatan Dutra, de 19 anos, que reside em Araraquara. Ele é um dos usuários que tomam conta de um dos maiores grupos da equipe no Facebook.

O jovem teve o primeiro contato com o Barcelona em 1998. “Sempre fui fã de futebol, desde criança, e a transmissão do Campeonato Espanhol era realidade na TV aberta”, diz. “O primeiro fator que despertou minha curiosidade pelo Barcelona foi o craque Ronaldo, que brilhava na equipe catalã”, completa.

“Depois, em 2006, voltei a acompanhar o Espanhol, na época de Deco, Eto’o e Ronaldinho Gaúcho. Vi nascer um dos maiores jogadores de todos os tempos, chamado Lionel Messi, e um trabalho de categorias de base impecável”, completa. “Depois disso, nunca mais abandonei o Barcelona”, finaliza.

Sobre os campeonatos europeus, Dutra é categórico. “O que mais me agrada são os estádios lotados e o modo como os europeus tratam o futebol”, afirma. “O espetáculo é o foco, e isso faz muita falta no Brasil, infelizmente”, diz ele, que no Brasil, torce pelo Corinthians. “É completamente possível conciliar a torcida por seu clube brasileiro e europeu, até porque a chance de se encontrarem é pequena”, completa.

Questionado sobre um encontro numa hipotética final de Mundial FIFA, Dutra é categórico. “Ficaria feliz com qualquer resultado, mas sem dúvida nenhuma, torceria para o Corinthians”, finaliza.

Liga inglesa: organização e torcida que encantam

A Barclays Premier League, ou o popular Campeonato Inglês, é uma das ligas favoritas dos brasileiros nos campeonatos europeus. Os detalhes que mais incentivam torcedores para acompanhar a liga inglesa geralmente são os mesmos, e giram em torno dos estádios lotados e da organização das partidas. É o caso da colunista de futebol europeu Ione Freitas, de 21 anos. Ela é natural de Ibirá-(BA), mas atualmente mora em Araraquara. Ela tem o Liverpool como time do coração.

Segundo Ione, a paixão pelo futebol se iniciou ainda quando criança. “Minha família sempre gostou muito de futebol, e difundia esse gosto em casa”, diz. “Comecei a acompanhar os campeonatos europeus por conta dos jogadores brasileiros, principalmente o Kaká, por seu estilo de jogo e conduta fora de campo. Foi quando conheci o Campeonato Italiano, o Espanhol e, posteriormente, o Campeonato Inglês, que foi o que mais me encantou”, completa.

“A torcida do Liverpool é incrível, os estádios sempre estão lotados, e isso ocorre em todos os jogos. Times como Sunderland, Newcastle, Wigan e Aston Villa têm apoio incondicional da torcida, é algo surreal, se comparado às médias de público das equipes brasileiras”, cita.

“Comecei a torcer pelo Liverpool na final da Liga dos Campeões em 2005, aquela partida me fez scouser (torcedor do Liverpool)”, finaliza.

A paixão pela Liga Inglesa é compartilhada pelo estudante de direito, o araraquarense Vinícius Derêncio, 18 anos, torcedor do Arsenal. “Simplesmente me encantei com o time do Arsenal de 2004, nos tempos áureos de Henry e Bergkamp. Na época, ganhamos a liga de forma invicta, e isso me impressionou”, cita. “Desde então, me peguei como um legítimo torcedor do Arsenal, mas lógico, sem me esquecer do meu Corinthians”, completa.

“O Campeonato Inglês é incrível do ponto de vista organizacional, os estádios estão sempre lotados, os torcedores ficam a poucos metros dos jogadores e o respeito é incrível. Nem parece que a Inglaterra foi, um dia, o país dos hooligans”, finaliza.

Avanço dos europeus: falta de conhecimento dos brasileiros?

Os brasileiros estão ficando para trás nos treinamentos físicos. É o que afirma o professor de educação física André Luiz Brás de Freitas, de 30 anos. Segundo ele, os clubes e seleções europeias vêm se destacando em decorrência do aumento dos treinamentos físicos e táticos. “Na Europa, os clubes proporcionam aos funcionários da equipe técnica o estudo necessário da ciência do esporte, buscando fortalecer cada vez mais o atleta, tanto fisicamente quanto mentalmente”, diz.

“No Brasil, o individualismo ainda ocorre em excesso, pela falta de padrão tático e do treinamento de jogadas”, completa. “Jogos mais dinâmicos, padrões táticos visíveis e a vantagem física do europeu sobre o brasileiro passam a influenciar no gosto do torcedor”, finaliza.

Ainda segundo Freitas, que reside em Araraquara, o futebol europeu tem tudo para seguir essa linha. “São vários tipos de produtos, técnicas e aprendizagens diferentes dos europeus, coisa que ainda é ignorada no Brasil”, conta. “Todos os membros de uma equipe técnica de um clube europeu possuem conhecimentos fisiológicos, coisa ainda impensada no Brasil”, finaliza.

O avanço do futebol europeu nas redes sociais: uma realidade?

Segundo o publicitário e professor do curso de Publicidade e Propaganda, do Centro Universitário de Araraquara (UNIARA), Samuel Gatti Robles, de 42 anos, o futebol europeu tende a crescer cada vez mais no Brasil e a imprensa e o marketing influenciarão deste modo. “Sou palmeirense, e nunca torci para uma equipe europeia, mas vejo que o futebol perdeu um pouco do sentimento, da paixão, e se tornou negócio”, diz. “Gerar dinheiro é essencial e as estratégias de marketing para a propagação dessas equipes e o ganho de novos adeptos visa inteiramente o lucro. Em suma, vender mais”, completa.

Ainda segundo Robles, a própria imprensa contribui para isso. “Até mesmo a Rede Globo passou a investir nos campeonatos europeus, principalmente na Liga dos Campeões. O enfoque neste campeonato nos mostra um fenômeno curioso: a multiplicação das camisas de equipes europeias na população brasileira”, afirma.

Sobre a internet e as mídias sociais nesse meio, Robles é categórico. “Os poucos torcedores que compartilhavam fotos com suas camisas das equipes europeias, links para acompanhar jogos e notícias, tornaram-se vários, e nisso foram se formando influências, as pessoas passaram a descobrir o futebol europeu”, observa ele que também é analista de mídias sociais.

“O marketing é cativante, assim como a organização. É um dos pontos onde o esporte brasileiro peca. O Corinthians tem lutado contra isso, promovendo uma grande aula de marketing. Mas, ainda é muito pouco no cenário nacional”, finaliza.



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