Ageuniara

Iniciativa privada investe em pesquisas no agronegócio *

Por: ANDRE LUIS SOUZA DIAS

29/10/2012

Em todas as refeições do brasileiro e de qualquer cidadão do mundo, como por exemplo, um bom prato de arroz com feijão, uma carne, complementos e um suco de laranja, os ingredientes utilizados são oriundos do agronegócio que movimenta um dos maiores setores emergentes do mundo.

Para que o alimento chegue à mesa da população, é bom lembrar que ele passa por diversas etapas até o consumidor final. Amplas tecnologias são aplicadas para que estes produtos sejam entregues com qualidade nos diversos mercados do mundo. Novas técnicas para plantio, investimento em automação de colheitas, máquinas de última geração, logística de transporte e outros fatores são fundamentais para que o setor consiga acompanhar a evolução e, consequentemente, alavancar o mercado.

As empresas privadas vêm aumentando investimentos em pesquisas nos últimos anos. Isto ocorre devido à necessidade de pesquisas aplicadas para atender recentes demandas do mercado.

Um exemplo neste sentido são as empresas de tecnologia em nutrição vegetal que precisam comprovar os efeitos dos fertilizantes especiais. A maioria das empresas do setor de fertilizantes tem um Departamento Técnico, que é responsável por fazer as recomendações agronômicas dos seus produtos. Para isso conta também com uma estrutura de pesquisas e desenvolvimento, que permite aliar os resultados das pesquisas com a melhoria dos produtos para atender a área comercial.

Segundo o engenheiro agrônomo Gean Carlos Matias, Gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Qualidade da Agrolatino Biotecnologia S/A e Diretor de Meio Ambiente da ABISOLO, as empresas têm destinado parte dos seus recursos financeiros ao financiamento de pesquisas em estrutura própria ou em parceria com Universidades.

Um exemplo disso é a Agrolatino Biotecnologia S.A, que investiu na contratação de profissionais para pesquisas e conta ainda com uma Estação Experimental, para atender suas pesquisas em novas tecnologias e produtos. Além disso, está financiando quatro dissertações de mestrado e três teses de doutorado, junto a conceituadas universidades do país. “As empresas têm buscado apoio junto às instituições públicas, para realização de pesquisas que visam validar a utilização de suas tecnologias na agricultura, tendo como resultado o surgimento de produtos mais eficientes e com menor impacto ambiental”, comenta Gean Carlos Matias, ele próprio doutor em ciências agronômicas e pesquisador.

O aumento da produtividade se apoia na pesquisa tanto de novas variedades quanto de tecnologias de manejo agrícola, máquinas e implementos. A importância da pesquisa é evidenciada pelo aumento de produtividade nas diversas culturas, o que gerou uma economia de 60 milhões de hectares ao Brasil. Mas a produtividade média do país ainda é baixa em algumas culturas. No milho, por exemplo, nossa produtividade é a metade da dos EUA, o que representa desafios a serem superados pelos investimentos em mais pesquisas.

Atualmente ocorre forte mobilização de recursos em torno de pesquisas que possam levar ao desenvolvimento de novas tecnologias, haja vista o atual cenário global de instabilidade na oferta de alimentos e de fontes renováveis de energia. O que antes era privilégio apenas de empresas estatais, hoje desperta interesse de empresas privadas especializadas que vislumbram, no setor do agronegócio, potencial de rentabilidade e liderança no mercado mundial.

Aposta nas parcerias

A junção de recursos públicos e privados para financiar pesquisas na área do agronegócio é um meio de otimizar esforços que possam gerar e disseminar novos conhecimentos demandados pelo segmento, seja em ciências básicas ou aplicadas.

A Agrolatino Biotecnologia SA, por exemplo, vem investindo, atualmente, em convênios de pesquisas com as seguintes instituições: ESALQ/USP, CENA/USP, IQSC/USP, UNESP/FCA, UNESP/FCAV, EMBRAPA, UFSCar e APTA. Por meio desses convênios, pesquisas já concluídas geraram três teses de doutorados e duas dissertações de mestrado. Além da produção de novos conhecimentos de interesse do agronegócio, os convênios ajudam a formar especialistas de alto nível para o país.

Outra de empresa privada voltada à pesquisa é a Syngenta, uma organização de âmbito mundial que procura oferecer soluções para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável. A empresa conta com 26 mil colaboradores e laboratórios de última geração voltados à pesquisa para o melhoramento de plantas.

Ela investe maciçamente em pesquisa e fabricação de produtos para proteção de cultivos como ,por exemplo, inseticidas, fungicidas e herbicidas que são utilizados para livrar as plantas dos insetos, das doenças e da competição das ervas daninhas pelos nutrientes, aumentando a produtividade das lavouras.

Quem ganha com isto é o agronegócio brasileiro. As pesquisas podem impactar a vida no campo e geram o compromisso com a sociedade de transferência de tecnologias e informações, respondendo ao desafio de integrar os segmentos de diferentes cadeias produtivas.

Estas novas tecnologias e a pesquisa científica esbarram na maioria das vezes em uma questão crucial: a falta de planejamento e políticas públicas para colocar em prática o que vem sendo pesquisado. Historicamente ainda é baixo o volume de investimentos do país em ciência e tecnologia, 1,3% do PIB no ano passado. Por isso a junção de recursos privados aos aportes do setor público, destinados à pesquisa de inovações de interesse do agronegócio pode ser um atalho para superar essa dificuldade.

* Especial para a Ageuniara

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