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Ponto turístico de Ribeirão Bonito, Morro Bom Jesus precisa de obras

Por: CELSO LUIS GALLO

11/05/2012

O Morro Bom Jesus, principal ponto turístico de Ribeirão Bonito (SP), passa por problemas. No local houve alguns deslizamentos de pedras e quedas de árvores nos últimos anos, o que motivou o Ministério Público (MP) a pressionar a Mitra Diocesana de São Carlos, dona do espaço, a tomar algumas medidas. Mas as obras, segundo ela, são caras.

O morro existe desde o surgimento do município, no final do século XIX, e foi doado à Igreja pelos fundadores, em virtude de uma promessa. Mas o local só passou a ser frequentado na década de 1950, pois antes só havia pedras e árvores.

Na época, a construtora Travassos, que fazia obras na Rodovia Luiz Augusto de Oliveira (SP-215), precisava de um lugar para guardar as máquinas. A população e o prefeito da época, Juca de Moraes, aceitaram que ela as deixasse dentro da cidade.

Atendendo a solicitações e numa forma de agradecimento, a empresa abriu uma via de acesso ao topo do morro. Com o caminho aberto, moradores cogitavam o que poderia ser feito no local. Uma boate e um bar foram algumas opções, mas, em 1956, foi feita a Capela Nossa Senhora Aparecida.

Dois anos depois, houve a inauguração da Gruta Nossa Senhora de Lourdes (reconstruída em 1987), da Fonte José Blota e de alguns quiosques. Desde então, o morro, que fica no centro da cidade, ao lado da Igreja Matriz, foi palco de várias quermesses e ponto de encontro de amigos e casais, além de receber turistas.

Problemas

Mas, nos últimos anos, ocorreram problemas. Pedras passaram a rolar do morro e árvores caíram. Como em volta do local existem casas, pois a cidade cresceu em torno dele, o MP proibiu, em dias chuvosos, a entrada de pessoas e orientou, inclusive com cartazes, que se evite até mesmo o caminhar pelas calçadas das ruas que ficam no entorno.

Em 2010, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi assinado entre as partes, onde o Promotor de Justiça da época, Marcel Zanin Bombardi, ordenou que a Igreja fizesse as obras necessárias até novembro de 2012. Mas, posteriormente, um acordo com outro representante do MP extinguiu o prazo, apesar de o compromisso da reforma seguir vigente.

De acordo com o TAC, são necessários “sistema adequado de captação de águas pluviais” vindas do topo do morro, a construção de “muros de contenção (em concreto armado) na base do morro [...], com 1 m de altura” e “corrigir as trincas existentes ao longo da calçada e guias” que circundam o local.

Na época, uma reportagem da EPTV afirmou que, segundo especialistas, o custo da obra ficaria entre R$ 12 e 15 milhões. O pároco da cidade, João Francisco Trovilho Morales, não consegue precisar o valor, mas diz que a cifra não chega a esse número.

Uma contraproposta, encaminhada por um biólogo, será apresentada ao MP. Nela constam outras sugestões de obras, como a diminuição da copa das árvores que correm risco de queda, o plantio de espécies nativas que tenham porte e raízes menores e a substituição do muro de concreto por trincheiras e obstáculos como sacos de areia. Segundo o padre Morales, estas ações custariam menos e teriam o mesmo efeito.

“No projeto que o TAC pede, a Igreja sozinha não tem condições. Nós vivemos no limite financeiro de manutenção da paróquia”, disse o pároco. “Vamos depender de festas, de campanhas, de empresas e também de governo. A lei impede qualquer governo de ajudar uma entidade religiosa, mas, como esse patrimônio também é cultural, ecológico e favorece a cidade, deve haver alguma forma de nos socorrer com recursos”, afirmou.

A atual promotora da Comarca, Patrícia Lacerda Pavani, disse que, caso a reforma não seja feita, a principal consequência será o “ajuizamento de ação executiva, para obrigar a Mitra ao cumprimento do acordo, estipulando-se multa diária, e até mesmo o fechamento da visitação, caso constatado risco à população”.

De acordo com o pároco, a última hipótese seria transferir o espaço à Prefeitura, para que ela assumisse a reforma. “Esse não é o meu foco. Mas se as exigências forem ameaçadoras, não vejo outro recurso a não ser passar a área ao governo municipal”, completou Morales.

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