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Livraria de Jaboticabal completa 80 anos de luta pela cultura da região

Por: GIANFRANCESCO ROCHA BARIANI

09/10/2011

A Livraria Acadêmica Difusora de Cultura de Jaboticabal completou 80 anos de história no último dia 3 de outubro. O estabelecimento busca manter a cultura regional e o interesse pela leitura entre os mais jovens, mesmo com o avanço das tecnologias digitais.

Fundada em 1931 por Guerino Capalbo, filho de imigrantes italianos, a livraria ficou conhecida não só por vender materiais escolares, livros, revistas e jornais, mas também por ter sido convidada a representar algumas marcas famosas do ramo de rádio e eletrodomésticos, que na época eram de grande aceitação na sociedade.

Segundo um dos filhos de Guerino, o advogado Clóvis Capalbo, 75 anos, seu pai foi incentivado por amigos a montar a Livraria. “A loja foi prosperando devagar, pois Jaboticabal vivia um ciclo de enorme expansão na área educacional e cultural, em grande parte influenciada pela Faculdade de Farmácia e Odontologia”, disse o advogado.

Buscando recursos para crescer e melhorar a Acadêmica, Guerino adquiriu junto de mais três amigos o “Cineparatodos”, um dos principais cinemas da região na época – vendido por ele em 1951 para a empresa Teatral Paulista. “Apesar de o cinema ser um recurso muito mais rentável na época, como um idealista, meu pai acreditava que a leitura é muito mais rica de conhecimento do que o cinema”, explicou Capalbo.

Seguindo os passos do pai, Clóvis acha que a leitura é imprescindível na formação de um indivíduo. “Os jovens deixaram de lado o interesse pela leitura. A geração moderna que troca o livro pela internet é justamente uma prova do desconhecimento do papel, do livro e de uma instrução educacional. Enfim, é a crise da qualidade das pessoas modernamente”, comentou o atual administrador da Acadêmica.

De acordo com o sociólogo Anderson Cornelian, uma série de fatores contribui para o desinteresse pela leitura no país. “A primeira ideia é o preço da publicação que é muito cara, isso já desestimula muito o interesse pela leitura. Em outros países como Argentina e Espanha, as publicações são mais baratas do que no Brasil. A segunda ideia é o desenvolvimento das tecnologias, como a internet, que facilita a busca e a leitura de livros através de resumos. Tudo isso de graça”, disse o sociólogo.

O valor de publicação de um livro pode variar muito de acordo com a tiragem. A edição de um texto, por exemplo, pode variar de três a quinze reais por obra ou lauda. Já a impressão feita em gráficas não sai por menos de R$ 1,50 por exemplar. Dependendo do número de páginas e do número de exemplares.

“Temos ainda uma terceira ideia que é a de que os leitores estão mais preguiçosos. A piada, por exemplo, se ela for comprida a pessoa deixa de ler. A piada válida é aquela que tem no máximo duas frases. Essa é a piada boa”, comentou Cornelian, que ainda explica o caso como algo cultural e educacional aqui no Brasil.

Em meio a todas essas desavenças, onde a publicação é cara e, para muitos, o digital se sobrepõe ao papel, trocando a leitura pelas redes sociais, o atual administrador da Livraria Acadêmica busca manter não só a história de um lugar, mas a história do comportamento de uma sociedade. “O povo de Jaboticabal não valoriza os seus bens; 65% dos meus livros vão para a região. As outras cidades valorizam muito mais a cultura de Jaboticabal do que a própria sociedade jaboticabalense”, aponta Clóvis Capalbo.

HISTÓRIA REGIONAL

O crescimento da Livraria Acadêmica alavancou sua extensão para as cidades de Araraquara (1936) e Ribeirão Preto (1964). Foram quatro filiais em Ribeirão e uma em Araraquara.

Em Araraquara, em 1936, o irmão de Guerino, Rosário Capalbo, fez com que seu irmão inaugurasse uma filial da Acadêmica na cidade. A filial funcionou até 1940, quando a esposa de Rosário foi transferida de seu grupo escolar para Jaboticabal.

Em Ribeirão, o empreendimento avançou e chegou a quatro filiais. “Meu pai sentia que Ribeirão Preto carecia de um espaço cultural”, diz o filho. As livrarias prosperaram até 2002, quando fecharam devido à desaceleração e ao desaquecimento no ramo do livro e dos materiais escolares.

“Encontramos dificuldades e grande concorrência das editoras, das Prefeituras, do Estado e de muitas escolas particulares”, explica Clóvis sobre o encerramento das atividades em Ribeirão.

Naquela cidade o livreiro recebeu homenagens e prêmios como "Empresário do Ano" e título de cidadão ribeirão-pretano. Antes de seu falecimento, em 2001, a Câmara Brasileira do Livro o reverenciou como Livreiro Padrão do Brasil.

Nos anos 80, a livraria Acadêmica proporcionou a vinda de personalidades da literatura brasileira à região, entre eles José Lins do Rêgo, Guilherme de Almeida, Maria Alice Barroso, José Mauro de Vasconcelos, Menotti Del Picchia, Cora Coralina, José Reis e Fernando Sabino.

De título em título, Guerino se tornou uma referência entre os intelectuais da região através de sua famosa Livraria Acadêmica. “Temo que um dia a livraria acabe. Ela não faz só parte da história regional, ela é a maior parte da história de minha família”, conclui Capalbo, o atual proprietário da livraria e último remanescente de uma era onde ler livros era parte da cultura de uma sociedade.

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