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Softwares facilitam o aprendizado de matemática

Por: DAVI MARQUES PASTRELO

10/05/2011

O professor Seiji Isotani, docente do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da USP (Universidade de São Paulo), de São Carlos(SP),trabalha com softwares interativos e inteligentes voltados para a educação matemática.

Há mais de dez anos Isotani trabalha com a educação matemática, desde sua iniciação científica.“São softwares que buscam ensinar a disciplina de uma maneira mais eficiente e com maior interatividade”, explica o pesquisador do Departamento de Sistemas de Computação.

O software iGeom é um exemplo de uma das ferramentas criadas para melhorar a qualidade do ensino de matemática e geometria que leva em consideração os problemas educacionais das escolas brasileiras. Desenvolvido sob supervisão do professor Leônidas de Oliveira Brandão, do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, o iGeom é uma ferramenta gratuita para ensinar de maneira ativa e interativa, que pode ser usado no ensino fundamental, médio e superior.

"Através dele, por exemplo, podemos determinar a localização do ponto médio, estudar as funções de seno, cosseno, tangente, modelos matemáticos, algoritmos e recorrências, de forma interativa e visual", explica Isotani.

Outro software mencionado por ele é o MathTutor. Trata-se de um software inteligente voltado ao ensino de matemática (por exemplo, decimais). "Através de técnicas de inteligência artificial o software ajuda passo-a-passo o aluno a compreender e resolver problemas de matemática, bem como os vários componentes de conhecimento envolvidos. O aluno somente avançará para a próxima etapa da aprendizagem se adquirir os conhecimentos necessários", explica o pesquisador.

De acordo com ele, o software também tem a capacidade de avaliar onde está a dificuldade do aluno, dando dicas para que este pense e identifique onde errou através de um dispositivo gráfico. "Comparando esses gráficos e a informação coletada pelo software, o professor pode avaliar tanto o desempenho individual do estudante como o desempenho da classe como um todo", destaca.

Esse projeto, desenvolvido por Isotani há dois anos, em parceria com pesquisadores da Carnegie Mellon University, em Pittsburgh (EUA), é baseado nas teorias desenvolvidas por essa universidade, estando no momento disponível apenas nos Estados Unidos.

“Na escola nunca recebemos um auxílio individual, pois o professor tem que cuidar de classes com 30, 40 alunos e, sem a ajuda de ferramentas computacionais, ele não consegue identificar quais são as dificuldades de cada um. Dessa forma, o software é um meio de personalizar o processo de ensino e aprendizagem para que as perguntas básicas sejam respondidas diretamente no computador e as dificuldades sejam sanadas no momento em que se manifestarem", explica.

Segundo ele, as perguntas mais complexas que necessitem de uma maior explicação são esclarecidas diretamente com o professor, contudo essas perguntas são menos frequentes. " A principal característica do MathTutor é que, com ele, o aluno é incentivado a descobrir a propriedade do elemento matemático estudado, e com o auxílio inteligente do software ele sempre chega ao resultado final”, completa.

Isotani também acredita que esse software possa, num futuro de médio-longo prazo, incentivar os alunos a ingressarem na área de exatas, pois para aprendê-la é necessário abstrair e visualizar idéias e conceitos e o software facilita isso.

Complemento

Esse software oferece um complemento ao professor e ao aluno, a um custo razoavelmente baixo, então existiria um apelo comercial muito forte a ele. "No caso do MathTutor, ele é freeware (gratuito), mas não é open source (com código fonte aberto). Para atingir esse ponto teremos que dar um passo maior, isso significa que queremos que as pessoas contribuam com o desenvolvimento desse software, atribuindo-lhe novas funcionalidades, aplicativos e versões mais aprimoradas. Nesse processo é necessário filtrar o que é bom do que não é, por exemplo”, afirma Isotani.

Ele acredita que em médio e longo prazo, esse software pode se tornar open source. "Poderemos firmar parcerias com prefeituras e empresas privadas para que o projeto não seja apenas um protótipo. O meu objetivo final é produzir ferramentas educacionais que tenham o potencial de melhorar a qualidade do ensino e que fiquem a disposição de professores e alunos”,diz

Ele informa ainda que existem softwares que trabalham com frações, álgebra, química e que auxiliam os alunos no desenvolvimento de conteúdos. "No Brasil há a necessidade de identificar quais são os componentes de conhecimento para que os alunos aprendam melhor”.

Políticas públicas de ensino no Brasil

Isotani acredita que em termos de políticas públicas, o governo quer apoiar os professores, mas na verdade não sabe por onde começar. "Para que o professor esteja apto a usar computadores e softwares no aprendizado, ele necessita antes de tudo de um treinamento para que possa utilizá-los de maneira eficiente. Em outros países onde estive como Japão, Canadá, Coréia e Estados Unidos, há um maior suporte, pois o professor é visto como formador dos novos cidadãos do país, todo suporte que ele necessita é oferecido pelo Estado”, informa o pesquisador.

Para o pesquisador da USP é necessário munir o professor de ferramentas computacionais capazes de auxiliá-lo na tarefa de diagnosticar as dificuldades do aluno no dia-a-dia. “Com essas ferramentas as tarefas de ensinar e aprender se tornam muito mais fáceis, eficazes, divertidas e prazerosas”,finaliza.



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