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Pesquisadores desenvolvem biomaterial capaz de regenerar tecidos ósseos

Por: MARCOS EMMANUEL MAIA DE OLIVEIRA

16/11/2010

Pesquisadores desenvolveram um biomaterial capaz de regenerar tecidos ósseos.O projeto é encabeçado pela dentista doutoranda Sybele Saska e coordenado pelo professor Reinaldo Marquetto do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Araraquara(SP).

Segundo Reinaldo Marquetto, o produto pode ser comparado a uma espécie de curativo natural que estimula a regeneração de células ósseas. “O biomaterial é um osteoindutor que possibilita maior migração das células para a formação de tecido ósseo”, explica Marchetto.

O pesquisador conta que o material é constituído de alguns elementos que compõem os ossos, como colágeno (proteína) e hidroxiapatita (mineral), além da celulose bacteriana e da inédita presença de peptídeos (pedaços de proteína). ”Os peptídios funcionam como reguladores na expressão de fatores de crescimento relacionados ao tecido ósseo”, esclarece Marchetto. Segundo ele, a introdução de peptídios no material traz importantes avanços em relação aos existentes atualmente no mercado.

Contrariamente ao que vem sendo divulgado pela imprensa, Marquetto esclarece que o biomaterial não vai substituir o uso de materiais metálicos, pelo menos de imediato. Ele afirma que os chamados "pinos", são essenciais para os defeitos e fraturas ósseas de grande proporção, situações onde a membrana não pode ser utilizada. “Talvez em um futuro mais distante isso venha a ocorrer, não com membranas, mas com materiais de mesma natureza, porém dimensionados para formar estruturados moldáveis. Os estudos para este fim estão apenas começando”, alerta Marquetto.

Segundo o pesquisador, o projeto que inicialmente pareceu inusitado, principalmente para leigos,surgiu com uma proposta sólida, buscando mais uma das inúmeras aplicações e usos da celulose bacteriana.”A ideia para esta finalidade veio especificamente da própria doutoranda Sybele Saska, já que ela é formada em odontologia e tem grande experiência em cirurgia",observa.

Desta forma, Marchetto explica que Sybele tinha conhecimento dos principais problemas encontrados durante o ato cirúrgico, como a disponibilidade de material, o custo do tratamento e o tempo de regeneração.“Foi proposta uma seqüência peptídica (pequena proteína), para ser preparada quimicamente,já que somos especialistas na área,além do desenvolvimento de técnica de inserção de colágeno às fibras da celulose”, explica Marquetto. “Desde o início vi, que poderia resultar em algo bem promissor, caso contrário nem assumiria o risco. O interessante é que todos acreditavam no projeto”, conclui o coordenador.

O estudo foi considerado o melhor na categoria materiais dentários na 88ª Sessão Geral da Associação Internacional de Pesquisa Dentária em Barcelona, na Espanha.

Os pesquisadores entraram com pedido de patente do biomaterial, com auxílio do Programa de Apoio à Propriedade Intelectual (PAPI) da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (FAPESP).

No momento o produto ainda está em fase de testes e ainda não está sendo testado em humanos. “Já estão planejados os testes com humanos, porém será necessário ainda executar ensaios com outro modelo animal, já que a ANVISA determina que os testes em humanos somente podem ser executados após ensaio com três modelos animais”, esclarece Marquetto.

“Já o fizemos com coelhos e ratos e estamos no momento tentando desenvolver uma nova metodologia e aprovação no Conselho de Ética, para o teste em um novo animal”, completa.

Marquetto afirma que dentro de dois anos o produto será utilizado em escala comercial. Segundo ele, o tratamento com o biomaterial será mais barato que os feitos atualmente.

João Choueri, estudante de Odontologia da UNESP de Araraquara, comemora o resultado positivo da pesquisa. "É uma pesquisa maravilhosa, o baixo custo do material e o menor tempo de tratamento fazem com esse biomaterial traga ótimas expectativas aos ortodontistas que desejam especializar-se na área de traumatologia e aos pacientes submetidos à nova técnica", afirma Choueri.

De acordo com o coordenador do estudo, clínicas odontológicas e ortopédicas serão os principais consumidores do biomaterial. “Além disso, poderá servir de base para outros estudos, uma vez que a celulose permite acrescentar muito outros componentes”, conclui Marchetto.



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