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Nomofobia afeta quem fica sem acesso a equipamentos tecnológicos

Por: MARIANA LEMES

09/06/2010

O século XXI sofre com novo tipo de fobia, a nomofobia, termo que define o desconforto causado pela falta de acesso aparelhos celulares e outros equipamentos tecnológicos.

Tudo começou em Londres, mais especificamente no instituto YouGoy, em uma pesquisa realizada para o departamento de telefonia dos correios britânicos. Os pesquisadores concluíram que 53% dos usuários de telefone celular no Reino Unido sofrem de nomofobia.

A pesquisa teve grande repercussão no Brasil. Uma outra, realizada pela empresa de telecomunicações Teleco, de São José dos Campos, relatou que até o mês de abril cerca de 180,8 milhões de telemóveis foram vendidos no país, alcançando a densidade de 93,8 cel/100 hab. O número é impressionante, principalmente porque é maior que a população jovem e adulta somadas. Isto mostra que as pessoas estão cada vez mais dependentes dos aparelhos celulares e muitas delas usam mais que um.

A nomofobia não diz respeito apenas à ansiedade provocada pela falta de celulares, mas também pela ausência de qualquer tecnologia que mantenha os indivíduos conectados, como computadores e notebooks. Qualquer pessoa está sujeita a esse tipo de fobia, porém o alvo mais comum são os jovens que nasceram em um mundo tecnológico.

Há cerca de vinte anos, os poucos aparelhos telemóveis existentes eram grandes, pesados e caros. Hoje eles se tornaram o objeto mais consumido e considerados indispensáveis pela maioria. O avanço tecnológico faz com que as pessoas busquem estar cada vez mais atualizadas, tornando-se dependentes da tecnologia.

Os sintomas causados pela nomofobia são tremor, suor excessivo, falta de ar, vertigem, náuseas, taquicardia, dor de cabeça e, em casos mais extremos, depressão e até mesmo síndrome do pânico.

Pessoas nomofóbicas abandonam tudo o que estão fazendo para atender o celular, nunca deixam o aparelho sem bateria e nem o esquecem em casa. Caso isso ocorra voltam de onde estiverem para pegá-lo.

Aos poucos a nomofobia faz com que as pessoas se isolem dos relacionamentos familiares e com os amigos, optando por ficar no mundo virtual.

Já existem tratamentos específicos para este tipo de fobia. Eles se baseiam na conscientização do uso abusivo dos celulares e outros aparelhos tecnológicos. De acordo com a psicóloga Graziela Baron Vanni, especialista em terapia cognitiva comportamental, deve-se mostrar ao paciente os exageros por ele cometidos e a forma como tais exageros causam inabilidade social.

A terapia cognitiva comportamental faz com que a pessoa entenda o que está acontecendo com ela, aprenda a lidar com o que está sentindo e perca o medo das sensações corporais causadas pela fobia. “O foco do tratamento é reestruturar o pensamento do paciente, trabalhando para modificar seus sentimentos", explica a psicóloga Graziela.

A profissional alerta para a importância da participação dos familiares no tratamento. "Os familiares devem ter paciência com o nomofóbico, pois muitos acham que é apenas um vício, que não se trata de uma doença e o especialista responsável pelo caso tem de estar em contato com a família esclarecendo a fobia".

Em situações mais complexas, em que o paciente necessite utilizar remédios para o controle da ansiedade, o psicólogo e o psiquiatra devem trabalhar juntos para alcançar sucesso no tratamento, ensina Graziela.

O estudante de jornalismo Felipe Turioni diz como sente a ausencia de tecnologia. “Eu me sinto isolado, como se não tivesse acesso ao restante do mundo, com a sensação de que algo pode acontecer a qualquer momento e eu não ficarei sabendo, e não conseguirão me achar para informar. A necessidade vai além da tecnologia; no meu caso, é fundamental manter o contato. A tecnologia possibilita isso, nos mantendo conectados”.

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