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Pesquisas buscam a cura para a doença de Chagas

Por: KARIN DEIS GUTIERRES

27/11/2009

Uma pesquisa em desenvolvimento há quatro anos no Instituto de Química da UNESP de Araraquara busca um novo fármaco para a cura da Doença de Chagas.

No Brasil apenas um fármaco é utilizado no tratamento desta doença e apresenta graves efeitos colaterais, além de não ser eficiente para tratamento de pacientes durante fase crônica da doença. Já existem cepas de Trypanosoma cruzi (o parasita que ocasiona a Doença) que são resistentes ao tratamento.

O primeiro passo na descoberta desta substância foi realizar uma triagem em diferentes extratos vegetais e um destes extratos se mostrou bastante ativo no controle do parasita causador da Doença durante os testes in vitro. O extrato selecionado para o estudo é de uma planta da mesma família da pimenta-do-reino (Piper nigrum).

O segundo passo foi tentar descobrir a composição química desta planta e obter as substâncias purificadas para realizar novamente os testes in vitro.

Nesta mesma etapa, os pesquisadores conseguiram identificar qual a substância presente na planta era responsável pela ação tripanocida (que elimina este protozoário). “Esta substância se mostrou mais eficiente no controle do parasita que o próprio fármaco benznidazol, um fármaco que é utilizado atualmente no tratamento da doença de Chagas”, diz o químico Fernando Cotinguiba, que é doutorando no Instituto de Química da UNESP e um dos integrantes do grupo de pesquisa.

Atualmente, os pesquisadores estudam o mecanismo de ação desta substância no organismo do parasita. “Agora nós tentamos entender qual interação bioquímica entre a substância e algum alvo biológico do organismo do T. faz com que este parasita não resista ao contato com esta substância. É interessante que esta substância tenha interação somente com alvos biológicos restritos ao organismo do parasita, assim teríamos um fármaco de ação seletiva, o que evitaria os desconfortantes efeitos colaterais ocasionados pelos tratamentos atuais”, complementa Fernando.

O químico diz que o tempo da pesquisa e para obtenção de um novo medicamento pode variar muito. “É possível que tenhamos um fármaco daqui a 10, 15 anos, mas é possível também que não tenhamos. Isso não dá para afirmar ainda, pois tudo depende dos resultados com testes futuros e também de parcerias com a industria farmacêutica”, esclarece.

Essa pesquisa é coordenada pelas professoras Maysa Furlan e Vanderlan da Silva Bolzani, do Instituto de Química da UNESP, e Regina Maria Barreto Cicarelli, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da UNESP, e tem como integrantes atuais além do doutorando Fernando Cotinguiba, a bióloga e mestranda Gabriela Alves Licursi Vieira.

O pesquisador diz que o trabalho compensa, pois eles se sentem realizados por terem em vista a possibilidade de obtenção de um fármaco antichagásico. A doença de Chagas afeta milhões de pessoas e não possui tratamento eficiente. Há urgência no desenvolvimento de um medicamento sem efeitos colaterais pronunciados e que realmente seja eficiente para curar milhares de pessoas afetados por ela.

Estima-se que somente no Brasil existam aproximadamente três milhões de pessoas sofrendo com a doença de Chagas. Ela ocorre nos países em desenvolvimento, como o Brasil, e os laboratórios dos países mais ricos não demonstram empenho em pesquisas para doenças desse tipo.

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