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Futebol vai além das quatro linhas e mostra relação com a política brasileira

Por: EDUARDO SOTTO MAYOR DA SILVA

17/11/2009

Na semana passada, vereadores de Araraquara aprovaram por unanimidade os projetos que tratam da aquisição, por parte do município, das áreas de dois dos mais tradicionais clubes da cidade, o Estrela e o Palmeirinhas, da Vila Xavier. Além de arcar com dívidas trabalhistas desses clubes, a intenção da Prefeitura Municipal, agora, é transformar os locais adquiridos em escolinhas do esporte.

Além disso, há pouco de completar um mês da reinauguração do estádio da Fonte Luminosa em Araraquara, onde estiveram presentes as mais diversas autoridades políticas do estado de São Paulo, outdoors ainda estão espalhados por toda cidade com agradecimentos aos políticos “responsáveis” por essa obra.

Esses dois fatores são provas de que, longe das quatro linhas, a modalidade esportiva preferida do brasileiro também assumiu em sua história de mais de um século um caráter político, de valorização do orgulho nacional por meio do esporte.

Principalmente nos anos 60 e 70, auge do Brasil como melhor seleção do mundo, junto à busca pela construção de uma identidade nacional promovida pelos militares, futebol e política se aproximaram de maneira muito intensa. Exatamente esta época foi analisada pelo historiador Euclides Couto em sua tese de doutorado.

O objetivo do pesquisador, no entanto, era ir além da compreensão de como os militares utilizaram o futebol como palanque político. O pesquisador analisou também como os jogadores de futebol contribuíram para questionar a ditadura vigente no País. Depois de entrevistar ex-jogadores como Paulo César Caju e Sócrates, e analisar jornais da época, o historiador chegou a uma conclusão: o futebol também foi espaço para manifestações de descontentamento com o regime militar.

O pesquisador afirma que de várias maneiras pode se notar esse descontentamento. Ele diz que cada jogador se manisfestava de forma espontânea, o que configurava um protesto diversificado e sem uma organização para pré-determinar comportamentos.

Fora dos campos, os políticos interferiam fortemente no futebol. Euclides Couto comenta que até mesmo a seleção com os melhores jogadores do campeonato nacional era indicada pelos políticos, de acordo com os atletas que mais se adequavam ao perfil desejado.

Hoje a relação da política com o futebol não é mais a mesma. O especialista avalia que o esporte ainda é usado para que interesses políticos sejam alcançados, mas isso acontece de outras formas. Os políticos utilizam-se do futebol para falar de uma maneira mais fácil às massas, mas não há mais interferência direta nas decisões do esporte.

Euclides Couto pretende fazer outras pesquisas relacionadas a política e esporte. O próximo estudo analisará o envolvimento político na realização da Copa do Mundo de Futebol no Brasil em 2014, e as Olimpíadas que também serão realizadas no País em 2016.

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