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Cantora da era do rádio reside em lar para idosos de Araraquara

Por: RENATO DIEGO ALVES DE JESUS

22/05/2009

O lar para idosos da Vila Vicentina tem entre seus moradores a conhecida Dona Maura Bissesto, interna do local há 23 anos, que se destaca pela história de paixão com a música, presente em sua vida desde a infância. Hoje, com 83 anos, é a prova de que o talento não se apaga com o tempo e carrega consigo a vivacidade de muitos feitos.

Meu primeiro contato com a moradora aconteceu poucos dias antes da realização da entrevista, quando visitei o local para me apresentar. Disse que havia ouvido elogios de amigos muito próximos em relação a Dona Maura e seus dotes musicais e que seria um privilégio poder escrever o perfil de uma figura tão inusitada, com uma trajetória tão fecunda. Bati na porta de seu quarto e fui recebido por uma senhora tranqüila, mas surpreendida pela visita inesperada.

Ouviu com atenção a proposta de ser entrevistada e, mesmo aparentando uma certa desconfiança, aceitou com disposição. Nosso próximo encontro ficaria marcado para a semana seguinte. Retornei na data marcada, com um oficio em mãos para a realização da reportagem. Nessa ocasião, foi a minha vez de ser surpreendido: “Dona Maura esteve conversando conosco e disse que não iria mais dar o seu testemunho pois mudara de idéia.” Não acreditei que Dona Maura iria relutar, e fui encorajado: “Você pode tentar conversar com ela para ver se irá aceitar novamente.”

Dona Maura tricotava no pátio da Vila, junto aos outros internos receptivos que encontrei no local. Cumprimentei-a e fiz a “temida” proposta. Naquele momento, senti medo pelo que iria responder. Ela disse: “Acho melhor não fazermos. Não tenho idade para muita agitação. Terei que me apresentar em algum lugar? Outros virão me procurar? Não acho uma boa idéia!”, emendou. Tranqüilizei-a, dizendo que era apenas uma entrevista simples para a elaboração de uma matéria, visando mostrar para os desconhecidos um pouco do que sempre gostou de fazer.

Esse impasse durou por alguns minutos, quando Maura resolveu ceder: “Podemos conversar, mas desde que seja apenas para isso. E que te ajude de alguma maneira.” Prometi que seria assim e a partir daí, a pessoa hesitante de minutos atrás se abriu aos poucos, mostrando empolgação e uma doçura que parecia querer esconder a princípio. Foi cantando uma canção em italiano que começou nossa conversa.

Nascida em 5 de fevereiro de 1927, Dona Maura recorda-se com carinho dos anos em que a vontade de cantar surgiu. O ambiente familiar forneceu todas as condições necessárias para que aquela garota pudesse trabalhar sua veia artística: aos 6 anos começou a acompanhar os irmãos, todos músicos, em bailes de sua cidade natal, Tabatinga. Arriscava entoar algumas canções enquanto eles tocavam instrumentos diversos, entre eles o saxofone, favorito da entrevistada, que nunca aprendeu a tocá-lo e dedicou-se apenas a ‘brincar’ com o mesmo.

A idéia de uma menina tão jovem apresentando-se junto a adultos preocupava sua mãe, que tinha receio pela integridade física de sua filha. “Ela imaginava que eu poderia cair e me machucar durante as apresentações”, lembra Maura. O pai da artista também compartilhava dessa preocupação, mas gostava da idéia de que sua filha estivesse se dedicando a algo de que gostava tanto.

Maura cresceu no campo e teve pouco contato com a sala de aula devido a problemas de saúde que impediram-na de sair de casa e ter uma infância mais comum. Educada no lar, contraiu malária aos 9 anos. Nesse período, afastada dos palcos, diz que a música continuou presente em sua vida. Compôs sua primeira canção, “Eu sou Caboclo” – uma homenagem às belezas do Brasil, à sua mistura de raças e às suas origens. “Nunca teria me dedicado à música se não fosse apaixonada pelo nosso país”, diz. (Continua no texto a seguir)

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