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Araraquara participa do Dia Mundial de Combate à Aids

Por: FLÁVIA SERRANO CAYRES

26/11/2008

No dia 1º de dezembro será realizado o Dia Mundial da Luta Contra a Aids que terá como tema a Terceira idade. Araraquara(SP) irá participar através de atividades educativas, palestras, distribuição de material preventivo, programas e projetos municipais.Na cidade a programação acontece de 1º a 4 de dezembro.

No dia 1º, na praça da Santa Cruz, das 10h às 16h, acontecem atividades educativas, oficinas de sexo seguro, coleta de exames, distribuição de material educativo e insumos para práticas sexuais seguras.

De acordo com a coordenadora executiva de programas municipais da Secretária da Saúde, Mary Cristina Ribeiro Lacorte Ramos Pinto,os programas de Saúde sobre DST/AIDS, surgiram em 1983 devido ao primeiro caso diagnosticado em São Paulo(SP).

O primeiro programa surgiu no Estado de São Paulo e sucessivamente no Rio de Janeiro (RJ).“Em 1986 foi criado o programa Nacional, para o enfrentamento da epidemia, como resposta à reivindicação dos movimentos sociais.O trabalho divide-se em atenção e prevenção.Em um primeiro momento é enfatizado a necessidade de organização dos serviços para receber a demanda de doentes.Com os serviços já organizados, atualmente existe uma paridade pois somente a prevenção pode deter o avanço da epidemia no Brasil e no mundo”, explica.

Em Araraquara, o programa de prevenção é direcionado à toda população, porém é focado nos grupos que possuem vulnerabilidade acrescida que, conforme Mary Cristina, são os adolescentes, trabalhadores sazonais, homossexuais e universitários.

Os casos de AIDS em Araraquara, segundo a coordenadora, a série histórica de 1985 a 2007, mostram que, ainda há o predomínio dos heterossexuais (599 casos), seguido pelos usuários de drogas injetáveis (326), homossexuais (112), bissexuais (79), num total de 1.282 casos diagnosticados no período.

Os casos mais preocupantes estão na faixa de 20 a 49 anos que somam um total de 614 casos. “Isso ocorre pois é a fase em que a população está mais sexualmente ativa.Desde 1996, os casos em idosos mantém-se em torno de seis ao ano.Não há ainda a constatação no município, em relação ao verificado em nível nacional, porém não significa que a transmissão nessa faixa etária não ocorra.Os sistemas de informação, em geral, contabilizam os casos de doentes uma vez que não temos como verificar quantos são portadores do vírus e possam transmitir a infecção”, informa.

“Devido o aumento da expectativa e qualidade de vida nessa idade, associado ao uso de medicamentos que permitem o exercício da sexualidade é realmente esperado um aumento do número de casos, por isso trabalhamos na conscientização e prevenção. A epidemia segue tendências e deve-se atentar para essa faixa etária.”

RNP+Sol

Em Araraquara,existe a Organização Não–Governamental RNP+Sol. Presidida por Albero Carlos Andreone de Souza,surgiu há quatro anos com a finalidade de discutir políticas públicas e amparar às pessoas portadoras do vírus da Aids.”Cobramos do governo a melhoria da qualidade de vida para essas pessoas.Vamos atrás de medicamentos e tratamentos clínicos e psicológicos que são necessários”,explica Souza.

A ONG formada por portadores do vírus HIV, participa de fóruns e conselhos de Saúde,realiza visitas domiciliares,palestras educativas, entre outros."Essa Organização tem a finalidade de mostrar para essas pessoas, que são protagonistas de suas vidas e que devem conhecer-se,buscar ajuda e aceitar-se.A ONG se mantém através de trabalhos voluntários e doações",informa.

Como exemplo, citado por ele, há o trabalho de três estudantes de Psicologia e doações de pessoas dispostas para ajudar."Todas as contas são pagas através de doações, brinquedos e todo material da ONG também são adquiridos desta maneira, inclusive o prédio que foi uma doação da prefeitura”,completa.

Souza faz uma crítica e um alerta à presente realidade: “Para a quantidade da população araraquarense, o número de casos é altamente preocupante e as pessoas, apesar de toda modernização não têm a devida consciência. Elas esquecem que Aids é uma doença que não tem cura e, por isso, não se importam. O vírus está suscetível em qualquer classe social que tenha envolvimento sexual.Em Araraquara o número de mulheres casadas que são portadoras do vírus também é alto.O perigo está na busca do grande amor",opina.

Ainda, conforme Souza,"as pessoas pensam que conhecem seus parceiros mas, na realidade, isso não ocorre.É ai que o preservativo não é usado e a contaminação acaba ocorrendo.O preconceito é outro ponto forte,devido à rejeição sofrida pelos portadores.Não há mercado de trabalho e as relações sociais são muito restritas”.

Fluxo de Informações

Para Mary Cristina, o fluxo de informações decorrente da mídia existe, todavia, tais informações não significa conscientização.”As pessoas sempre acham que com elas não irá acontecer. Trata-se de um pensamento errôneo.Existe também o fato da doença implicar em mudança de paradigmas que envolvam as relações afetivas,tais como fidelidade, amor e confiança.A conscientização é um processo educativo e não se tem isso do dia para a noite. O auto cuidado tem a ver com a auto-estima e conscientizar tem a ver com emponderar as pessoas para que façam suas escolhas de forma consciente",observa.

“Não por a caso,a epidemia avança sobre as mulheres e, sobre as mulheres com vulnerabilidade social acrescida, pois são aquelas que têm o menor poder de negociação com seus parceiros devido à relação de dependência estabelecida.O desafio é fazer as pessoas se amarem o suficiente para se protegerem, mudarem conceitos e hábitos”,finaliza

Terapia ARV

De acordo com Mary Cristina, uma terapia conhecida como Anti-retroviral (ARV),seguramente aumentou a expectativa de vida e existem também ações incentivando o hábito de vida saudável."Além disso, o conhecimento precoce da condição sorológica, tem ocorrido uma intensificação nesse procedimento.Vide a campanha Fique Sabendo que faz com que a doença seja diagnosticada numa fase em que não produziu muitos danos, podendo ser controlada", diz.

Ela informa que a maior parte dos óbitos ocorridos no município deve-se ao diagnóstico tardio ou à não adesão ao tratamento.

Para o preseidente de Ong RNP+SOL, a expectativa de vida pode ter aumentato, porém surgem efeitos colaterais.”Por ser um vírus, ele acarreta uma série de outras doenças como câncer, DSTs e outras.Ninguém morre de Aids mas,sim, dos efeitos que o vírus provoca no organismo",alerta.

Parcerias

Para a realização das atividades o programa possui parceiros como a Fundação CaSA, escolas da cidade, Sest/Senat, grupos da Terceira idade, Universidades e ONGs AIDS, que desenvolvem ações em suas instituições, monitoradas pelo programa municipal.

Há também o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) o qual desenvolve ações de aconselhamento, oficinas sobre o sexo seguro e testagem de HIV e demais Doenças Sexualmente Transmissíveis(DST) junto às empresas e população . O telefone de contato da RNP+SOL para informações e doações é o (16) 3397-7511.



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