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Livro de araraquarense preenche lacuna na história recente do país

Por: FERNANDO SCHIMIDT PEREIRA

10/06/2008

O livro "Memórias do Brasil Grande", lançado recentemente em São Paulo, traz relatos pessoais sobre as grandes obras construídas no Brasil, entre as décadas de 1950 e 1980, e dos homens que as realizaram

A obra foi escrita pelo empresário Wilson Quintella que durante 40 anos trabalhou na construtora Camargo Corrêa, muitos deles na presidência da empresa.

Dr. Wilson, como é conhecido, nasceu em Araraquara e seu pai, Tarboux Quintellla, foi um dos fundadores da escola de odontologia da cidade, hoje pertencente à Unesp.

Quintella deixou a presidência da construtora em 1985. Mas retornou à empresa no princípio da década de 1990 a pedido de Sebastião Camargo, que se encontrava com problemas de saúde. Continuou no cargo até a morte do patrão e amigo, em 26 de agosto de 1994.

O empresário diz que Sebastião era um “fazedor de dinheiro”, referindo-se à habilidade que Camargo tinha em fazer negócios.

Sebastião Ferraz de Camargo Penteado nasceu em Jaú, interior de São Paulo. Estudou até o terceiro ano primário e nos anos 90 passou a fazer parte da lista de bilionários da revista Forbes. Sua fortuna pessoal foi avaliada em US$ 1,3 bilhão.

Quintella também dá o merecido valor ao papel da sorte na história de Camargo, pois a proximidade com governantes, nacionais e internacionais, fez com que sua construtora fosse responsável pelas maiores obras de engenharia realizadas no século vinte.

Brasília, Jupiá, Transamazônica, Itaipu, Metrô de São Paulo, ponte Rio-Niterói, aeroportos de Manaus e Guarulhos, Usina de Tucuruí, são alguns exemplos das obras encampadas pela construtora.

O historiador Edmilson Priori diz que “as construções realizadas no Brasil a partir da segunda metade do século 20 nos dão a impressão que aqui estava sendo erigida uma nova Roma, tamanha a dimensão e ousadia dos projetos".

Wilson Quintella deixou a construtora em 1985 convicto de que a era das grandes construções no Brasil já havia acabado e que daquele momento em diante seria só manutenção do que estava feito.

A empresa em que trabalhava estava direcionando suas atividades para o campo da extração e negociação mineral, tornando-se parceira de uma importante transnacional americana.

Para Edmilson Priori os feitos arquitetônicos realizados no país são resultado de governos com personalidade individual, pois “assim como na antiguidade clássica, os governantes brasileiros apostaram na construção de uma nação apoiada em vigas, concreto e na arte da engenharia”. Para o historiador isto se dissipa com a redemocratização política nos anos 1980.

O livro é escrito em primeira pessoa e segundo o editor, Marcelo Melo, em alguns momentos adquire o tom de “causo”.

Eduardo Christofoletti, especialista em história oral, diz que “fragmentos históricos conseguidos por meio de história oral e, neste caso, por registros de memória, são uma importante ferramenta para a investigação do passado. Este tipo de recurso é fundamental para o historiador moderno”.

Para Christofoletti, as memórias de Quintella preenchem uma lacuna na história recente do país, pois “por mais que tenhamos documentos oficiais sobre todo o entorno das construções públicas no Brasil, nos faltava o fundamental; o depoimento do homem, pois é das experiências humanas que a história se nutre”.

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