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Sebos ainda têm espaço no mercado de livros em Araraquara e São Carlos

Por: RODRIGO HENRIQUE CABRERA

25/10/2007

Com ambiente amigável e preços mais acessíveis, os sebos tornam-se uma solução para quem gosta de ler e procura uma alternativa às grandes livrarias. Em São Carlos e Araraquara essas lojas matém seus espaços no mercado de venda de livros.

Apesar de o hábito de leitura do brasileiro ser considerado baixo, dois livros por ano, o mercado editorial brasileiro vai bem. Segundo relatório da Câmara Brasileira do Livro, o número de exemplares vendidos no ano de 2005 foi de 270.386.729. Em 2006 esse número subiu para 310.374.033 exemplares.

A partir da década de 90, as pessoas encontraram na internet uma forma rápida de obter informações. Em conseqüência desse fácil acesso, algumas pessoas trocaram o hábito de ler revistas, jornais e livros pela leitura na internet.

Outro fator que afeta o mercado de livros é o alto preço dos exemplares em relação ao salário dos brasileiros. O preço médio de um livro nas grandes livrarias é de R$ 40, o que representa 10,5% do salário mínimo nacional que é de R$ 380.

O estudante secundarista da Escola Estadual Bento de Abreu (EEBA), Ricardo Macedo, concorda. “Eu gosto muito de ler, porém, o preço nas grandes livrarias é o principal motivo que impede que eu adquira mais livros”, conta o estudante. “Uma das alternativas que encontrei é emprestá-los nas bibliotecas ou comprá-los em sebos".

Os sebos em Araraquara e São Carlos

A história dessas lojas e a forma como seus proprietários resolveram investir no ramo de livros usados se assemelham. Os motivos que os levaram a esse tipo de comércio não são apenas financeiros, mas envolvem uma questão de gosto por livros, música e arte.

Marcos Murad, proprietário do sebo mais tradicional de Araraquara, a Livraria Murad, confirma que seu gosto por livros começou ainda na adolescência. “Desde adolescente freqüentava a livraria Monteiro Lobato, da minha tia, e fui adquirindo o gosto por literatura. Em 1988 ela me deu um grande acervo que não usaria mais e assim iniciei minhas atividades”, conta Murad.

O proprietário do Sebo Uraricoera, Celso Monari Paiva, também iniciou as atividades a partir do acervo que tinha em casa. “Em casa, tínhamos muitos livros que já havíamos lido. Então, eu e meu irmão resolvemos vendê-los. Não com interesse apenas comercial, mas como forma de levar as pessoas à literatura com um preço mais acessível".

O amor pela literatura, por obras raras e ambiente de sebos, motivou Vivian Catarina Dias a abrir a Sirius Livraria. Com o marido, em março deste ano, ela montou o sebo com seu acervo pessoal, que na época era de dois mil volumes. Hoje a Sirius Livraria trabalha com discos de vinil, HQ, CDs e DVDs usados.

Em São Carlos, o sebo Outros Contos, das proprietárias Miriam Schill e Marilú Fávero, iniciou suas atividades em 1995 e hoje é tido como referência para compradores e outras lojas da região. “Miriam montou a loja depois de ver que em alguns paises da Europa os sebos são bastante procurados”, conta Marilú, que começou a trabalhar na loja em 1997 como estagiária e o gosto pelos livros fez com que se tornasse sócia.

Como os sebos funcionam

Em sua essência, os sebos trabalham apenas com livros, discos e revistas usados, embora atualmente algumas lojas tenham aderido também ao comércio de livros novos. A rotatividade e diversidade de obras se dão através da constante troca e compra de títulos pelos proprietários. “Quanto aos livros oferecidos para a compra, eu os avalio pelo estado de conservação, pela edição e pela dificuldade de encontrar a obra no mercado”, explica Murad.

Para a venda, o preço estabelecido varia entre 50% e 30% abaixo do preço do livro novo. Um exemplo é o livro "Budapeste", de Chico Buarque, que na livraria Siciliano custa R$ 36,50 e no Sebo Uraricoera pode ser encontrado por R$ 20. O livro "A Dança do Universo", de Marcelo Gleiser, que na livraria Cultura vale R$ 53 no sebo Outros Contos pode ser encontrado por R$ 25.

Mesmo com essa diferença de preços, os sebos não têm como concorrentes as grandes livrarias. Isso porque o público que freqüenta sebos é diferente daquele que freqüenta as grandes lojas. “Geralmente, quem compra em sebos são estudantes universitários e pessoas que estão à procura de uma obra que dificilmente encontrariam nas livrarias, obras que já não são mais publicadas”, diz Murad.

Sebos na Internet

Na internet há alguns sites com a proposta de reunir diversos sebos do país para facilitar a procura on-line. Entre eles está o Estante Virtual (www.estantevirtual.com.br) que possui um banco de dados com o acervo de 659 sebos de 149 cidades do Brasil.

O site funciona como um intermediário entre o cliente e a loja. Através dele as pessoas podem procurar por títulos, comparar preços e qualidade do produto entre as lojas cadastradas. Se para o consumidor ficou bom, para os donos de sebos essa também é uma forma de expandir seus negócios. Para Celso Monari, “é uma ferramenta válida e que traz um bom retorno, pois leva nossos produtos além da cidade. Esta semana vendi livros para consumidores de Portugal”.

Os gêneros mais procurados e que estão presentes nas estantes dos sebos são os livros clássicos de literatura nacional e internacional, filosofia, sociologia e artes. “Existem livros como "1984", “A Revolução dos Bichos”, “O Pequeno Príncipe” e autores como Dostoévisky e Umberto Eco que são sempre procurados”, explica Marilú.

Alguns sebos também costumam vender discos e CDs. No sebo Uraricoera os colecionadores ainda podem encontrar discos de vinil. “A venda de discos e CDs corresponde a 25% do faturamento da loja”, diz Celso

Ambientes especiais

Os sebos conservam certo romantismo. São locais que, além de vender livros, oferecem um aconchegante espaço para que se possa passar o tempo, conhecer novos títulos ou até mesmo outras pessoas com quem se pode dialogar sobre seus assuntos de interesse.

A jornalista Luciana Lazarini freqüenta sebos há oito anos, desde que começou a colecionar discos. “Hoje você encontra discos de bandas antigas apenas nos sebos”, diz. Mas uma das carências que aponta é a falta de títulos em relação aos discos. “As lojas de Araraquara não têm muitos títulos, pois as pessoas não têm o hábito de trocar, comprar ou vender seus discos em sebos”, lamenta.

O funcionário público Cláudio Antônio Farias Vargas também tem o costume de comprar em sebos, tanto pelos preços atrativos quanto pela facilidade em encontrar alguns títulos de sua área. “Procuro títulos de literatura e da área de sociologia. Considero que os sebos de Araraquara têm um acervo muito diversificado e satisfazem minhas procuras”, afirma.

E é dessa forma que os sebos sobrevivem na era da tecnologia. Proprietários que não se importam apenas com os lucros, clientes que ainda gostam de sentir o cheiro de livro velho ou ouvir o som chiado de um bom disco de vinil. Como dizia o poeta Castro Alves: “Bendito o homem que semeia livros...”.

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