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Maior festa universitária de São Carlos pode ser impedida de continuar

Por: TATIANE FURUKAWA LIBERATO

09/10/2007

A Taça Universitária de São Carlos - TUSCA, evento que atraiu 25 mil jovens para a cidade nos dias 20, 21, 22 e 23 de setembro de 2007, corre risco de acabar. As comemorações dos participantes geraram congestionamento em unidades de saúde, que tiveram que se dividir para socorrer muitos estudantes por causa da ingestão excessiva de bebidas alcoólicas. Em decorrência disso, o torneio virou polêmica entre universitários frequentadores e a população, incomodada com os danos pessoais da festa.

Há quase trinta anos os estudantes universitários da cidade de São Carlos organizam uma disputa entre as equipes das universidades da cidade. Para valorizar a disputa, colocaram uma taça em jogo. Assim, a disputa recebeu o nome de "Taça Universitária de São Carlos" – TUSCA.

TUSCA é a maior festa de estudantes de São Carlos/SP. O torneio, que acontece anualmente e tem duração de quatro dias, reúne as duas grandes universidades da cidade: USP e UFSCar. E também são convidadas outras instituições, como UNICEP, UNIMEP, UNICAMP, UNIFEI e UNESP, entre outras.

Na abertura da 28ª edição da Taça Universitária de São Carlos o evento reuniu, na noite de 20 de setembro, mais de 25 mil pessoas entre estudantes universitários da cidade e visitantes. Ao som de um trio elétrico percorreram cerca de quatro quilômetros até o Jóquei Clube. Durante o percurso, centenas de estudantes desmaiaram e ficaram jogados nas ruas e calçadas. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do centro e o SMU da Santa Casa tiveram problemas para atender tantas pessoas alcoolizadas e drogadas. Houve congestionamento no pronto atendimento do SAMU, da Defesa Civil e da Polícia Militar.

As cenas presenciadas nos corredores e salas da enfermaria da UPA do centro eram lamentáveis. Jovens desorientados, desacordados, deitados entre excrementos, muitos deles de outras cidades e sem identificação. Na Santa Casa a situação não foi diferente. De acordo com a gerência do hospital, das 18h do dia 20 até às 7h do dia 21, foram realizadas 56 consultas, sendo 30 de jovens que estavam participando do corso — denominação do desfile de abertura da Tusca.

Apesar da superlotação observada nas unidades de saúde, a maioria dos universitários atendeu às orientações dos organizadores do evento e não provocou transtornos aos moradores e nem ao patrimônio público, diferente do que aconteceu nas edições anteriores.

A Polícia não registrou qualquer incidente mais sério contra o patrimônio público ou privado. Apenas algumas árvores foram quebradas e alguns moradores reclamaram da bagunça. A principal revolta deles foi contra os excrementos (urina e vômito) na porta de suas casas. Angela Maria M. tem 44 anos e lamenta que uma festa como essa perto de sua casa só causa transtornos e merece ser punida. "Faz barulho a madrugada inteira e quando saímos do portão para fora, nos deparamos com pessoas nuas no meio da rua fazendo necessidades, se relacionando sexualmente em público".

A comissão organizadora do torneio também procurou atender as exigências impostas pela Prefeitura Municipal, principalmente sobre o horário de início e término da festa. O corso começou a deixar o Caaso às 18h30 e antes das 21h30 as milhares de pessoas já estavam no Jóquei Clube. O som do trio elétrico terminou antes das 3h.

Para o turismo da cidade, a procura por hotéis e alojamentos em repúblicas de estudantes é grande. Nos principais hotéis da cidade, Hotel Anacã e Indaiá Hotel, localizados no centro, próximos à Avenida São Carlos, as reservas se esgotaram durante os quatro dias da festa. Diego Vilela, recepcionista de um dos mais procurados hotéis da cidade, afirma que o estabelecimento lucra bastante com a Tusca todos os anos. "São muitos ônibus de universidades do país todo e nunca há estadia suficiente para o tanto de pessoas que a cidade abriga. Às vezes os estudantes querem pagar pra dormir no chão e alguns saem dos hotéis revoltados com a falta de vagas", relata Diego.

Mas as reclamações não partiram apenas da população indignada com a repercussão da festa. O Secretário de Governo João Müller esteve presente na festa para verificar o que estava acontecendo. Müller afirma que o Corso 2007 tomou proporções gigantescas para a estrutura disponível na cidade.

"É um evento muito grande para a cidade de São Carlos. Acompanhamos de perto o trajeto e o volume de pessoas é exagerado", confirma Muller. Duas coisas foram percebidas pelo secretário: o alto índice de alcoolismo e o fato dos estudantes terem feito suas necessidades fisiológicas nas ruas. "Agora vamos levar ao conhecimento do executivo para que no ano que vem nós não autorizemos mais esse evento". Ele admitiu que a festa a cada ano vem apresentando um aumento considerável no número de participantes. "Infelizmente é muito grande essa festa e nós não temos a estrutura suficiente para comportar um evento como esse na cidade de São Carlos", finalizou.

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