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Uso do cerol preocupa autoridades em Matão

Por: JESSICA MACHADO

20/08/2007

Soltar pipa é a diversão de muitas crianças, é uma brincadeira muito antiga que passa de geração para geração. Mas hoje, não é tão divertido assim para muitos ciclistas e motociclistas de Matão (SP).

Hoje é muito comum pessoas sofrerem acidentes com o cerol, pois não há visibilidade da linha quando o veículo está em movimento, que expõe o indivíduo a riscos e que, na maioria das vezes, é atingido pelo cerol na região do pescoço que causa ferimentos graves.

Edinardo Esquetini(PSB),presidente da Câmara Municipal de Matão, juntamente com o vereador e Bombeiro Alcides Mendes(PSB), deram outras providências à lei nº 3.322 que proíbe o uso do cerol e similares.

Esquetini atualizou a lei destacando a proibição do armazenamento, transporte e a distribuição de cerol, e também uma punição aos pais das crianças que utilizam o produto cortante.

A punição é levar criança até o Conselho Tutelar ao receber chamado da Guarda Municipal e aguardar seus pais para os retirarem do Conselho.

Na primeira vez que a criança for flagrada os pais levam uma advertência e caso ocorra uma segunda vez terão de pagar uma multa no valor de R$ 300,00.

E os estabelecimentos comerciais que também forem flagrados fornecendo o cerol pagarão uma multa no valor de R$ 800, 00.Caso haja um terceiro flagrante, os pais deverão pagar uma multa ao equivalente a R$ 600, 00 e os estabelecimentos terão cassação do Alvará.

“Infelizmente não está havendo punição pelo flagrante do cerol, pois o Comandante da Guarda Municipal não está agindo de maneira correta, que seria apreender o material e orientar aos guardas a levarem as crianças até o Conselho Tutelar para que os pais possam retirá-los de lá e paguem a multa”, diz o presidente da Câmara.

Ele afirma que o trabalho que a Guarda vêm realizando é apenas retirar o material cortante da criança e fica por isso mesmo."Não ocorre apreensão e nem punição",afirma Esquetini.

O vereador Alcides Mendes que também atua no setor de Resgate do Corpo de Bombeiros de Matão, afirma que durante o período de férias escolares, as ocorrências de acidentes com o cerol diminuíram.

“Apesar de ser férias escolares, caiu bastante o índice de acidentes. E acreditamos que isso veio em decorrência dos cursos que ministramos nas escolas conscientizando as crianças sobre como prevenir acidentes e, entre eles, o cerol”,afirma Mendes.

Outro lado

José Nildo Dantas, mais conhecido como “Galego” Comandante da Guarda Municipal, afirma que a Guarda desenvolve seu trabalho corretamente, conforme pede a lei. “Estamos cumprindo nosso trabalho corretamente, o problema em questão é que no período de férias fica mais difícil, pois estamos atentos a outras coisas também e o trabalho no combate ao cerol deixou um pouco a desejar”, declara.

“Pedimos também a colaboração dos pais para que alertem seus filhos dos perigos do cerol e vamos combater esse crime para que diminua o risco de acidentes”, completa Dantas.

Amélia Rodrigues foi ouvida no 1º Distrito Policial por que seu filho, de nove anos, soltava linha cortante quando foi surpreendido pela Guarda Municipal.“Eu me senti uma cúmplice de criminoso. É duro falar e pensar isso do meu próprio filho, mas a criança que arma um brinquedo pensando em prejudicar alguém ou ferir uma pessoa merece um castigo grande",diz.

Amélia afirma que sempre orienta seus dois filhos a jamais praticarem este tipo de coisa."Mas, infelizmente, eles me desobedecem. A forma de educação hoje em dia é diferente”. Ela foi ouvida pelo delegado Benildo da Rocha Souza Júnior e depois foi liberada.

Vítimas

O operador de máquinas Paulo Sérgio Vensão, de 36 anos, sofreu vários cortes no pescoço provocados por linhas com material cortante. Ele trafegava com sua moto Honda CG125, pela Avenida São Paulo, no Jardim Balista, quando passava em frente à Oficina do Tatu e percebeu que dois garotos atravessaram a via correndo.“Não foi a primeira vez que fui vítima deste cortante. Na primeira vez, até lâmina de cortar barba tinha na linha”, relata indignado.

A menina Jéssica Inácio Felipe, de 5 anos, foi outra vítima do cerol. Ela andava de bicicleta na Rua de sua casa,quando foi surpreendida por uma linha com cerol em seu pescoço.

Felizmente ela sofreu ferimentos de pequena gravidade. O pai dela, Daniel Felipe, conta o susto que levou. "Minha filha estava com o pescoço cortado e sangrando. Eu fiquei em desespero. Eu acho que todos os pais deveriam prestar atenção na linha que seus filhos estão usando para soltar pipa, antes que ocorra uma tragédia”,declara Daniel.



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