Ageuniara

Pesquisa busca diagnosticar cancro cítrico com mais rapidez

Por: VINICIUS COBUS SACCOMANI

25/06/2007

Pesquisadores do Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura) em parceria com Departamentos da USP de São Paulo e São Carlos, desenvolvem técnica de pesquisa de campo que permite diagnosticar o cancro cítrico com mais rapidez. A nova técnica utiliza um equipamento de raio laser construído pelo grupo.

A pesquisa consiste em verificar, no campo, a disseminação da bactéria Xanthomonas axonopodis pv.citri, causadora do cancro cítrico. A partir da identificação de plantas infectadas, ou até de plantas com suspeita de infecção, a legislação fitossanitária determina a erradicação parcial ou total do pomar.

Saber como se dá essa propagação é fundamental para determinar quantas plantas a mais podem ser eliminadas com segurança. Com isso, a doença pode ser controlada com mais precisão e o produtor terá menor perda nas plantações.

Outra característica da pesquisa é fazer com que o diagnóstico das plantas infectadas seja mais rápido e, se possível, feito no campo. Para José Belasque Júnior, engenheiro agrônomo e pesquisador do departamento científico e centro de pesquisas citrícolas do Fundecitrus Araraquara, fazer o diagnóstico e o laudo no campo facilita a análise. “Quanto menos tempo a doença tiver para se propagar, menos plantas serão infectadas”.

A nova técnica de diagnóstico, no campo, é feita a partir de um raio laser que detecta não a incidência da doença, mas sim as plantas com “stress”. A partir daí as análises convencionais são feitas a fim de confirmar a doença e eliminar os focos.

Em 2007 faz 50 anos da primeira detecção do cancro cítrico no Brasil. Assim como os citros, a doença é originária da Ásia e manifesta-se em folhas, frutos e ramos. Segundo o pesquisador José Belasque Júnior, a ocorrência da doença é considerada baixa no estado de São Paulo. “Mais de 99% dos pomares do Estado estão completamente sadios. O último levantamento revela que apenas 0,19% dos talhões têm o cancro”. O pesquisador ressalta que, apesar disso, os cuidados devem ser mantidos pois trata-se de uma doença em potencial.

Para os produtores de frutas cítricas, a pesquisa pode diminuir consideravelmente os casos em que os pomares têm de ser quase que totalmente eliminados por causa de um foco da doença. Ênio Siqueira, produtor de laranja na região de Araraquara, afirma que a doença é devastadora e quando menos espera todo o talhão tem que ser removido. “Já perdi 80% do pomar há alguns anos. Hoje tento, com dificuldade, controlar isso. Qualquer iniciativa que venha nos ajudar é bem-vinda”.

A prevenção da doença por parte dos produtores é essencial. Fazer com que os colhedores, tratoristas e outras pessoas que trabalhem no campo sejam bem treinados para identificar a doença é muito importante. O Fundecitrus oferece treinamento gratuito nas propriedades com o objetivo de ensinar como inspecionar a doença.

Segundo Belasque, ainda existem outras duas medidas de prevenção que os produtores devem tomar. A primeira consiste em eliminar o foco da doença o mais rápido possível. Para isso os inspetores não podem enfrentar dificuldades quando vão examinar algum pomar. “Alguns produtores ainda dificultam o trabalho de coleta de amostras, retardando a eliminação ou impedindo que os profissionais façam o trabalho”, constata.

A segunda medida é quando o produtor decide resolver o problema por conta própria. O fato de eliminar algumas folhas infectadas não significa que as outras podem estar livres da doença. “A permanência dessas plantas doentes pode acarretar na perda total do pomar”, alerta Belasque.

O Fundecitrus regularmente oferece programas e palestras que visam o maior entendimento das doenças pelos produtores. A baixa incidência de casos no Estado de São Paulo também se deve a um programa de prevenção de instituições como o Fundecitrus e o Governo do Estado.

A pesquisa não está concluida. O equipamento continua sendo testado em condições de campo visando aperfeiçoá-lo para produção em série. Quando a técnica de detecção precoce do câncer estiver completamente desenvolvida, os pesquisadores pretendem encaminhar proposta ao governo do Estado, para que seja adotada como padrão de diagnóstico.

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