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Projeto social de Rincão luta contra a exclusão e o preconceito

Por: TÁRCIO MINTO FABRÍCIO

09/03/2007

Projeto "Adolescer Cidadão", em Rincão (SP), entra em seu terceiro ano com resultados animadores. Atendendo jovens carentes e suas famílias, consegue vencer a barreira da exclusão social, entretanto ainda luta contra o preconceito às classes menos favorecidas.

Criado em 2004 pelo então prefeito do município Dudu Bolito, em parceria com a entidade filantrópica Casa da Criança Dr. Carlos Luiz Malferrari, tem como público alvo jovens em situação de risco social. Funcionando em um prédio locado pela instituição e contando com parcerias com a Petrobrás, o Banco do Brasil e a Prefeitura municipal, atende atualmente 92 jovens de 13 a 17 anos.

A coordenadora pedagógica do projeto, Elane Cristina Gonçalves de Lima, afirma que o projeto nasceu da necessidade de oferecer atividades aos adolescentes, uma vez que essa era uma demanda antiga da cidade. Ela relata que "antes do projeto, os jovens das classes menos favorecidas ao completarem 13 anos, alcançavam a idade limite para os alunos da Casa da Criança, e como as escolas e o poder público não ofereciam muitas opções acabavam ficando ociosos e sem muitas perspectivas".

No projeto os adolescentes encontram várias oportunidades visando sua integração social e a qualificação profissional. Entre as oferecidas estão as esportivas, educativas, ambientais, culturais e artísticas, de socialização e de qualificação profissional.

Buscando melhores resultados, o programa passou a aproximar os familiares dos alunos ao projeto, oferecendo também atividades a esse público. O sucesso foi tamanho que, hoje, os cursos e oficinas também são realizados no período noturno para atender a demanda.

A Conselheira tutelar Maria Helena da Silva Gamba concorda com a iniciativa e ressalta a importância da integração com a família. "Sem a participação da família todo esse esforço acabaria sendo em vão. De nada adiantaria o adolescente chegar em casa depois de todas essas atividades e não encontrar uma boa estruturação familiar", explica.

Preconceito

Apesar de todos os resultados alcançados, o estigma e o preconceito ainda dificultam a inclusão social desses adolescentes. Maria Helena afirma que "o preconceito existe sim. Esses adolescentes recebem um tratamento diferenciado da sociedade, embora seja velado na maioria das vezes”.

Tal fato é verificado dentro das escolas, onde vários adolescentes do projeto relatam episódios constrangedores para a direção do programa. Fernando Deivid da Silva, ex-aluno, foi contratado pelo projeto como monitor de informática. Feliz com seu primeiro emprego comenta: “Ouvi várias pessoas, inclusive na escola, dizendo que o projeto servia para criar trombadinhas. Mas nunca me preocupei e acho que as pessoas criticam porque não conhecem. Se não fosse pelas oportunidades que tive lá, não teria uma profissão como tenho hoje”.

Outro aspecto da estigmatização é a dificuldade dos alunos em encontrar empregos na cidade, como relata a coordenadora Elane. “Os nossos alunos têm muita dificuldade em arrumar empregos por aqui. E o argumento de que a cidade é pequena e oferece poucas oportunidades é uma farsa, porque vários deles estão trabalhando em cidades da região que são tão pequenas quanto a nossa. A questão é o preconceito mesmo”, acusa.

Mas, apesar disso, a coordenadora ainda destaca que aos poucos vem superando essas barreiras. Atualmente até alguns pais de classe média têm procurado o projeto para matricular seus filhos. “Aos poucos essas pessoas estão percebendo a efetividade e o valor do programa e estão começando a se aproximar. Isso é importante, pois mostra aos alunos que eles são parte da sociedade”, conclui.

Serviços

Projeto “Adolescer Cidadão”. Rua 21 de novembro, 89 Vila Paulista , Cep. 14830-000, Rincão(SP)

Telefone: (16)3395 3130

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