Ageuniara

Sob nossos pés o tesouro do mundo

Por: HUNCAS CARVALHO MONTEIRO

22/11/2006

A maior reserva de água doce do mundo armazenada no subsolo, o aqüífero Guarani até hoje foi pouco estudado. O que se sabe é que um corredor de toda essa água doce, entre os estados do Mato Grosso do Sul e de São Paulo, que desce pela fronteira entre o Paraguai e o Paraná atingindo todo o norte da Argentina e a fronteira com o Brasil. A água do aqüífero é imprópria para o consumo humano, pois a quantidade de sal é muito grande.

Porém, a maior parte da água mineral do aqüífero, datada de 5.500 anos de idade, considerada a melhor água para consumo humano existente no planeta, esta em território brasileiro.

Atualmente existem três bolsões de exploração dessa água no Brasil localizadas nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.

Araraquara(SP)está entre as cidades que apresentam uma singularidade, o reabastecimento do aquífero através da água que penetra no arenito botucatu, uma rocha que funciona como se fosse uma esponja absorvendo água da chuvas e de mananciais.

Mas,segundo Julio César Arantes Perroni, geólogo, mestrado em engenharia civil na área de hidráulica e saneamento e Coordenador de operações do Departamento de Água e Energia(DAEE), desmistifica que Araraquara tenha condições de ser área de recarga e explica que “no subsolo do município existe uma placa intransponível de basalto em meio a um mar de areia que impede que a água penetre no aqüífero que se encontra a mais de 250m de profundidade.

"Uma pequena área, cerca de 20%, é coberta por arenito Botucatu e pode servir como área de recarga, mas é insignificante",explica.

Essa área insignificante de recarga, em Araraquara, faz parte do bairro do Iguatemi. Insignificantes porque a quantidade de água que penetra no aqüífero, por esse ponto,é muito pouca se comparada a extensão da reserva.

Riscos

Segundo Perroni,é por esse motivo que Araraquara não corre o risco de contaminar o aqüífero, o que já não ocorre com Ribeirão Preto(SP), que por não possuir uma barreira natural,no caso o basalto,é em sua totalidade uma área de recarga em potencial,pois a água do aqüífero está muito próxima da superfície."O que separa a água da superfície é uma barreira de arenito botucatu”, diz o geólogo.

A pressão de toneladas de rochas de basalto é responsável para que a água do aqüífero fique a 100 metros de profundidade, em Araraquara, facilitando a extração, já em São José do Rio Preto(SP) a água fica a 180 metros.

Araraquara se localiza em uma extremidade do aqüífero e possui 80 poços perfurados, mas apenas 13 estão em operação, o que corresponde a 52% da água da cidade.

O problema que Perroni aponta é para a forma como essa água é consumida.Segundo ele, apenas 5% dessa água é destinada ao consumo humano o restante são para fins higiênicos."Um total desperdício de água da melhor qualidade existente",diz.

Medidas de Segurança

Perroni também diz que o DAEE não possui ferramentas para a criação de medidas de segurança do aqüífero e melhorias no consumo de sua água, pois a instituição é responsável apenas pelo serviço de distribuição.

Atualmente não existe, em Araraquara, Organizações Não Governamentais(ONGs) que tratem deste assunto. As pessoas beneficiadas com a água do aqüífero pagam uma tarifa mais cara pela água, devido ao custo de energia para bombear a água do aqüífero despendido pelo DAEE, localizado na Avenida Capitão Noray de Paula e Silva, 135, no Jardim Panorama.

O DAEE é um órgão do governo do estado de São Paulo dotado de uma Litoteca ("biblioteca de rochas") formada por um acervo de rochas,preservadas em vidros e catalogadas em gavetas de estantes, única no estado e as amostras foram recolhidas (a cada dois metros de profundidade) em todas as perfurações de poços realizadas desde 1980.

A Litoteca está aberta para visitas de estudantes e outros interessados, através de agendamento pelo telefone (16) 3332-3088.

Outros recursos audiovisuais de interesse didático são encontrados no local, porque os geólogos e engenheiros do DAEE acreditam que através do conhecimento das rochas, da história geológica, é possível criar uma conscientização ambiental nas crianças e adolescentes.



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