Ageuniara

Psicóloga fala sobre a "tirania" dos adolescentes

Por: MARIA CECILIA GAMBA ILHO SENHORAES

18/10/2006

Até meados dos anos 60, as regras dentro de casa eram impostas implacavelmente aos jovens. Hoje, é prática corrente estabelecê-las de comum acordo entre pais e filhos. Antes os pais davam broncas, punham os filhos de castigo e cortavam regalias porque era assim que as coisas funcionavam e ponto final.

Hoje, cada sanção precisa ser acompanhada de boas justificativas e haja suor e lábia para dar 200 explicações. Um dos motivos é que os jovens atuais são muito bem informados. Outro dado é que eles nasceram num ambiente já bastante marcado pela educação liberal.

"O que tem que existir não é a volta à educação rígida de antigamente e sim a busca de um ponto de equilíbrio que se perdeu em algum momento entre o fim dos anos 70 e a atualidade", afirma a psicóloga Daniela Vilano Vanzelli.

De acordo com ela, às vezes não é o uso indevido da psicologia moderna nem a culpa dos pais que causam o estrago, pode-se afirmar que o erro ocorre no desejo de fugir da tarefa difícil que é educar um adolescente. Alguns pais usam a falta de tempo como desculpa.

“Os pais procuram fazer o bem para os filhos, mas eles não podem fazer aquilo que não aprenderam em tempos tão diferentes”, diz Daniela.

A má educação dos adolescentes de hoje em dia não envolve apenas os pais, mas também com seus educadores. Acreditar que a escola possa assumir sozinha o papel de educar os adolescentes é uma saída pela tangente bastante comum.

A permissividade chegou a um ponto em que os próprios colégios estão tendo de chamar a atenção dos pais para seus deveres.“O professor não é mais o dono do conhecimento, mas um facilitador do aprendizado”, afirma Maria José Laverde, professora do ensino médio.

Tempos Modernos

Com esses tempos modernos, os pais tendem a serem amigos de seus filhos, mas muitos acabam sendo cúmplices de erros que em nada contribuem para a formação deles. Não custa lembrar a função do pai na hora de ser amigo e confidente."O que não pode é os pais perderem a autoridade.Eles têm que mostrar aos filhos que os mesmos podem confiar neles quando necessário, mas sem que haja confusão de papéis", explica a psicóloga.

Outro ponto preocupante é o alto nível de consumismo pelos adolescentes. Muitos pais acham que dar tudo de mão beijada para os filhos é uma maneira de fazê-los felizes. Às vezes quando um filho entra na faculdade, ele ganha de seu pai um carro de presente, mas sem mais nem menos ele desiste do curso, então não será uma injustiça ele perder sua regalia de andar motorizado.

Os pais precisam aceitar a idéia que ao tomar esse tipo de atitude não vão fragilizar seus filhos, muito pelo contrario.“Estudar é apenas a obrigação que tem que ser cumprida pelo adolescente, portanto não é necessário dar presentes e fazendo isso ele pode sempre conseguir as coisas esperando algo em troca", observa Daniela.

Ela diz que os pais podem e devem frear o apetite consumista dos filhos. "Uma coisa é comprar um tênis ou uma jaqueta por necessidade, outra bem diferente é fazer exigências só por capricho",alerta.

Para a adolescente L.M.L, de 15 anos “o consumismo é apenas uma forma de se destacar em determinados grupos de adolescentes”.



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