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Câmara termográfica ajuda médicos a diagnosticar doenças

Por: WILSON LUIZ AIELLO

19/09/2006

Pesquisadores do Instituto de Física da USP de São Carlos desenvolveram, com tecnologia nacional, uma câmara termogrâfica que deverá auxiliar médicos a descobrir doenças como câncer, hanseníase, diabetes, lesões por esforços repetitivos(LER) e outros processos inflamatórios que causam algum tipo de dor.

O protótipo registra a temperatura do corpo por radiação infravermelha e a transforma em imagem térmica. Com isso é possível verificar a incidência ou não de debilidade no organismo, encontrando a origem da doença.

O equipamento desenvolvido com apoio da FAPESP(Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo),captura as imagens com base em um único sensor, em que cada ponto de calor focalizado é codificado para um padrão de cores. Para detectar as imagens, dois espelhos se movimentam de forma sincronizada em direções diferentes, na vertical e na horizontal, fazendo uma varredura completa captada pela objetiva da câmara. A radiação infravermelha se reflete nos espelhos, chegando até o sensor por meio de uma lente totalmente transparente a esse tipo de onda eletromagnética. A câmara é ligada a um computador e as imagens capturadas são salvas e analisadas por um software, também desenvolvido no laboratório da USP.

De acordo com Luiz Antônio de Oliveira Nunes, coordenador da pesquisa no Laboratório de Laser e Aplicações da USP, a câmara termográfica não poderá ser patenteada porque não existe inovação tecnológica, apenas domínio da tecnologia, que já é pública. "A nossa câmara não é uma cópia; o projeto é nosso e existem novidades, mas elas não justificam a patente. Nossa estratégia é dominar tecnologias importantes disponíveis comercialmente, mas ainda não produzidas no país. Depois de dominar a tecnologia, queremos produzi-la em escala industrial" revela.

O custo da câmara ficou por volta de R$ 12 mil, quando o preço de uma similar importada chega a R$ 160 mil.

Os pesquisadores estão aguardando o resultado de uma seleção de projetos pela FAPESP, que deverão receber verba de fomento. A intenção é desenvolver sete novos equipamentos que serão instalados em diferentes instituições e, também, alguma parceria com empresa para tomar viável a produção para suprir a necessidade de hospitais do estado.

Na Unidade de Saúde Escola da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e no Instituto Lauro Souza Lima, em Bauru, a câmara já está sendo testada em pacientes. Antônio Carlos de Camargo Andrade Filho, médico especialista em terapia da dor do Instituto de Bauru diz que a avaliação já foi concluída e comprovou que o equipamento auxilia no diagnóstico de dores desconhecidas, doenças de pele e tumores.

Casos como o de Sandra Rigo, merendeira por 15 anos. Ela apresentava dores por todo o corpo, realizou vários exames, mas nenhum mostrou um resultado conclusivo. Com o novo equipamento ela conseguiu o diagnóstico. "Eu não saía da sala de raio X e ultra-sonografia, nada resolveu, mas graças à câmara, hoje estou realmente tratando a doença que me incomodava, cuidando de uma inflamação que se concentrava em todo meu sistema nervoso".

A primeira câmara infravermelha foi desenvolvida em 1948, usada nas forças armadas em aviões militares nos EUA e era capaz de registrar uma imagem em 20 minutos. O equipamento desenvolvido na USP faz uma imagem em apenas três segundos, mas as câmara de aplicação militar já são capazes de registrar até mil imagens por segundo. São usadas também na área veterinária, industrial, aeroportos e em equipamentos de alta precisão.

Essa tecnologia é capaz de tornar visível o que não podia ser visto. Na área médica, as imagens digitais permitem diagnósticos precisos e rápidos, podendo percorrer o mundo pela Internet, uma ferramenta importante na busca de soluções entre diferentes especialistas.

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