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Governo proíbe queima de cana na região de Araraquara

Por: PAULA MARINA MONTEIRO

20/09/2006

O governo do Estado de São Paulo proibiu segunda-feira, por tempo indeterminado, a queima de cana nas regiões de Araraquara, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Araçatuba, Marília e Barretos. O motivo está relacionado com a baixa umidade relativa do ar.É a quarta vez que o governo proíbe a queima nesta safra.

Araraquara,por exemplo, sofre com a baixa da umidade relativa do ar desde o mês de abril. Com essa baixa os problemas respiratórios na população se agravam muito e os pequenos e grandes focos de incêndio também aumentam.

Normalmente a umidade relativa do ar deve ficar sempre acima de 30%. Entre 20% e 30% já se pede um estado de atenção maior. Entre 12% e 20% já é considerado estado de alerta e foi onde o governo resolveu intervir, já que 15% foi a marca de umidade relativa do ar em Araraquara no dia 27 de agosto.

O governo havia liberado a queima no último domingo, em todo o estado, mas voltou a suspender as queimadas, o que foi muito bem visto pela população de Araraquara já que além das fuligens que teimam em cair em quintais deixando as donas-de-casa indignadas, as queimadas abaixam ainda mais os níveis de umidade relativa do ar, causando um aumento de focos de incêndio e também aumentando os casos de problemas respiratórios na população.

"Todos os dias tenho que lavar o quintal porque varrer não adianta, pois sobe mais poeira ainda. Quando lavo a roupa é terrível pois as fuligens caem em cima da mesma que a gente acabou de lavar. No quarto das crianças tenho que colocar bacias com água e toalhas molhadas na janela para o ar ficar mais umedecido", relata Célia Regina C. Luppi moradora da Vila do Servidor.

A baixa umidade do ar também aumenta o trabalho dos bombeiros, já que os focos de incêndio começam e também se alastram com maior facilidade neste período.

Desde abril quando a umidade relativa do ar começou a diminuir os chamados para os bombeiros que foram 57 em março, quase triplicaram em abril chegando a 175, crescendo em maio para 198 as chamadas mensais, baixando em junho para 167 e em julho para 139 chamadas.

De acordo com o 2° Sargento Eudes do Corpo de Bombeiros de Araraquara, o número de ocorrências baixou nos meses de menor umidade relativa do ar porque com tantos incêndios, os lugares que poderiam ser queimados estão acabando. "Então esse número tende a diminuir até que esses locais sejam recuperados. O fato da proibição ajuda a aumentar a umidade relativa do ar, mas as queimadas nunca foram problema para nós, já que as usinas têm caminhões pipas que controlam o fogo, sem nos causar maiores problemas” completa ele.

A Secretaria do Meio Ambiente alerta a população para alguns cuidados nesse período de baixa umidade relativa do ar, pois isso pode causar complicações respiratórias devido ao ressecamento de mucosas, sangramento pelo nariz, ressecamento da pele, irritação dos olhos, eletricidade estática nas pessoas e em equipamentos eletrônicos e aumento do potencial de incêndios em pastagens e florestas.

Cuidados

Para que não ocorra esse tipo de problema é preciso tomar alguns cuidados, como suprimir exercícios físicos e trabalhos ao ar livre entre 10h e 16h, evitar aglomerações em ambientes fechados, usar soro fisiológico para olhos e narinas, umidificar o ambiente através de vaporizadores, toalhas molhadas, recipientes com água e molhamento de jardins.

Sempre que possível permanecer em locais protegidos do sol e em áreas vegetadas Olhando pela preservação, o Técnico da Coordenadoria do Meio Ambiente de Araraquara, Gelson Dantas diz que houve realmente a necessidade de ser proibida a queimada por algum tempo, visto que a baixa umidade do ar é um problema muito sério.

“Deveria ser proibido pra sempre, olhando pelo ponto de vista ambiental. A atitude de proibir foi a mais correta possível” completa ele.



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